—Vai Naru, me diz! Por favor, quem é ela? — Sakura me indagava pela milésima vez.
—Sakura, eu não sei, ele não me disse quem é. — minto. Essa é minha única saída, afinal, o que eu iria dizer a ela? Sakura querida, você me pediu para me aproximar do Sasuke e me tornar amigo dele, mas tarã! Viramos foi namorados baby! Não, fora de cogitação, pelo menos por enquanto.
Que situação!
—Você está mentindo Naru, você sabe sim quem é ela. Por favooooor diz vai, na caridade. — finalizou, fazendo biquinho, o maldito biquinho. Ah, Sakura era minha melhor amiga e era muito difícil esconder isso dela, mas gosto muito dessa rosada cabeça de vento para magoa-la. Se controla Naruto, pelo menos por enquanto, você vai contar, vai contar, mas não agora, ela não tá preparada.
Suspiro levemente.
—Tá bom Sakura-chan, eu vou tentar descobrir quem é, ok? Tentar, se ele me contar eu te digo o nome. Mas porque que você quer tanto assim saber quem é a namorada do Sasu...ke? — acrescento rapidamente. Quase que o chamo pelo apelido na frente dela. Droga.
Sakura sorri decidida, antes de responder.
—Eu já disse, quero saber quem é para saber se tenho chances de supera-la e de finalmente conquistar o Sasuke-kun. — ela dizia com os olhos brilhando.
É, sei que estou em uma péssima situação, para não dizer algo pior. Estava namorando Sasuke a pouco mais de um mês – escondido, óbvio- e ainda não havíamos contado a ninguém, embora Sasuke tenha deixado bem claro, para todas as garotas que ainda insistiam em ficar em seu pé (e que me causam uma baita ciumeira) que ele estava mais do que comprometido; ele só não disse com quem e desde esse dia, Sakura me pergunta praticamente todos os dias o nome da namorada dele, que no caso sou eu, e isso é bem estranho. Nunca senti inclinação nenhuma, tipo, nunca havia gostado de outro cara, mas o Sasuke, bem, ele despertou esse lado dentro de mim e agora, sou tão caído por ele, quanto ele se diz caído por mim.
—Bem, espero que dê certo esse seu plano. — murmuro, mentindo descaradamente. Certo, somos melhores amigos e eu amo muito ela, mas sinceramente, eu também amo meu namorado e sou feliz com ele; só espero que Sakura também encontre alguém que a faça feliz assim como ele me faz. Que poético cara!
—Te adoro Naru. — ela sorri e me da um forte abraço. Me sinto um crápula nessa hora, mas o que posso fazer? Eu amo os dois – certo que de maneiras beeem diferentes, mas os amo e não quero perde-los, nem magoa-los.
Que situação a minha.
XXX
Estava eu agora, andando tranquilamente pelos corredores da escola, quando sinto meu corpo ser puxado e pressionado contra a parede. Nem chego a me assustar – como da primeira vez que isso me aconteceu-, pois havia apenas uma pessoa em toda essa escola – e que obviamente era a única com esse direito - que fazia isso comigo e esse alguém não era nada mais, nada menos que meu irritante namorado:
—Sasuke-teme. Podem nos ver aqui. — ralhei, empurrando-o para longe de mim. Não que não gostasse de nossos agarres as escondidas na escola, era até legal (muito), pois corríamos o risco de sermos pegos a qualquer momento e isso era mais do que excitante, mas deveríamos manter certa prudência e ultimamente, prudência era a única coisa que Sasuke não estava tendo.
—Não me importo com isso e você sabe. — soprou, enquanto roubava um rápido selinho de mim. Não falei?
Eu não pude evitar sorrir com esse ato, mas não deixei barato e lhe dei um leve soco no braço. Sorte que não tinha ninguém ali por perto para nos ver nesse estado.
—Vamos para o terraço, pode aparecer alguém a qualquer momento. — chamei-o.
Sasuke deu de ombros e me seguiu.
—Sabe, estou com receio de contar a Sakura-chan sobre nós. —expus, enquanto sacudia tristemente, minha latinha vazia de refrigerante. Queria mais refri! Olhei para Sasuke e fiz carinha pidona, mas ele não me deu seu refrigerante. Mão de vaca.
Estávamos agora sentados lado a lado no terraço da escola, com nossas costas apoiadas na enorme grade de proteção do terraço, terminando nosso lanche.
—Tem medo que ela deixe de ser sua amiga? — assenti e ouvi ele bufou levemente. —Naru, se ela for mesmo sua amiga e gostar de você como diz, ela vai entender. E tem mais, eu nunca dei esperanças a ela, então ela não pode dizer que você me ‘tomou’ dela. — acrescentou com um dar de ombros.
Olhei para o céu cheio de nuvens e suspirei, antes de dar um sorriso trocista.
—Nunca imaginei que isso fosse acontecer comigo.
—O que acontecer com você? — questionou-me, fazendo uma leve careta.
—Eu te namorando firme e de quebra, ainda recebendo concelhos seus. — ri-me ainda mais.
Sasuke me olhou estoicamente e eu dei de ombros.
—Engraçado né? Então aproveita que são os últimos. — tomou mais um gole de seu refrigerante e atirou a lata longe.
—Sujo! É pra isso que tem lata de lixo. — eu não pude evitar caçoar dele, afinal, Sasuke sempre foi limpinho e tal, mas ele não disse nada – para minha surpresa-, apenas apontou para frente e eu segui seu dedo.
—Viu? — indagou-me, assim que sua latinha caiu dentro da lata de lixo que estava a alguns metros de lá. Alguém procura meu queixo, acho que deixei cair em algum lugar. — Fecha a boca e vamos. — levantou-se e sorriu, de minha cara, aposto.
—Você só pode ser filho do capiroto. — resmunguei, enquanto me levantava, mas meus olhos ainda revezavam de Sasuke para a lata de lixo.
—E você o namora. — Sasuke retrucou, puxando-me para um beijo, que obviamente eu correspondi.
XXX
—Naru, você já terminou sua mala? Lembre-se que o acampamento é esse fim de semana hein?— minha mãe Kushina dizia, enquanto despejava um pouco de molho em sua mão e experimentava. — Falta sal. — sussurrou para si mesma. — Então? —indagou novamente, enquanto eu, bem, eu devorava mais um biscoito do pote.
Ela me acertou com sua colher de pal.
—Ai! — massageei a mão que havia sofrido o atentado.
—Não coma isso, depois não terá espaço para a janta e se não comer eu enfio sua comida goela a baixo, com prato e tudo. — ameaçou-me e eu como um bom filho, não retruquei.
—Bem mãe, eu já arrumei sim. — falo com um sorriso amarelo, tentando mudar de assunto.
—Tudo bem. Achei que teria que fazer sua mala, seu folgado. — resmungou, voltando sua atenção para o jantar.
Fiquei em silêncio, pensando um pouco nas coisas que vinha me acontecendo nos últimos dias. Quem sabe minha mãe não me ajuda né? Mães sempre são boas nesse negócio de concelhos amorosos, ela só não precisa saber que é sobre mim no caso, certo?
—Okaa-san. — chamei-a e em resposta recebi um baixo resmungo. — Bem, o que aconteceria se hipoteticamente falando, uma garota pedisse ajuda a seu melhor amigo, sabe? Pedisse ajuda a ele para que...para que ela conseguisse conquistar o cara que ela gosta e hipoteticamente falando, o amigo dela se apaixonasse por esse tal carinha e os dois começassem hã...começassem a namorar? O que...como esse amigo poderia sair dessa situação? — perguntei, me atropelando completamente com as palavras. Eu deveria ter ficado é de boca fechada, pois agora minha mãe me olhava com uma cara tão estranha, como se eu fosse algum tipo de alienígena vindo de outro planeta.
—Sente-se bem? — perguntou-me, vindo em minha direção com a mão erguida. Parecia querer medir minha temperatura.
—Mãe! É sério. —afasto sua mão. — É que isso.... Bem, isso aconteceu com um g-garoto que eu conheço. —senti minhas bochechas corarem de vergonha. Realmente, eu deveria ter calado minha boca e tentado resolver isso sozinho.
Minha mãe foi até o fogão e abaixou o fogo, antes de voltar para perto de mim e se sentar a meu lado.
—Ok então. Você está me dizendo que uma garota pediu ajuda a seu melhor amigo.... — começou pausadamente, tentando absorver a informação e eu sorri aliviado.
—Sim, esse amigo conhecia o garoto de quem ela gostava. Eram parceiros de biologia. — continuei.
—Certo e então o amigo se aproximou desse garoto e eles se apaixonaram, certo? —emendou gesticulando com as mãos e olhando-me atentamente.
Eu sorri ainda mais.
—Sim, mas esse tal garoto já era apaixonado pelo amigo dela e bem...eles se entenderam e começaram a namorar. — obrigado Kami! Ela está entendendo, só espero que ela possa me ajudar.
—Entendi! — exclamou, sorrindo levemente. — Agora o amigo está com receio de contar a essa amiga que ele furou o olho dela? — indignei-me agora. Não sou fura olho.
—Mãe! Eu não...digo, ele não furou o olho dela, só que as coisas fugiram do controle. — emendei, tentando consertar meu fora. Espero que ela não tenha suspeitado. — Enfim, ele gosta muito dessa amiga, mas ela continua apaixonada pelo, bem, pelo agora namorado dele e ele tem medo de contar e perder a amizade dela. —mordi o lábio inferior, envergonhado.
Olhei para minha mãe e notei que ela continha um sorriso meigo nos lábios.
—Um conselho. —murmurou. — Esse seu ‘amigo’ deveria logo contar para essa ‘amiga’ dele o que aconteceu. — ela disse, olhando-me nos olhos e gesticulando enquanto falava; havia algo estranho em seu tom de voz, algo como gozação misturada à compreensão e seriedade, não sei bem. — Entende o que quero dizer? — ela continuou e eu assenti com a cabeça.
—Vai ser pior se ela descobrir por outra pessoa ou de outra forma, que não por mi...digo, pelo amigo dela. — murmurei pensativo e depois olhei para minha mãe, sorrindo abertamente. —Obrigado okaa-san. Muito obrigado. — levantei da mesa e segui em direção à saída da cozinha, mas a voz de minha mãe me fez parar bem no meio do percurso.
—Ah e Naruto. Quero conhece-lo logo hein? Ele tem que passar por minha aprovação e a de seu pai. — fiquei vermelho feito um pimentão. Mãe traíra! Ela sabia o tempo todo que era de mim que eu estava falando e me deixou pagar esse King Kong. Se bem que ela aceitou tudo muito melhor do que imaginei, achei que ela iria ter um colapso nervoso ao saber que sou gay. Eu é que não vou contestar isso.
Mas eu, perante esse furo, não tive mais nada a dizer além de um baixo e envergonhado:
—Ok!
XXX
—Então você pediu conselhos para sua mãe e agora ela quer me conhecer? — indagou Sasuke, em tom casual, mas eu consigo notar os cantos de sua boca tremulando. Ele estava tentando não sorrir de mim. — Como um pedido de conselho pode ter terminado em um convite para eu ir jantar na sua casa? — acrescentou, deixando escapar um sorriso torto.
—Me deixa, ok? Eu não tenho culpa. Minha mãe parece ler mentes. — resmunguei, fazendo biquinho. Biquinho este que ele fez questão de morder e puxar entre os dentes.
—Eu te conheço. —retomou, reprimindo o sorriso. —Você usou a teoria hipotética, não foi? — sorriu ainda mais.
Reprimi a vontade de estapear seu rosto irritantemente perfeito e que eu infelizmente adoro, e virei o rosto emburrado.
—Funcionava nos filmes, teme. — me defendi, fazendo pose birrenta. Entreguei-me completamente, com essa minha resposta brilhante.
—Nos filmes dobe. Não na vida real. — ele deu de ombros e tomou um gole de seu refrigerante. — Enfim, diga a sua mãe que será um prazer ir até a casa de vocês pedir a mão da mocinha dela oficialmente. — sabe, eu amo meu namorado, mas odeio quando ele me vem com essas ironias. Dá vontade de pegar todas elas e enfiar-lhe cada uma goela a baixo.
—Cala a boca, antes que eu leve você até lá, chutando sua bunda. — devolvi, mostrando o dedo do meio pra ele. Minha educação quando estou perto do Sasuke, liga o foda-se e vai embora.
—Estava brincando dobe. Mas quando ela quer fazer esse jantar? — indagou, agora abandonando o tom de brincadeira.
Encostei minha cabeça em seu ombro, sentindo certa sonolência e respondi:
—Depois que voltarmos do acampamento de férias.
—Tudo bem, então como seus pais já estão sabendo, acho que devo contar aos meus e então será sua vez de ir jantar lá em casa. — eu iria caçoar dele, assim como ele havia feito comigo, mas evitei meu comentário zombeteiro, ao ouvi-lo sussurrar baixinho um se meus pais também nos aceitarem.
Suspirei e apertei sua mão. Sei que ele não queria que eu ouvisse – ou então não teria sussurrado tão baixo, mas seja como for: Vamos continuar juntos, isso é certo.
Inclinei-me para beija-lo, mas me afastei rapidamente, ao ouvir a voz de Sakura próximo a nós - aproveitei para soltar nossas mãos também, ou ela estranharia. Mas como ela nos achou? Somente eu e Sasuke vamos ao terraço, ninguém mais.
—Vocês estão aqui! — ela exclamou, sorrindo contente. — Estava procurando por vocês. — acrescentou, sentando ao lado de Sasuke. Sei que não deveria sentir ciúmes, mas eu os sinto assim mesmo. Faz parte de mim, o que posso fazer?
—E por quê? Aconteceu algo? — indaguei, tentando soar cordial, mas estava um pouco difícil, afinal, ela – mesmo sem querer- atrapalhou nosso momento, um dos poucos que tínhamos a sós.
Ela piscou algumas vezes, parecendo estar um pouco confusa, acho que com minha forma de agir, não sei, mas acabou por sorrir e responder.
—Nada, é que vocês sumiram e passei esse tempo todo lhes procurando. — ela disse, dando de ombros. — E Naru, você tinha me prometido uma coisa, lembra? — indagou sugestiva.
Suspirei e olhei disfarçadamente para Sasuke, que parecia estar mais do que incomodado com a presença de Sakura. Sei que sentir pena dos outros é horrível, mas no momento eu realmente estou com pena dela, por ainda gostar dele. A situação em que estávamos era realmente difícil e eu mais uma vez não consigo evitar me sentir um crápula.
—Eu sei Sakura. — afirmei, afinal, era tudo o que poderia fazer agora. Ainda não havia me preparado para contar tudo a ela, por isso, teria que protelar mais um pouco. — Eu não esqueci ok? Prometo que farei o que me pediu. — reforcei e ela sorriu mais ainda.
Alguns minutos de silencio – um tanto quanto constrangedores para mim- haviam se passado, antes de Sakura recomeçar a falar.
—Então...estão animados para a viagem de amanhã? Eu passei a semana aprontando minha mala, minha barraca, e todas as outras coisas para o acampamento. — informou, revezando o olhar entre mim e Sasuke.
—Ah, eu também já estou com minha mala pronta, okaa-san me cobrou isso a semana inteira. — expus, lançando um olhar para Sasuke, que dera de ombros, sem falar nada. Não conseguiria nunca o fazer ser legal com Sakura, nem que fosse apenas um pouquinho, pois, por alguma razão, ele também sentia ciúmes de minha amizade com ela.
Depois disso, continuamos a conversar, embora eu percebesse que Sasuke ainda estava um pouco frustrado por Sakura ter nos atrapalhado. Não conseguia evitar sorrir de sua cara e ele apenas me mandava olhares enviesados; ele sabia que isso não me afetava, apenas me fazia rir mais ainda.
XXX
—Sasuke vem mesmo jantar aqui depois que voltarem do acampamento? — indagou minha mãe, enquanto eu terminava de tomar café da manhã – sorte que otou-san já havia saído, ou eu ficaria ainda mais envergonhado se ele estivesse aqui ouvindo nossa conversa; pelo menos eles estão aceitando bem meu namoro com o Sasuke. Meus pais são mais cuca fria do que imaginava.
—Sim. Ele vem. — confirmei sem muita vontade.
Depois que descobriu sobre meu namoro, minha mãe fez questão de saber todos os detalhes, até os sórdidos do tipo: vocês já dormiram juntos? Sim, ela não é nada discreta e é tão insistente quanto o capeta, pois aquela noite ela não me deixou dormir sem antes contar como tudo havia acontecido. Recebi um belo puxão de orelha quando lhe revelei como fora nossa primeira noite. Eu esperava o que, depois de lhe dizer que fiquei com Sasuke enquanto otou-san e ela estavam tendo seu decimo segundo sono no quarto em frente ao meu? Coisa bem pior, mas apenas um puxão de orelha estava mais do que bom. Pra mim pelo menos.
—Então está tudo bem. Só peço que tenham juízo nesse acampamento. — ditou séria. Ela pensa que vamos fazer o que? Sexo selvagem em cada canto da floresta? Se bem que isso não seria uma má ideia. Balancei a cabeça e tentei afastar aqueles pensamentos libidinosos da mente. Estava me tornando um tarado cara!
—Mãe! Pelo amor de Deus! Eu tenho juízo. — protestei indignado e ela apenas deu de ombros.
—Se tem, eu ainda não vi! —espremi os olhos em sua direção, antes de me levantar e depositar as louças do meu café na pia.
—Vou pegar minhas coisas e ir para a escola. — informei, saindo da cozinha e indo escovar meus dentes e pegar minha mochila, com tudo que eu precisaria para a viagem de acampamento da escola.
Tinha que me apressar, pois fiquei de me encontrar com Sasuke em frente à escola, para irmos juntos esperar o buzão. Ele já deve estar chegando lá há essa hora.
Pensei em pedir carona para minha mãe, mas fora de cogitação, se ela visse o Sasuke agora iria enchê-lo de perguntas na frente da escola mesmo. Então apenas me apressei com meus deveres e corri para fora de casa.
XXX
—Demorou hein? Se me fizesse esperar mais arrancaria sua cabeça. — exprimiu Sasuke, irritado. Eu apenas dei de ombros e o acompanhei para dentro da escola.
—Falta muito para ele sair? — indaguei, enquanto entravamos no ônibus – que felizmente já havia chegado-, mas Sasuke não disse nada, apenas deu de ombros como se dissesse ‘sei lá’ e se sentou no fundão. Sentei-me a seu lado e esperamos até dar a hora de saída. Aproveitei para por meus fones de ouvido e cochilar um pouco, apoiando minha cabeça no ombro de Sasuke, que observava o lado de fora do buzum de maneira entediada.
Acordei de supetão, ao sentir o ônibus tremular. Parece que ele havia acertado um buraco. Conclui desgostoso de ter acordado de meu soninho bom.
Retirei meus fones e me arrependi logo em seguida. Todos os alunos – ou pelo menos a maioria – estavam cantando dentro do ônibus. Bela ideia professora Kurenai, meus ouvidos agradecem.
Rolei os olhos e recoloquei meus fones de volta em meus ouvidos, mas senti um deles ser puxado com certa violência.
—Esqueci os meus, então vai ter que dividir os seus comigo. — ultimou Sasuke, enquanto punha meu fone em seu ouvido. Parecemos marido e mulher dividindo tudo, ou marido e marido, sei lá mais o que.
Dei de ombros e voltei a ouvir minhas musicas. Sorte que tínhamos os mesmos gostos musicais, assim ele não ficaria me enchendo o saco para ouvir outra, se bem que se os fones e o celular eram meus, então ele que ouça o que eu quiser. Tô certo!
O resto da viagem continuou uma tortura, parecia até que esse povo não se cansava de cantar; mas felizmente finalmente havíamos chegado ao maldito acampamento.
Olhei ao redor, assim que desci do buzão com Sasuke e murchei. Uma semana inteira no mato. Eu mereço. Eles não poderiam ter arranjado um lugar melhorzinho não? Fizeram aquela merda de baile mês passado – que eu nem fui, obrigado-, para arrecadar dinheiro para nossa viagem de férias e tudo o que ganhamos é mato? Que pelo menos tivessem nos levado a praia, mas não, acampar e conhecer a natureza é mais educativo. Educativo seria eu largadão em uma espreguiçadeira bebendo água de coco até enjoar, com Sasuke a meu lado. Ah sim, isso sim seriam férias.
—Bem crianças. —Kurenai, uma das professoras encarregadas de cuidar de nós, chamava nossa atenção. Ela ainda nos chama de crianças. Arg, crianças é minha.... — Quero que procurem um amigo e formem duplas, pois realizaremos diversas atividades recreativas durante nosso período aqui e quem conseguir vencer levará um belo prémio pra casa. — ela acrescentou alegrinha. Fala sério, voltar pra casa já seria meu prémio.
—Sasuke-kun. — Sakura o chamou, aparecendo bem do seu lado. Não a vi se aproximar. Eu hein, se esgueirando desse jeito até parece ninja. — Quer fazer dupla comigo?
—Desculpe, Naruto já havia me pedido. —mentiroso como ele. Só ele.
Sakura fez uma cara entristecida.
—Ah, tudo bem. —e saiu à procura de outro parceiro.
—Mentiroso! — provoquei-o. Não consegui evitar gente.
Ele sorriu e me olhou de lado.
—Quer que eu vá até ela e aceite então?
—Não mesmo. Você fica aqui. — sorri e procurei Sakura com os olhos. Ela estava ao lado de um garoto branquelo. Sai era o nome dele; o conhecia, pois estudávamos juntos há uns dois anos e por que ele tinha a mania de ficar me observando direto, principalmente quando Sasuke estava ao meu lado, mas nunca dei muita bola pra esse fato.
Enfim, parece que ele seria a dupla de Sakura. Mesmo Sai sendo um pouco estranho, me senti aliviado, pois pelo menos ela não ficaria sozinha.
Fiquei os observando por mais alguns segundos e devo dizer que algo muito estranho aconteceu. Sai sussurrou algo para Sakura e ela olhou diretamente para mim e Sasuke, com uma expressão que não identifiquei de inicio, parecia assombrada, espantada, não sei direito, mas logo ela tratou de abanar a cabeça e murmurar algo para ele, de maneira irritada; Sai apenas deu de ombros. O que será que ele disse a ela?
—Vamos, temos que descobrir qual é o nosso dormitório. — Sasuke me chamou e eu desviei meus olhos do casal a minha frente e o segui.
XXX
Esse lugar é entediante. Sério, sem tomada, sem sinal no celular, sem nada. Nadica. Me sinto na idade da pedra véi, pelo menos Sasuke está aqui, assim poderíamos até nos distrair juntos um pouco. Se é que me entendem.
—Aqui estão os dormitórios, a esquerda é o das meninas e a direita o dos meninos. — explicou Kakashi, outro dos professores responsáveis. Agradeci a todos os santos por saber que não teríamos que montar e nem dormir em barraca nenhuma.
—Vamos pro dormitório, assim escolhemos onde dormir. —chamou Sasuke, também morto de tédio.
No fim, quando chegamos até o local, todos os outros garotos já haviam escolhido seus lugares, ficando assim apenas eu e Sasuke, por escolher uma boa cama – que no caso seria beliche. Foi uma briga para nos decidirmos, pois eu queria ficar na cama de cima e Sasuke também. Sei que é besteira discutir por essas coisas, mas se não tivéssemos nossa pequena discussão do dia, quem seriamos nós? No fim eu acabei ganhado, claro, prometi um bônus pro Sasuke, quando chegássemos em casa. Tenho até medo do que ele vai pedir...se bem que posso até gostar.
Depois desse episodio, fomos passear um pouco para conhecer o local e para ouvir explicações chatas dos professores sobre a natureza, e a noite nós fizemos a idiotice de contar histórias de terror uns para os outros, em volta de uma fogueira – fiquei com medo, mas ninguém precisa saber disso certo? Acho que preferia que eles cantassem mais musicas de acampamento.
—Vai ficar ai a manhã toda? — ouvi Sasuke resmungar, de pé ao lado da cama, já na manhã seguinte e logo me lembrei do que os professores haviam dito na noite passada, que hoje iriamos realizar nossas primeiras atividades idiotas. Droga.
— Já vão servir o café, baka. — ouvi-o dizer, mal-humorado.
—Já vô teme, já vô. — retruquei, no mesmo tom. Ah, é o amor minha gente.
....
—Vocês estão animados? Ouvi dizer que a primeira prova que faremos é caça ao tesouro. — informou Sakura, sentada em nossa mesa, ao lado de Sai e mais alguns caras.
—Não tô nem ai, não faço a mínima questão de ganhar essa joça. —dei de ombros e Sakura fez careta. Eu não estava n nem ai mesmo, só queria arejar a cabeça e tentar aproveitar um pouco dessas férias.
—Nem você Sasuke-kun? — virou-se para ele.
Sasuke deu de ombros.
—Não.
Sorri um pouco dele.
—Sakura-san, claro que eles não querem, eles estão a fim de fazer é outra coisa juntos durante essas ferias. — ouvi Sai murmurar para Sakura. Foi baixo, mas eu consegui ouvir e mandei um olhar cúmplice para Sasuke.
—Não fale idiotices, baka. — deu um soco na barriga do mesmo. Pobre Sai, mas ele bem que mereceu.
Esse mané do Sai. O que ele sabe? Tomara que esteja apenas blefando ou algo assim. Mas se caso ele souber mesmo de algo, encho ele de porradas se ele contar pra Sakura-chan. Apenas eu tenho esse direito.
Olhei para Sasuke e ele apenas deu de ombros, como se dissesse para eu não me preocupar. Espero.
Depois do café nossos professores nos deram um tempinho para digerirmos a nossa refeição e relaxarmos um pouco antes de começarem a tal das atividades recreativas deles. Eu, lógico, sumi das vistas de todos e arrastei o Sasuke comigo. Uns bons amassos iriam me fazer bem. Ou melhor, nos fazer bem.
—Você está um pouco tenso. —Sasuke comentou, enquanto me prensava em uma árvore.
Eu fiz uma pequena careta.
—Aquele Sai, eu não sei, não gostei do que ele falou, parecia saber de algo. — suspirei. — Tenho receio dele contar algo para a Sakura, digo, se ele realmente souber de algo. Somente eu posso dizer a ela. — afirmei convicto.
—Já disse o que penso, deveria ter falado antes, assim ela entendia logo de uma vez. — ele disse e mesmo sem querer admitir, acho que Sasuke realmente tem razão. Sempre teve em relação a isso.
—Espera. Não quero pensar nisso agora, dá bug no meu cérebro. — brinquei e arranquei um sorriso dele.
—Claro, sua memoria é apenas de 1 Kb, não armazena muita informação. — dei um soco em sua cabeça e ele riu mais.
—Vai te catar teme! Vou calar sua boca. Com a minha. — mordi seu lábio, sem muita força, antes de ataca-los ferozmente. Nunca me canso de beijar Sasuke. O beijo dele me fazia ir ao céu e ao inferno de uma vez; era um turbilhão de sentimentos, sem contar que mesmo depois de nós declararmos e começarmos a namorar, ainda sinto aquela sensação de borboletas em meu estomago. Acho que nunca sentiria isso com outra pessoa além dele.
—Estão se divertindo? — eu ouvi uma voz familiar soar ao nosso lado. Era familiar demais. Não! Não pode ser!
—Sakura? — eu indaguei ao me separar do Sasuke, que pareia tão surpreso quanto eu.
Sakura estava ao nosso lado. Seus olhos? Estavam cheios de lágrimas e inundados de sentimentos também; era raiva, mágoa e decepção, decepção por me ver ao lado do cara que amava.
—Sabe por que a traição dói tanto Naruto? — ela começou a falar, com uma voz tão afiada quanto uma espada. — Porque ela nunca vem de nossos inimigos, mas sim das pessoas que mais amamos.
Eu olhei para Sasuke e depois para ela. O que fazer? O que dizer?
—Diga a verdade. — eu ouvi Sasuke sussurrar, enquanto se afastava um pouco de mim, ficando ao meu lado.
—Sakura. Não foi por querer, eu não queria mentir pra você....eu só queria poupa-la da decepção... — tentei me explicar, mas ela não deixou, apenas apertou os punhos e me deu um soco no rosto. Ela tentou fazer de novo, mas Sasuke segurou seu pulso e não deixou que continuasse.
—Não! Não vai mais tocar nele. — ouvi-o dizer, ainda segurando o pulso dela.
Ela o olhou com mágoa e ódio, ao mesmo tempo, mas soltou seu pulso de suas mãos e recuou um pouco, não sem antes me lançar um ultimo olhar de desprezo.
—Uma amizade é muito mais importante pra mim do que uma paixão Naruto. — ela retomou, me fazendo encarar seu rosto, envergonhadamente. Senti-me sujo, novamente. — Se tivesse me contado desde o principio e não tivesse me deixado continuar com meu papel de palhaça nessa história, eu teria entendido. — e girou os calcanhares, saindo do local.
Eu congelei no mesmo lugar, com a mão ainda no rosto dolorido. O que foi que eu fiz?
—Naruto? — senti Sasuke por a mão em meu ombro.
Olhei para seu rosto preocupado e apertei os olhos. Eu não iria chorar, eu não podia derramar essas lágrimas, não poderia, afinal, eu provoquei isso então, chorar não mudaria nada.
—Deveria ter te ouvido. — foi tudo o que consegui dizer, antes de abraçar Sasuke com todas as forças. Ele foi até meio que gentil, por não me jogar isso na cara.
Sasuke beijou meu pescoço, me causando arrepios pelo corpo inteiro.
—Melhor ficarmos um pouco por aqui. — eu concordei e nos sentamos embaixo da arvore em que estávamos apoiados antes, aos beijos.
O que viria agora?
XXX
Quando aceitei me relacionar com Sasuke tudo o que pensei foi em arranjar um jeito de contar para minha melhor amiga o que havia acontecido entre nós dois. Ela era uma grande garota, sempre foi, por isso não quis esconder isso dela e na primeira oportunidade que tive, busquei forças para lhe contar sobre meu namoro, mas não consegui dizer nada. Não depois de vê-la arrasada do jeito que estava. Ela gostava mesmo dele e eu estava prestes a piorar as coisas, contando a verdade, então fiz o que achei melhor na época, me calei e esperei para ver se com o tempo ela o esquecia, mas não, ela não conseguia esquecer-se dele e o pior, queria que eu tentasse a ajudar novamente. Mas como da primeira vez, sabia que não daria certo. Hoje me arrependo dessa escolha, vê-la lançar um olhar triste e decepcionado em minha direção me machuca demais. Eu, que só queria o bem dela, fui quem mais a machucou.
—Ela vai me perdoar algum dia? — indaguei a Sasuke, enquanto observava Sakura de longe, lendo um livro em baixo de uma arvore.
Fazia cerca de uma semana que havíamos voltado às aulas e durante o restante do acampamento e as outras duas semanas de férias que tivemos depois dele, Sakura não viera falar comigo.
As coisas estavam finalmente se acertando para Sasuke e eu – ele havia conhecido meus pais, passado pela aprovação dos dois, certo que meu pai foi beeem mais turrão que minha mãe, mas aceitou nosso namoro no fim das contas e a família de Sasuke, bem, apenas a mãe e o irmão dele estavam sabendo da novidade e embora não tenham sido tão receptivos com a notícia quanto meus pais, ainda assim nos apoiaram e ainda prometeram que nos ajudariam na hora de contar para meu sogrão Fugaku.
Como podem ver, estava quase tudo perfeito. Quase, pois se não fosse por Sakura e nossa amizade praticamente perdida, estaria completamente perfeito.
Ouço Sasuke suspirar e quando olho para ele, o vejo sorrindo discretamente.
—Ela é sua melhor amiga não é? Então vai sim. — isso se ela realmente ainda for minha amiga.
XXX
Era hora do intervalo e cá estou eu, no terraço, esperando aquele filho de uma égua do Sasuke, que parecia querer arrancar o pobre resto de paciência que me restava hoje. Será que não basta toda a tensão (para não dizer coisa pior) que esta havendo entre mim e Sakura? Ele ainda ia fazer isso comigo?
—Naruto. — ouço a voz da pessoa que menos esperava que viesse falar comigo, soar próxima a mim.
Sakura. Ela estava em pé, parada bem a meu lado, com um sorriso vacilante e envergonhado nos lábios.
Eu tento falar algo, mas estava tenso demais. O que ela queria? Brigar? Não. Não é isso.
—Eu quero falar com você. — assenti com a cabeça e ela se sentou a meu lado.
—Sakura, olha eu sei que te magoei com o lance do meu namoro com o... — eu tento me explicar, mas ela sorri e levanta a mão, pedindo para eu parar de falar.
—Naru... — ela começou, chamando-me pelo apelido, o que me surpreendeu um pouco. — Eu venho observando vocês. — desfechou e eu arqueei uma sobrancelha, confuso. Como assim nos observava? — Eu me senti mal por ter brigado com você sem ter te dado à chance de se explicar. Você sempre foi meu melhor amigo e sempre me ajudou em tudo, então merecia o beneficio da duvida, mas aquilo foi demais pra mim. — eu senti um impulso de abraça-la, mas me contive, pois ainda não sabia onde tudo ia terminar.
—Sakura, você me conhece desde que nos conhecemos por gente, crescemos juntos e acredite, eu nunca te magoaria de proposito. — eu olhei pra ela hesitante. — Sabe que nunca me senti inclinado a gostar de outros caras, contava pra você sobre minhas namoradas e tudo, mas eu realmente gosto do Sasuke, estou apaixonado por ele e ele por mim. — ela abaixou a cabeça e assentiu levemente. — Eu, no inicio realmente quis te ajudar e quando notei a dimensão do sentimento que estava desenvolvendo por ele, quis me afastar, pois além de estar assustado ainda tinha você na história.
—Ele me disse. — ela murmurou, sorrindo pequeno. Então Sasuke estava era falando com ela? Ah, teme! Sorri e a ouvi continuar. — Ele me disse que desde o começo gostou de você. Eu nunca tive chance Naru, agora eu sei, principalmente depois de observar vocês durante esse tempo. — ela me empurrou com o ombro. — Vi o quanto estava triste e como ele te tratava. E sabe de uma coisa, eu ainda gosto muito do Sasuke— admitiu tristemente. —, mas se for para ele ficar com alguém, que seja com você, pois sei que não há ninguém melhor para ele. — agora foi minha vez de sorrir. Ela realmente era uma amiga incrível.
—Eu gosto muito dele Sakura e se não te contei antes foi porque fiquei com medo de te magoar ainda mais. Achei que deveria esperar o tempo certo. — murmurei, apoiando minha cabeça na dela.
—Eu sei cabeção e para não ser uma péssima amiga, eu felicito vocês dois. — a senti sorrir ao meu lado. — Você Naruto. Sua amizade vale mais do que qualquer outra coisa pra mim. Desculpa ter agido daquele jeito com você no acampamento e durante nossas ferias.
—Desculpa não ter contado a verdade. — murmurei de volta, fechando os olhos e alargando meu sorriso. — Acho que no fim, Sasuke realmente tinha razão, a verdade é bem melhor. —levantei minha cabeça e olhei para ela, ates de acrescentar. —Mas não diga para ele que admiti isso.
Vejo-a dar uma alta gargalhada, ao mesmo tempo em que ouvia a conhecida gargalhada de outra pessoa, soar mais ao longe. Ah droga.
—Desculpe Naru, mas ele está bem ali, alias, esteve nos ouvindo o tempo todo. — apontou rindo, junto de Sasuke.
É, esses dois ainda vão me causar problemas, mas pelo menos agora posso dizer:
Minha vida está completa.
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Nosso Segredinho!
FanfictionUm mês havia se passado desde que Naruto e Sasuke iniciaram uma namoro. Porém ele entra em um dilema quando percebe que deve contar aos pais sobre a relação com Sasuke, e o pior: Como contaria a sua amiga, Sakura, que estava junto do garoto que ela...
