Eu acordei tão feliz, não me pergunte o porquê, nem eu mesma sei explicar. Eu estava rindo até para as paredes, eu estava tão feliz que resolvi descer lá para baixo.
Quando cheguei até a cozinha, eu presentiei uma cena que nunca consegui apagar da minha memoria, e não foi por falta de tentativas.
— Mãe! — Gritei.
Corri e me tranquei no meu quarto
Não dava para acreditar que eu tinha visto aquilo, minha mãe e o Yuri "Se beijando". Eu senti um imenso nojo da cara deles naquele momento. Ainda por cima na nossa própria casa, na casa que foi do meu pai. Ela deixou um estranho entrar e sair como se ele fizesse parte da família, O.K. Eu disse que ia tentar lidar com aquilo, O.K, mas Beijar ele, isso já era inaceitável.
Minha mãe começou a bater na porta sem parar.
Eu só queria sair daquela casa, mas se eu abrisse a porta, ela com certeza ia encher minha paciência, o único jeito foi pular a janela.
Perto da janela havia uma enorme árvore. Aquela árvore sempre esteve ali desde que me entendo por gente. Ela estava sem folha alguma, apenas neve em seus galhos. Olhar para aquela árvore me causava uma angústia, era uma visão tão triste, mas, de qualquer forma, foi por ela que eu tive que descer.
— E agora? Para onde eu vou?
Eu peguei meu celular, na frente estava o número do Dean. Ele me deu o número dele logo depois de contarmos nossos micos, ele disse que qualquer emergência MICOSA eu poderia ligar para ele, e então viria na hora. Aquela não era tecnicamente uma emergência micosa, mas eu não tinha amigos, e ele era a única pessoa que poderia me ajudar. Eu já estava prestes a ligar, mas não seria legal da minha parte acordá-lo com essa minha voz horrível. Então mandei mensagem.
"Dean, tenho uma emergência! Não é micosa, mas de qualquer forma preciso muito da sua ajuda!!!"
Não demorou muito e logo ele me repondeu.
— O que ouve sthovik?
— Você pode vir aqui?
— Posso!
— Então, por favor, venha, eu estou aqui fora te esperando!!!
— Tá bom, já chego aí!!!
O Dean estava sendo mais que legal comigo, eu só queria saber o porquê. Talvez fosse por pena, porque não era possível. Pelo pouco que eu ouvi naqueles dois dias de aula, Dean era um dois meninos mais lindos e populares do colégio, então não sei porque perderia tempo comigo.
Eu me sentei perto da árvore e fiquei ouvindo música, quando me dei conta, Dean tinha parado com o carro em frente a minha casa, antes que alguém pudesse vê-lo ou ele mesmo fosse até lá em casa, eu corri e entrei no carro dele.
— Por favor, me leve para longe daqui!
— Nossa! Que susto, meu deus! Para que tanta pressa. Mas aonde você quer ir?
— Qualquer lugar.
— Ta bom!
Ele começou a dirigir.
— Obrigado.
— Então, não vai me dizer o que aconteceu?
— Não aconteceu nada...
— Não precisa mentir, Sthovik. Eu sei que está acontecendo alguma coisa. Eu só quero ajudar...
— Tá bom, Dean.
— É a minha mãe...
— O que tem ela?
— Meu pai mal morreu, e ela já arranjou um amiguinho, que por sinal, é o nosso vizinho...
— Rimou!
Eu o lanceu um olhar de fúria. -
— Calma, Sthovik. Eu só estava brincando. Continua...
— Tá bom. Agora ele vive lá em casa como se ele fosse um parente ou um amigo de muitos anos, mas só sabemos que o nome dele é Derick e nada Mais.
— Isso é tenso. Eu sinto muito pelo seu pai, mas tenta entender, ela com certeza sente muita falta do seu pai, e deve estar carente...
— É, muito carente mesmo, a ponto de beijar aquele estranho na nossa própria casa!
— Nossa, ela fez mesmo isso?
— Fez! Tenho nojo daquela cena, nunca desejei tanto não ter acordado como desejei naquele momento.
— Sua mãe não faria nada para te deixar triste...
— Eu também pensava assim, mas agora não sei...
— Não fica assim, Nathalia...
— Eu estou tentando. Vamos mudar de assunto, não quero mais falar deles.
— Ok Para aonde vamos?
— Eu não sei...A única coisa que eu tinha em mente era ficar ouvindo Evanescence e mais nada.
— Eu tenho todos os Cd's dessa banda.
— Serio?
— Aham. Deixa eu te contar mais uma das milhões das minhas histórias micosas?
— Conte.
— Uma vez, eu perdi uma aposta, meu amigo me fez se vestir de rockeiro, aliás, a blusa era até da Evanescence, então ele tirou uma foto minha e mandou para os meus pais. Meu pai ficava me zoando dia e noite, ele dizia coisas do tipo "Nossa filho, como você está bem pesado, bem metal". Meu tio Timmy acabou vendo a foto, então no natal, ele me deu todos os cd's da Evanescence, posters, blusas e até canecas. Até hoje eu nunca nem ouvi nenhum dos cd's...
— Nossa, que sorte, um dia eu quero ver!
— Bom, então esse dia pode ser hoje, que tal?
— Eu ia amar ver essa coleção.
— Então, vamos?
— Vamos!
A casa do Dean era bem linda, era de um cinza escuro e bem grande. Havia um carro parado em frente a casa dele, e um homem e uma mulher cheios de bolsas na mão saindo dele.
— Nem sabia que você tinha saído. — Disse o Homem.
— E eu tive que sair. Mãe, Pai, essa aqui é minha amiga, Nathalia Sthovik!
— Nossa, como você é linda, Nathalia! Muito prazer, Pattie!
— Obrigada, Muito prazer, senhora!
— É, amor, você tem razão! Muito prazer, Jeremy!
— Muito prazer, Senhor!
— Bom, ela quer conhecer a coleção de cd's.
— Aquela bem pesada, bem metal?
— Pensei que já tinha esquecido disso, pai.
— Eu? Jamais, filho!
— Então, já vamos, vem, Sthovik!
Ele pegou em minha mão e entramos em sua casa.
O quarto do Dean era bem grande, sem muita claridade, e sem muitos detalhes, apenas tinha um violão na parede, e uma pratilheira cheia de cd's. Depois de ver os cd's não foquei em mais nada.
— Me sinto em uma mina de ouro! Você tem até o primeiro cd, eu procuro por ele a tanto tempo e não encontro em lugar nenhum, nem na internet! Mas ainda completo toda a coleção.
— Então já é seu!
— Ai, meu Deus, está falando sério?
— Claro que estou, eu nem sei por que ainda não joguei isso fora, pode ficar com tudo se quiser...
— Meu deus! Meu deus! Meu deus! Você não tem noção do quanto eu estou feliz. Obrigado! — Eu o abracei.
— De nada!
— Desculpa, acho que eu me animei demais... — Hesitei.
— Tudo bem, eu também ficaria assim se encontrasse uma coleção completa de figurinhas do Ben 10.
— Tá falando serio?
— Não!
Começamos a rir.
Estar com o Dean me fazia se sentir bem, sei lá, ele me fazia rir, e ninguém conseguia me fazer sorrir daquela forma, só o meu pai.
— Mas me fala mais de você, Dean...
— Bom, não tem muito o que falar...Meu nome e Dean. Moro nessa cidade desde quando nasci. Sempre quis ser médico...Mas estou meio confuso sobre a especialização...
Nós ficamos em silêncio por um tempo. Dean e eu arrumamos todos os cd's em uma caixa, depois ele me levou para casa, então foi aí que toda aquela alegria que o Dean me trouxe foi embora.