Achei que minha roupa não era adequada pro evento assim que meus pés cruzaram as portal do enorme Palácio de Versalhes. Meu melhor terno agora parecia amarrotado e, porra, Taehyung me disse que ia ser só "uma balada". Mas conhecendo o amante de marcas caríssimas, talvez eu devesse ter pensado duas vezes na definição que ele me dera.
Afinal, recebi o que esperava: o chão inteiramente trabalhado em mármore de tons amarelados, revezando entre vincos mais escuros e mais claros, os pilares do mesmo material estavam rente às paredes brancas, inteiramente cobertas de obras, decorações, cortinas e esculturas em tons dourados, tudo de ouro. Só faltei salivar! E isso era apenas a entrada.
- Se você já tá de queixo caído aqui, imagina na sala dos espelhos! - Taehyung sussurrou rente ao meu ouvido, se referindo a onde seria aquela festa. Sinceramente, eu nem sabia que faziam eventos desse tipo nesse lugar, muito menos sei por quê Taehyung foi convidado ou como conseguiu um convite para mim.
E, de fato, cada salão que passávamos, eu ficava mais atônito com a riqueza do lugar. Tentei guardar o máximo de detalhes da arquitetura barroca cheia de detalhes, pois um estudante de (pasmem) arquitetura não deve menos que surtar ao entrar num templo desses.
Enfim chegamos ao lugar correto e já estava lotado. Cheio de sangue-sugas, quase me senti amedrontado. Conseguimos localizar onde estava o bar e logo bebidas descansavam em nossas mãos. Bom, não descansavam pois eu bebia tão rápido que o copo não parava quieto. Mas, porra, por uma vez na eternidade eu podia me divertir e sem pagar nada pelo álcool que estava consumindo. Iria mesmo aproveitar, beber bastante e, se desse sorte, achar algum bonitão rico pra foder comigo.
Diga-se de passagem, não sou alguém fácil de se ignorar, não é? Muito menos com alguém como Taehyung comigo (não comigo pois já estava sussurrando alguma besteira no ouvido de alguém), portanto perdi a conta de quantos vieram tentar me seduzir. Eu evitava os olhos vermelhos e dava papo para quem tinha o maior número de anéis em seus dedos, pois a vida não é Palácio de Versalhes como diversão pra todos! Eu ainda estava ali de penetra tecnicamente.
No meio de um comentário sobre como minhas coxas ficavam deliciosas na roupa que eu usava, comecei a sentir meus pelos da nuca se arrepiando, como se um sinal de perigo tivesse se acendido no meio de minha mente. Então olhei. Encontrei, encarei, tentei interpretar e acabei arqueando uma sobrancelha (só um charminho).
De longe pude ver o brilho vermelho sangue naqueles olhos acesos em minha direção. Encostado na parede distante estava o dono dos globos, exalando toda aquela energia de superioridade, como se seu coração não batesse, como se seu sangue não corresse, consequentemente fazendo o meu acelerar mais ainda. Que caralho? Foda-se, eu estava bêbado mesmo. Desconversei aquele flerte que eu já sabia que não ia vingar e caminhei.
Honestamente, eu esperava que ele saísse dali, indicando que não queria falar comigo, mas não. Ele não desgrudou de mim aqueles feixes vermelhos enquanto eu me deslocava até lá. Parecia que a sombra que lhe cobria ficava mais e mais escura com a minha aproximação.
- Poxa, fiquei me perguntando se você ia me salvar daquele papo sem graça ali. - sorri apontando para trás, onde antes tentavam me pescar. - Sou Park Jimin. - Estendi minha mão, demorou um segundo, mas ela foi resgatada e ele a balançou com o cumprimento. Gelada demais.
- Eu sei, Park Jimin. Me chamo Jeon Jungkook. Conde. - Uau, a palavra teve outro significado quando saiu da boca de alguém como ele. Eu sabia que não devia nem ter dito a primeira palavra, mas de repete eu estava lá, sentado num balcão bebendo um champanhe muito bom com ele ao lado segurando um copo de whisky que cheirava forte.
- Então, o que você faz? - perguntei inocente, fingindo que matar pessoas no calar da noite não fosse seu passatempo preferido. Onde caralhos eu estava me metendo?
- Eu comando as tropas militares do palácio e toda a região. - Ele disse desinteressado, levando o copo à boca no final da frase, pressionando os lábios depois de engolir o conteúdo. Me olhou de cima a baixo e subitamente era difícil sustentar seus olhos vermelhos sangue. - E você, Park Jimin? O que você faz para estar num lugar como esse?
- Então, essa é uma história complicada. - Eu dei uma risada só pra mostrar meu sorriso bonito - Eu faço arquitetura na Saint Quentin, só estou aqui porquê tenho um amigo rico. Sou um ninguém sem família basicamente. Mas tudo bem, já me acostumei com isso, sozinho há muito tempo.
Que porra? Falei demais e agora tudo ficou monótono? Fechei os olhos por um segundo quando terminei de falar, esperando uma cara de tédio quando os abrisse. Mas apenas encontrei aquele rosto perfeitamente modelado, agora com um sorrisinho disfarçado. Um gole a mais de whiskey e o copo foi deixado no balcão, a aproximação me deixou tenso e meus pelos se arrepiaram quando ele sussurrou em meu ouvido.
- Nesse caso... Você quer sair daqui? Podemos ser dois sozinhos acompanhados por uma noite.
✟
Eu nem sabia que existiam quartos no Palácio de Versalhes, mas o Conde Jungkook parecia conhecê-lo como a palma de sua mão. Então lá estávamos nós, fodendo como dois adolescentes com tesão, como se não houvesse amanhã, como se ele não fosse a porra de um monstro. Mas, sinceramente, fazia tempo que eu não tive uma foda boa como essa. Chupei-o com toda a minha habilidade (e ela é maravilhosa), para que então ele me comesse de todo o jeito que quisesse.
Tudo ali parecia arte. O ambiente me fazia sentir como a realeza em seu momento de mais luxúria, fodendo como se o mundo não desabasse durante uma revolução que acontecia logo ali fora, depois dos muros do meu palácio; o jeito que minha cintura era agarrada e puxada, fazendo nossas peles se chocarem; o modo como Jungkook ficou por cima de mim, deixando nossas faces grudadas, nós dois ofegando com as bocas entreabertas; os olhos que me comiam inteiro como se Jeon fosse apaixonado por mim há centenas de anos e conhecesse tudo de mim.
E então o jeito como ele gozou em mim, sem parar o movimento agressivo, e como eu vim, logo depois dele, sujando seu abdomen. Eu teria de pedir perdão à Deus por deitar-me com a criatura sombria da noite, mas nunca me arrependeria de ter feito aquilo e presenciar o pior erro humano: sentir o veneno gostoso de um vampiro. Eu que permiti ele provar de mim, e faria de novo se pudesse.
Porém me vesti rapidamente depois de acordar com a cama completamente bagunçada e um corpo perfeito meio coberto com os lençóis brancos brilhando sob a luz da lua. Não sabia se era possível que vampiros dormissem, mas ele parecia sereno com os olhos fechados e os lábios entreabertos. Aproximei-me uma última vez dele, pois necessitei novamente da sua pele. Com a pontinha do dedo indicador, contornei seu rosto da altura do olho até seu maxilar, controlando a vontade de beijá-lo e então começar tudo de novo.
- Até nunca mais, Conde.
Sem poder olhar para trás, corri dali indo até a saída do palácio. Dessa vez sem apreciar toda as excelências da decoração, corri pelos salões como uma raposa fugindo de um coiote faminto, finalmente saindo daquela residência já do lado de fora dos muros altíssimos. Caminharia até minha casa, pois taxi nenhum passaria por ali às quatro da madrugada.
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{ Versailles } JiKook
VampireSeus contatos levaram Jimin à uma luxuosa e exclusiva festa dentro do Palácio de Versalhes, coração de sua cidade. No meio de todas aquelas bebidas caras, Park percebeu um par de olhos vermelhos que não desviavam de si por nada. Era apenas uma festa...
