c̶o̶r̶r̶e̶n̶t̶e̶s̶

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Eu sabia que não deveria ir por ali, com certeza sabia, por que fiz aquilo? Talvez porque estava cansado de ser o garoto certinho, sempre educado e sorrindo, que tirava boas notas e respeitava os pais.
Toda vez que saía de casa eu era uma outra pessoa, sempre agindo da maneira como me foi dito, sempre falando o que me foi ordenado. Por toda a minha vida fui manipulado, com cordinhas presas em meus braços, pernas, mãos, cabeça e todo o resto da marionete que eu era. Na outra extremidade, amarradas em dedos longos e magros dos meus pais, decidindo cada passo e cada movimento. Eu nunca fui só eu. Não sei quem era, mas com certeza perdi toda aquela inocência infantil que existia em mim.

Porque as coisas que me amarraram depois foram correntes. Não imaginárias e subjetivas, correntes de ferro que machucavam meus pulsos e me cortavam a liberdade mais uma vez.

Se você me pedisse um resumo sobre mim, acho que diria
"Jimin, o garoto que nunca foi livre."

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