Prólogo

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O cheiro característico do hospital se impregnava nas narinas de quem estivesse no local; as cores brancas - que tentavam transparecer conforto - encobriam o desespero de quem estava preso a uma cama ou de quem tinha entes queridos na mesma situação.

A preocupação era evidente em todos ali, principalmente na senhora Park, que tinha acabado de descobrir que sua filha havia se envolvido em um acidente. Um atropelamento em específico.

Seus pés se batiam contra o chão em um único ritmo, um rápido e ansioso que esperava por notícias de sua pequena, sua doce e saudável menina, que nunca havia gerado nenhuma preocupação à família até então.

Apoiou sua cabeça em ambas as mãos, respirando devagar para que não acabasse tendo uma crise de pânico ali mesmo. Fazia apenas meia hora que estava ali, mas sentia como se tivesse passado anos; nenhuma notícia, nenhuma informação. Não sabia nem se sua Roseanne estava viva.

Percebeu uma sombra à sua frente, e devagar levantou a cabeça se deparando com um dos médicos logo ali. Sentiu o coração falhar por dois milésimos de segundo, se levantando com as pernas trêmulas da cadeira dura e fria presente no corredor.

ー Senhora Clare Park?ー Perguntou, mantendo uma expressão séria e impossível de ser decifrada em seu rosto.ー Mãe da senhorita Park Chaeyoung?

A mais velha não respondeu, simplesmente assentiu com a cabeça falhando ao tentar disfarçar seu nervosismo. Engoliu seco esperando o doutor continuar.

ー Bem, felizmente ela não corre risco de vida.ー Informou monotonamente, checando os seus dados na prancheta comum e cinzenta fazendo Clare soltar todo o ar pela a boca de uma vez só. ー Entretanto...ー Continuou, recebendo outro olhar preocupado da mãe.ー O impacto afetou diretamente ambos os tímpanos, gerando uma perca de audição crônica. Infelizmente não há nada que possamos fazer.

Demorou alguns segundos até que ela processasse a informação dita pelo o profissional. Estava aliviada por saber que não perderia Rosie, mas saber que ela nunca poderia ouvir novamente fez seu coração apertar. Sentou-se de novo, murmurando um "obrigada" que quase passou despercebido pelo o homem.

Ficou um longo tempo pensando nisso; como sua filha e as pessoas em sua volta reagiriam, como eles iriam se adaptar a isso ou como ela viveria assim. Queria chorar, mas se sentia ingrata em derrubar lágrimas depois de descobrir que não teria sua preciosa pequena tirada de si.

Logo percebeu Mason - seu marido - entrando preocupado, acompanhado de sua filha Alice, irmã mais velha da enferma. Com passos ligeiros foi em direção de sua esposa, lhe dando um olhar que perguntava se a menina estava bem. Ela assentiu com a cabeça fazendo o homem relaxar um pouco, mas logo em seguida contando a trágica notícia da perca de audição de Chaeyoung, fazendo ambos arregalarem os olhos. O maior apoiou sua cabeça contra a parede limpa, em estado de choque, logo descansando ambas as pálpebras e tentando absorver o que havia acabado de escutar.

Rosé era uma pianista habilidosa, tinha ganhado inúmeras competições e shows de talentos, mesmo que não ligasse muito para isso. Sempre deixou claro que seu objetivo era tocar o coração e a alma das pessoas com a sua música, desejava fazer todos felizes apenas com um toque, uma tecla, uma nota. Claro que era um sonho inocente e inalcançável, mas já perdeu as contas de quantas vezes fez pessoas chorarem com suas performances.

O senhor Park se sentiu mal, muito mal. Não por ele ou pela as dificuldades que enfrentaria, mas por sua filha, sua doce garota que amava tocar mais do que a si mesma.

Ela conseguiria continuar os estudos?

Conseguiria realizar o seu sonho de tocar em um enorme palco e fazer com que suas 12 notas chegassem ao coração de todos que pudesse alcançar?

Conseguiria ser feliz novamente?

Estava preocupado com sua reação mas faria certeza de que iria se recompor antes dela acordar. Tentaria confortá-la e dizer que tudo ficaria bem, mesmo que ela não pudesse o ouvir.

Desde então a vida da família Park mudou de vez. Tiveram que se adaptar ao novo estilo de vida, aprenderam língua de sinais e fizeram de tudo para recuperar a audição da menor. Consultaram milhares de otorrinolaringologistas e nada adiantou. Longos anos para enfim aceitarem o destino de Chaeyoung, que sofria em silêncio as consequências do acidente.

The Soul's Vibration • Chaelisa Historias para obsesionarse. Descúbrelo ahora