Prólogo

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Existe um momento na vida de todo shinobi em que a seguinte pergunta é levantada por si mesmo, no fundo da mente, bem no ponto onde ainda há algum restinho de sanidade que permite tais indagações: Será que vale a pena?

Será que todos os sacrifícios, esforços, perdas, lutas e lutos valem a pena? Lutamos pela causa certa? Quanto vale a vida de alguém? Quanto vale a minha vida?

Esse momento havia chegado bem cedo para a Equipe Sete, que se encontrava num terrível dilema. Tudo o que precisavam era de uma escolha, uma maldita escolha que parecia impossível de ser feita ou um plano, o plano mais genial, brilhante e infalível que seus cérebros pudessem arquitetar, contudo, estavam cansados à um nível tão alarmante que, medonhamente, conseguia superar até o treinamento sempre brutal de Kakashi, além disso, não tinham muito tempo e para piorar, todas as drogas de chances estavam contra eles.

Sasuke soltou um gemido baixo que escondia uma dor horrível quando se pôs de pé, apoiando-se em sua katana. Sabia que tinha pelo menos 2 costelas quebradas, 4 dedos da mão esquerda estavam em posições esquisitas demais para ser normal, ostentava um corte profundo na lateral do tronco que estava sangrando perigosamente, sua cabeça latejava irritantemente, diversas queimaduras pelo corpo, sem falar no zumbido contínuo que estava ouvindo e ainda assim, tudo isso não seria tão problemático se seus órgãos internos não estivessem parando, mas infelizmente estavam, graças a porra do veneno daquele filho da puta da Areia. Se não fosse quem era e não tivesse passado por tudo que passou, não estaria nem respirando, porém, sem atendimento médico rápido, isso já, já iria mudar.

Naruto e Sakura, ainda no chão em uma situação tão ruim quanto a do moreno, se entreolharam e depois fitaram o Uchiha, aterrorizados. Ele estava prestes a fazer a escolha que nenhum deles estava pronto para realizar.  Não porque não eram capazes de auto-sacrifício, na verdade, cada um daria a própria vida sem pensar duas vezes se a dos outros dois dependesse disso, o problema era que, obviamente, ninguém queria perder ninguém. Não existia Naruto sem Sakura e Sasuke ou Sakura sem Sasuke e Naruto ou Sasuke sem Naruto e Sakura. Ou eram 3 ou não eram nada.

Só que muita coisa dependia deles agora, o futuro não apenas da Folha e de todos os seus habitantes, mas de todas as Nações Elementais.

­­— Idiota! Não!— O Uzumaki gritava ensandecido. Sakura lutou para se levantar. Se alguém faria isso, seria ela. Não um de seus garotos. Fora que dada as circunstâncias, a rosada era a melhor aposta deles. Apesar de estar gravemente ferida e com 25% da visão do lado esquerdo comprometida, ainda possuía algum chakra e a carta na manga que desejava com todas as forças jamais ter que usar.

Situação desesperadora, medida desesperada, pensou a menina amargamente.

Ainda assim, agradeceu mentalmente por seu sensei não estar ali, ele não precisava ver isso.

Fez um selo de mão e olhou significativamente para Sasuke, que imediatamente ativou o Mangekyou Sharingan, fazendo seus olhos sangrarem; de repente era como se nenhum ar estivesse entrando nos pulmões do Uchiha, suas pernas começaram a bambear, a espada caiu no chão com um tilintar sonoro, logo o dono da arma seguiu o mesmo caminho e permaneceu estático no chão, os olhos arregalados, olhar assombrado. Não conseguia se mover. Uma lágrima solitária escorreu pelo olho da kunoichi, que rapidamente a enxugou.

— Sasuke?— Naruto tentou chamar sua atenção, nunca havia visto o amigo assim.— Sakura?— Olhou para a rosada, tentando entender o que estava acontecendo, quando seus neurônios finalmente fizeram as conexões corretas. Meu Deus! Meu Deus! Meu Deus!

Seus olhos jamais ficaram tão grandes. As lágrimas desciam grossas sem ele perceber.

A Haruno precisou de toda sua força de vontade para dar o seu típico sorriso encorajador de olhos fechados e polegar estendido. Seria o últmo que ele veria dela. Então se virou de costas e começou a andar em direção ao centro dos destroços, enxugando as lágrimas que caíam sem parar.

E foi aí que Naruto encontrou sua voz de novo.

— Não! Sakura!— Tentava desesperadamente rastejar atrás da amiga.— Para! Não faz isso! Sakura!

Ouvir as súplicas agonizantes do amigo era uma tortura, mas ela sabia que se virasse, não seria capaz de prosseguir, então apenas continuou indo em direção a fumaça, desaparecendo de vista.

ShinobiWhere stories live. Discover now