Hoje é dia 22 de Dezembro e está chovendo e a minha vida nunca pareceu tão bagunçada. Não sei do que tanto sinto falta, talvez de um lar, um amor, amigos?
Fazem 3 meses que fui expulsa de casa, me sinto culpada mesmo sabendo que a culpa não é minha, eu dei o meu melhor sempre tentei ao máximo para dar a porra do meu melhor. São nove da noite e eu estou caminhando para casa onde estou ficando, está garoando e esse clima me faz querer fumar então eu tiro um cigarro da caixa e tento achar uma posição onde o vento não apague o isqueiro, dou uma tragada demorada no cigarro e solto vendo a fumaça ir embora, me sinto melancólica. Continuo caminhando até em casa, se é que posso chamar de casa não sinto que eu more em algum lugar, não pertenço a lugar nenhum. Eu trabalho em uma empresa de merda, meus colegas até que são legais e me fazem rir, mas a empresa é uma merda total que me paga 877 reais por mês.
Andando para casa eu penso em tudo o que já passou, as lembranças são as que mais machucam, o passado me corta como navalha e o futuro me dá um nó na garganta e me sufoca. Eu lembro das merdas que eu fiz, das pessoas que magoei, das merdas que me magoaram, eu faço merda com facilidade, não é com vontade sabe eu só faço as coisas do meu jeito e quando eu vejo deu merda de novo e de novo e de novo, e no final do dia quando estou sozinha a única palavra na minha cabeça é desculpadesculpadesculpadesculpa, eu tenho dificuldade em falar como eu realmente me sinto, tenho dificuldade em pedir ajuda também e talvez por isso eu esteja tão triste e sozinha, enquanto eu ando pela rua fumando meu 2 cigarro, meus olhos pedem ajuda, lágrimas escorrem no meu rosto junto com a garoa gelada, meu pulso arde com o frio, os cortes finos da noite retrasada ainda estão sensíveis. Finalmente chego em casa, acendo as luzes troco a roupa molhada, fumo outro cigarro e vejo que faltam alguns para acabar o maço, deito no chão desolada, acabada, cansada é essa a palavra, meu peito dói com os pensamentos cortantes, a navalha no meu estojo já não parece mais tão distante, os remédios da cozinha talvez me deixem grogue para o meu próximo corte, o melhor de todos, o mais profundo. Enquanto penso em tudo de errado que já fiz, nas feridas que não são gentis, eu levanto, pego todos os remédios que encontro, abro o meu estojo e começo o meu plano. Os remédios não descem fácil, meu estômago revira, tento beber algo doce para tirar o gosto amargo dos remédios, mas nada funciona, o gosto está grudado na minha boca, após um período eu vômito, depois me deito na cama esperando que a morte ainda venha, a noite não passa fácil, começo a ter alucinações por conta dos remédios misturados. Parece que não posso confiar no que eu vejo, quando vejo meu primeiro cachorro acho que é um anjo e finalmente chegou a minha hora, mas ele some e depois aparece um homem me dando a mão e quando eu viro para o lado vejo que foi só mais uma alucinação. As horas passam e as alucinações aumentam, meu corpo dói e eu só quero chorar por fracassar. A angústia é terrível, não desejo nem para o meu pior inimigo, o que é irônico por que o meu pior inimigo sou eu. Não há nada no mundo que eu odeio mais do que eu mesma. Após algumas horas eu perco a consciência e tudo o que eu vejo é escuridão e acho que finalmente acabou, é isso? Acabou? Sem despedidas, cartas, adeus, tchau, nada... Apenas a escuridão. Espera... Isso é um despertador?. Eu acordo com o barulho do meu celular, o mundo ainda está turvo, vejo 4 celulares e demoro para achar o real, nem tento ver a hora porque me parece impossível, deito de novo e olho para o teto e a única coisa que me vem a cabeça é QUE BOSTAAAAA.
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Os Dias Depois Da Minha Morte
Non-FictionApós tentar tirar a própria vida, uma jovem terá que enfrentar os dias após sua morte, a morte que não necessariamente seja do corpo, mas sim da alma. CONTEÚDO SENSÍVEL.
