Capítulo 3 - Ponto de partida.

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Depois de ter tomado aquela decisão que provavelmente iria mudar o rumo da minha vida, mesmo sem saber se era pra algo bom ou não, me restava além de arrumar algumas coisas para viagem, explicar para minha mãe o que estava acontecendo.

Bryan: Então mãe... Eu... err... me alistei. *estava com um sorriso meio desconcertado*

Mãe: O QUE? Como assim? Eu não quero que você vá lutar numa guerra, meu filho. *dizia ela em desespero agarrando meus ombros*

Bryan: É uma boa oportunidade, eles vão me pagar bem... Além disso, não é exatamente como as guerras dos filmes.

Mãe: Não importa se pagarem muito, eu me preocupo com você. *Lágrimas começaram a escorrer de seus olhos*

Mesmo que para minha mãe, todas essas tecnologias e inteligência artificial não fossem tão novidade assim, ela ainda era uma mãe e sabia dos perigos do mundo. E claro, exército realmente significa guerra, mas não era bem pra um exército convencional para o qual eu estava indo.

Bryan: Vai ficar tudo bem, depois de uns anos eu posso voltar pra casa com uma aposentadoria bem gorda.

Após algum tempo de conversa, ela me abraçou apertado, ainda com lágrimas caindo de seus olhos agora um tanto inchados de chorar. Me deixava triste ve-la assim, mesmo que eu não me importasse muito com nada na vida e as vezes me irritasse com os sermões e xingamentos, ela era minha mãe e eu a queria bem.

Dois dias se passaram desde a vinda daqueles dois homens. Já estava com tudo preparado para partir. Eu me sentia extremamente ansioso, e não por que eu estava empolgado, mas sim com medo e receio do que me esperava. Ao contrário do que se pode pensar, na vida real, a gente não é corajoso, nós não nos enchemos de energia e determinação e partimos para a batalha.

Me levantei da cama, sentindo meu coração palpitar acelerado em meu peito, fui até o banheiro e encarei o espelho por um tempo. Não tinha certeza de nada em minha vida, mas agora, um caminho obscuro se abria a minha frente. Enxaguei meus olhos, escovei os dentes e me aprontei rapidamente.

Caminhei até a cozinha para ver minha mãe aprontando o café da manhã como sempre fazia, mas dessa vez seu olhar era distante e triste.

Bryan: Bom dia, mãe *disse em um tom calmo*

Ela assentiu com a cabeça enquanto colocava a garrafa de café a mesa.
Peguei e tomei um café da manhã bem reforçado e não era por fome, pois obviamente toda essa ansiedade havia tirado meu apetite, mas o fiz pois eu sentia que talvez fosse a ultima vez que tomaria café ali naquela casa.

Naquele dia até mesmo o marido de minha mãe, que passava a semana fora a trabalho, estava lá e no momento de minha partida, ele veio até mim, apertou minha mão e me abraçou forte. Ele era um cara legal, cuidou bem de mim e minha mãe e mesmo que não nos comunicássemos muito, eu acho que naquele momento, ele sentia orgulho de mim.

Despedi de minha mãe com um abraço apertado enquanto ela começava a chorar e dizer com uma voz tremula – Se cuide, meu filho – Meu coração estava apertado, mas era o único caminho. Peguei minha mochila e sai pela porta da frente.

Ao olhar para rua, fiquei um tanto quanto surpreso, havia apenas um carro comum, desses populares que se vê em todo o lugar. Eu imaginei que um carro sedan preto ou um jippe militar estivesse à minha espera. Bom, talvez eles estivessem se camuflando, sei lá.

Embarquei no carro e em um ultimo aceno de despedida, fechei a porta e rapidamente o carro partiu.
Nos bancos da frente haviam os dois homens que me abordaram antes, contudo no banco de trás, sentado ao meu lado estava um rapaz, de pele negra e cabelo curto no próprio estilo militar e sua face, bom, me era muito familiar.

O silencio predominou por um tempo dentro do veiculo e eu sentia como se fosse engasgar com minha própria respiração, de tamanha tensão que sentia. Eu nunca havia saído do meu "casulo", por assim dizer, e essa nova empreitada da minha vida, era por si só, assustadora.

Depois de mais ou menos umas duas horas de viagem, o carro parou em um daqueles postos de gasolina em beira de estrada. Olhei em volta procurando algo anormal ou estranho, mas ao que parecia era somente uma necessidade de repor combustível.

O rapaz ao meu lado estava concentrado lendo algo em um tablet. Por um momento cheguei a pensar que ele poderia ser uma dessas inteligências artificiais. Sua expressão era serena, porém bastante séria. Vez ou outra eu olhava de lado tentando espiar o que ele lia.

Rapaz: Você é bem curioso, não? *disse ele após um leve suspiro*

Bryan: Ah... me desculpe, eu não queria... *tentava encontrar as palavras certas*

Rapaz: Tudo bem *estendeu o tablet até meu campo de visão* Só estou lendo sobre o que vamos fazer.

No tablet estava todas as informações que eu havia lido naqueles papéis alguns dias antes. Mas em alguns pontos, haviam anotações e marcações, que logo percebi que foram feitas por ele, talvez tentando identificar alguma coisa.

Rapaz: Isso tudo é estranho, então quero ver se acho alguma coisa aqui.

Bryan: Eu entendo, eu também li algumas vezes para ter certeza do que estava fazendo *sorri meio sem graça*

Rapaz: Nós não temos idéia do que estamos fazendo *deu uma leve risada* A propóstio, o meu nome é Shane.

Bryan: Acho que sim, hahaha *ri de volta* E o prazer é meu, Shane, o meu nome é Bryan. *estendi a mão para cumprimentá-lo*

Ele apertou minha mão em cumprimento e logo em seguida continuou:

Shane: Acho que devíamos pegar algo para beber. *apontou para a loja de conveniência mais a frente*

Ao tentarmos sair do carro, um dos dois homens de preto, nos barrou – Fiquem aqui, ele vai trazer algo – e nos impediu de abrir a porta. Eles estavam sendo cautelosos demais, era somente umas garrafas de água.

Por fim, o outro voltou com uma sacola e nos entregou. Adentrou o carro e novamente estávamos na estrada, rumando para algo que eu ainda não tinha bem certeza do que era.

Mais um tempo se passou e chegamos a um aeroporto. Parecia um tipo simples, sem muitas pessoas e grandes aviões, apenas alguns modelos menores. Nos dirigimos até um deles que já estava preparado e pronto para voo. Era um avião pequeno, talvez do tipo usado por empresários. Tinha por volta de 6 lugares para sentar além dos bancos dos pilotos.

O avião então começou a andar pela pequena pista e alguns instantes depois, já estava voando. Bem, não era tão assustador assim, contanto que não olhasse pela janela. Shane estava no banco a minha frente, ele tinha um olhar atento e observava a conversa dos dois homens e também do piloto e o copiloto.

Dentro do avião, acabei por perder a noção do tempo e quando dei por conta, estávamos sobrevoando uma instalação bem sofisticada. Poucos minutos após o piloto declarar que estávamos chegando e finalmente o avião tocou o solo. Olhei pela janela e vi uma comoção gigante de pessoas. Carros por todo lado e várias bases do tipo militar – Eu achei que não seria um serviço militar... – pensei comigo mesmo.

Finalmente descemos e seguimos os dois. Depois de vários dias eu percebi que aqueles dois deveriam ser pessoas importantes no meio disso tudo, ou pelomenos, de confiança das pessoas importantes.

Chegando a um galpão, os dois pararam subitamente. Pareciam estar esperando algo ou alguém. E não demorou muito até que um homem por volta dos seus 50 anos saísse de lá de dentro e viesse nos receber.

Senhor: AAAh, finalmente chegaram. Sejam muito bem-vindo a base dos Defensores. *disse ele sorrindo e apertando nossas mãos*

Sem esperar uma resposta, ele nos "empurrou" para dentro do galpão. O local estava lotado de pessoas, a maior parte delas sentadas em cadeira. Parecia com um auditório prestes a assistir algum tipo de palestra motivacional. O senhor nos levou até duas cadeiras vazias e apontou-as.

Senhor: Sentem-se, vai começar logo. *mantinha aquele sorriso de aparência gentil*

Por fim, me sentei de forma apreensiva e Shane se sentou ao lado. Ele estava muito mais seguro do que eu, pelo menos aparentava estar. Suspirei fundo e coloquei a mão direita sobre o peito, meu coração batia num frenesi insaciável, quase explodindo minha caixa torácica.

Haviam muitas coisas ali, como modelos de roupas, equipamentos, armas, veículos. Parecia também como uma exposição dos mais novos gadgets que estavam prontos para serem lançados no mercado.

Eu sentia uma inquietação dentro de mim, como se algo não estivesse certo. Mas seja o que fosse, eu já havia assinado aqueles papéis e já estava ali, eu precisava suportar meus próprios pensamentos e lidar com a situação.

Shane: Cara. Relaxa, dá pra sentir a tensão emanando de você *disse ele dando um tapinha no meu ombro*

Bryan: Err... tem razão... *sorri sem muito animo*

Shane: A verdade sobre tudo isso, vai começar agora.


Ele tinha razão. Eu sabia que tinha haver com as IA, mas havia muita coisa sem explicação, sendo um dos motivos, qual a razão de eu ter sido escolhido.
Respirei fundo e fiz o máximo para limpar minha mente. Comecei a fazer uma técnica oriental de concentração para me acalmar e então, lá estava ele no palco...

New Age (Nova Era)Where stories live. Discover now