Capítulo um

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boa leitura anjinhos!

Seul, Coreia do Sul, 12:39 p.m.
20 de outubro de 2014

p a r k j i m i n

Eu odiava sair de casa.

— Já terminou? — a mulher indaga assim que solto os talheres na mesa, insatisfeito.

— Meu irmão não disse que meu apelido é "Príncipe Exigente"? Se a comida não estiver excelente, não passo da terceira garfada. — não parece ficar surpresa com minha fala.

— O chefe daqui é muito bom, mas na próxima vamos a um lugar melhor.

Tsc.

Eu não sei o que meu irmão a fez acreditar que as pessoas me escolhem. Na verdade, eu as escolho e ela não tem a mínima chance de ser escolhida por mim.

Sei muito bem o que mulheres como ela pretendem com um riquinho de apenas 19 anos como eu.

— Não precisa. Não haverá próxima vez. — já com o objetivo de levantar e simplesmente sair daquele local, ela diz:

— Seu irmão não me disse que era tão atraente. Espero que haja uma próxima vez, Sr. Park Jimin. — coloca seu cabelo atrás da orelha e se inclina um pouco mais pra frente.

Ela é determinada, mas se ela acha que seu planinho de merda irá funcionar comigo, está muito enganada.

— Soube que tem excelente formação e um bom olhar sobre certas coisas. — ela aperta os olhos com um sorriso debochado no rosto. — Também soube que faz investimentos inteligentes. Meu segundo irmão parece estar apaixonado por você.

— Quanta lisonja! — escapa uma risada enjoada.

— No entanto, Srta Ye, não me apaixonarei por você. Eu enxergo tudo. Você está preparando o terreno para um plano maior e parece que quer se casar comigo para no final ficar com tudo. — trava em sua fala, mas mesmo assim mostrava firmeza em seu olhar cativante. — Fique ciente de que não dará certo. Fui criado em uma família difícil, tenho olhos aguçados. Tome uns trocados do meu irmão e pare por aí — tomo um gole do vinho assim que termino minha fala. — Nossa, até o vinho é ordinário.

Deixo a taça em cima da mesa e volto a encostar as costas na cadeira, eu não demoraria para sair dali.

Fui criado em uma família onde ser enganado ou enganar é um ato inteiramente inverídico, inadequado. Não somente a minha, claro, levam esse critério, mas tudo que envolve-a é resolvido com dinheiro.

Desde pequeno eu estava destinado a trabalhar no Grupo Feel's; empresa onde, para uns, as chances de defraudar eram mínimas. Claro que, eu tinha um sonho e esse sonho não tinha nada a ver em trabalhar naquela empresa.

Meus dois irmãos mais velhos, Park Minwoo e Park Jihyun, planejavam desde sempre me casar com uma mulher coreana que vivesse no exterior. Marcam sempre encontros requintados, com mulheres elegantemente vestidas, com muito dinheiro.

Ou seja, eles queriam me mandar para outro país. Para longe, para não precisarem me verem. Assim, eu não pegaria nada do que é "deles". Entretanto, não teria a mínima chance de isso acontecer, eu nunca o faria.

Minha mãe fôra sempre uma pessoa que concedia com esses encontros negociadores, é assim que o chamamos. Uma mãe que quer o próprio filho longe, o mandando para um país diferente do que viveu durante os últimos 19 anos, de imediato. Sem que o marido saiba o verdadeiro pretexto de seu filho ter ido embora sem pelo menos um aviso, ou um impossível "tchau".

Eu queria pensar que isso é a sua maneira de querer o bem, mas parece que está até mesmo colocando as mãos no fogo para me manter longe o mais breve possível.

Apesar de meu pai sempre estar trabalhando, ele sempre sabia o que acontecia naquela casa, sempre. Mas também não importa, dentro ou fora, ele sabia o que acontecia em nossas vidas; com quem andamos, conversamos nem que seja por alguns minutos ou até mesmo com quem temos relacionamentos sexuais.

Ele provavelmente sabia que seu filho dormia com
homens.

Não havia privacidade, então, eu não tentava esconder nada de si. Isso tudo para nos proteger, dizia. Ele sabia que marcavam encontros breves para mim e sequer ousou parar aquilo ou até mesmo o que deveria ter sido feito: retorquir aquela situação. Eu só tinha malditos 15 anos quando começaram.

Minha mãe já deveria saber que naquele momento seu plano não havia dado certo tão quanto o esperado, por isso, sua saída iria ser apontar fatos mentirosos a meu pai e fazer de seu plano sairia uma causa boa: minha saída do país.

— Chegamos, senhor. — o motorista avisa assim que o carro para na frente da mansão dos Park's.

Desço do carro quando a porta é aberta pelo mordomo que já parecia me aguardar. As roupas sofisticadas e clichês que os outros empregados vestiam sempre fôra algo que me fazia revirar os olhos, ricos quase sempre ousaram ser estranhos até com as próprias roupas dos empregados.

Família significa várias coisas, para mim, eles só eram pessoas com quem eu morava por um determinado tempo. Não havia nem ao menos um relacionamento paternal, maternal ou fraternal. Para eles, a minha vinda ao mundo era apenas uma falha, alguém que roubaria tudo que eles estavam conquistando aos poucos, eu era um peso.

Negócios são como uma religião para grandes famílias, são a partir dos negócios que surge o dinheiro e se for para conseguir todo o dinheiro possível, minha mãe não excitará em mandar seu filho para o exterior com uma mulher completamente estranha. Mas contanto que o dinheiro não estiver em suas mãos, ela o fará.

Continua...

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⏰ Last updated: Jan 26, 2020 ⏰

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