Ele sempre esteve lá.
Antes dos pequenos pontos de luzes brilhantes que iluminavam o céu durante a noite e o Sol que reluzia e aquecia a Terra durante o dia. Antes do Big Bang acontecer, tudo que havia era escuridão, trevas e ele. O silêncio vasto, quieto, que pareceria um tanto quanto chato aos olhos dos outros, monótono e vazio, mas não para ele. O escuro era seguro e pacífico, o que sempre o deixava um tanto calmo.
Não havia tempo ou espaço, não existia nada que não fosse ele, assim como não existia nada que pudesse fazer companhia a ele. Quando a Grande Explosão aconteceu, foi algo inédito. Num momento estava sozinho, e no outro, vários pontinhos significativamente diferentes esvaíam de si.
Eles, estes pontos, tinham algo que ele não tinha e sequer conhecia. Eles brilhavam, luz calorosa emanava deles e isso o intrigou o suficiente para que, finalmente, algo captasse sua atenção.
Tudo era o mais completo nada, até que, de repente, não era mais. Os pontos de luz cintilavam, brincavam e conversavam entre si, sempre tentando brilhar mais que os companheiros. Ele nomeou-os de estrelas, as pequenas criaturas eram fascinantes e sempre traziam algo novo para ele.
Duas destas coisas foram o Tempo e o Espaço.
Era curioso o fato de como eram limitadas as estrelas, todas eram finitas e isso era incompreensível. Em toda sua existência, ele nunca soube que algo podia acabar, ter um fim visível mas, aparentemente, aquilo existia.
E além de serem visivelmente finitas, também não eram imortais. Aquilo era algo que o Tempo fazia com elas, aos poucos o brilho se extinguia e o calor desaparecia, tornando o que havia sido um ponto luminoso no meio do breu, em rochas frias e sem vida que flutuavam sem rumo por aí. Elas morriam, o Tempo as matava e não importava o quanto ele as cercasse e protegesse, todas tinham o mesmo fim.
Ele já tinha aceitado isso, tudo ao seu redor era finito e, todas as suas estrelas tinham um fim. Era inevitável e não havia nada que pudesse fazer para mudar isso.
Em algum momento após o surgimento delas, outra novidade surgiu, deixando até mesmo as estrelas mais brilhantes encantadas.
Ela apareceu.
Com ela, veio um brilho intenso, um calor que ele nunca tinha sentido antes. Era bastante diferente de seu breu e o frio que o acompanhava desde sempre, atraente o bastante para o tornar acanhado. Em seguida, vieram os planetas, eles eram pequenas esferas rochosas e gasosas que precisavam de brilho e calor para sobreviverem. Ele gostava de visitá-los de vez em quando, até mesmo conseguia tomar a atenção de alguns tempo o suficiente para esquecerem dela, mas não durava muito tempo.
Os planetas gostavam mais dela, seguiam apenas ela então ele se cercava apenas de suas estrelas, vivendo em harmonia com seus novos vizinhos. Não foi muito tempo depois disso que outras mudanças ainda maiores se fizeram presentes.
O Universo agora já não era mais tão vago, ele tinha estrelas pequeninas que se multiplicavam cada vez mais e pequenas rochas que passeavam pelo espaço. Planetas e outras como ela também habitavam o espaço, dividindo tudo perfeitamente para ambos os lados.
Ele estava mais contente do que nunca. Sua existência se tornava a cada dia menos solitária e ele gostava disso, a sensação de ser preenchido com novos seres semelhantes a ele, a companhia que estes mesmos seres o davam era incrível.
Ele tinha certeza de que não havia mais nada a ser mudado no Espaço, por isso foi uma surpresa enorme quando algo aconteceu. Era a sua vez de mudar, ele teria um renascimento e seria chamado por outros nomes dali por diante.
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When We Collide | conto
Short StorySempre foi apenas ele, antes mesmo das estrelas nascerem e do Big Bang existir, ele estava lá. Ele era a escuridão, o vazio e o silêncio. O Universo ainda não brilhava e nem conhecia a luz. Não existia o calor ou sequer o barulho, apenas ele. Mas, d...
