>>> S i n g u l a r
Katsuki Bakugou odiava receber presentes, bem como qualquer tipo de caridade. Primeiro pelo fato de se sentir obrigado a retribuir, segundo porque era desgastante ter de pensar em algo que outro ser humano gostaria, existindo ainda a possibilidade de quererem jogar fora a opção escolhida.
Nesse último caso, a reação de desgosto era sempre explícita, por mais que o presenteado tentasse esconder. Quando isso acontecia, Bakugou sentia um asco tremendo, pois via a cena toda e só tinha vontade de pegar o presente de volta e mandar voar pelos ares, acompanhado de vários palavrões. Afinal, não tinha gastado o precioso tempo dele para receber uma reação de merda.
Havia ocasiões em que ele não conseguia fugir dessa obrigação social, como nos casos de festas de aniversário, de formatura, e por aí vai. Mas a todo custo tentava evitar esse fardo, ainda que houvesse uma única pessoa, de todos os seus conhecidos, que praticamente o obrigava a quebrar essa regra, mesmo sem saber. Isso deixava Bakugou puto. Incrivelmente puto. Odiava abrir exceções, mas... era inevitável.
Assim, por culpa desse indivíduo em particular, lá estava o loiro, passeando pelas ruas de Musutafu* em busca de algum objeto digno. O simples fato de estar procurando já era ruim o suficiente, só que o pior era que absolutamente nada parecia ser capaz de alcançar as expectativas de quem receberia o presente. Os motivos eram simples: ele já parecia ter tudo e mais um pouco, além de sempre presentear Bakugou com bens de nível alto, até mesmo caros.
Perdido nos próprios devaneios, todos baseados na raiva e frustração que sentia por não ter algo bom para oferecer, Katsuki acabou por esbarrar em uma estranha na rua. Num primeiro momento, xingou-a por não olhar por onde andava, mesmo com ele tendo uma pequena noção de a culpa pertencer a ele. Em seguida, acalmando-se lentamente, pediu desculpas à mulher a sua frente.
Ela pareceu um pouco confusa, até mesmo perdida com a situação toda. As palavras pareciam não sair da boca dela, porém era notável a preocupação no olhar da mulher quando viu vários dos panfletos que carregava consigo espalhados pelo chão, com pouquíssimos restando em mãos. Ao notar esse fatídico acontecimento, o loiro ignorou o silêncio da desconhecida e começou a recolher os papéis do chão, um por um.
Mais uma vez, a garota permaneceu em silêncio, mas com um semblante de gratidão no rosto, tendo começado a recolher os panfletos também. Em pouco tempo, juntaram o que dava para salvar, e enfim ela proferiu algumas palavras. Aparentemente, era tímida, com dificuldades para se expressar. Até a voz dela indicava isso, com algumas sílabas trêmulas sendo expelidas.
— O-obrigada... — Refletiu antes de continuar, com o fim de evitar que o loiro visse a coloração vermelha que suas bochechas adquiriram. — Espero que possa comparecer ao festival. — Estendeu um dos panfletos para ele, sem encará-lo diretamente. Isso fez Bakugou pensar que ela também deveria ter tido algum tipo de culpa no esbarrão entre eles e estava se sentindo constrangida. Ela parecia desajeitada.
De toda forma, o herói já havia perdido tempo demais ali, então apenas aceitou o folheto e agradeceu com um movimento de cabeça. A menina deu outro em resposta, seguindo o caminho dela logo após. Geralmente, Bakugou não tinha o costume de atender aos pedidos dos panfleteiros, tentava ao máximo desviar deles, além de mostrar o dedo do meio quando queriam forçar a entrega do papel ou se mostravam insatisfeitos com a decisão do loiro de não pegar.
No entanto, no trajeto em questão, foi praticamente impossível, pois nem ele nem a garota sabiam direito o que estava acontecendo ou o que estavam fazendo. Pegou por impulso, e talvez por já ter sido grosseiro o suficiente. Tinha também o jeito estranho dela, que o desviou do foco por alguns instantes. No fim, acabou que um papel entregue por um estranho talvez tenha salvado a pele dele. Katsuki Bakugou finalmente arranjou uma ideia de presente.
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Singular
FanfictionKatsuki Bakugou odiava receber presentes, bem como qualquer tipo de caridade. Primeiro pelo fato de se sentir obrigado a retribuir, segundo porque era desgastante ter de pensar em algo que outro ser humano gostaria. No entanto, quando se tratava de...
