Acabei de chegar em casa, com cabelos molhados pelos pingos de chuva ainda fracos. Cansada, deitada na cama. Realmente não era um momento adequado para lembrar do passado. Em como você me fazia bem durante as noites chuvosas, me abraçava e conversava sobre como o ser humano é irracional e incapaz de amar, você sempre tinha uma crítica nova. E assim conversávamos todas as noites chuvosas, eu sempre me perguntei: por quê sempre nas noites chuvosas?
Me encorajava para andar até a cozinha e comer algo, brincava comigo "vamos 1 2 3 agora soldado" e me fazia rir nos momentos mais difíceis. Você, de fato, não era irônico ou ignorante, mas quando queria, saía extremamente do normal. Entretanto, era raro te ver assim, principalmente nas noites chuvosas.
Lembro-me de como gostava de escrever poesias em frente a janela, olhando os pingos de chuva caírem enquanto eu arrumava o quarto - tomando cuidado para não te desconcertar, e mesmo assim você pedia para fazer barulho - aliás, uma das minhas perguntas favoritas era "eu posso ouvir a sua voz?". Mesmo sonolenta, com a voz rouca, você queria ouvi-la porque precisava de "inspiração" para escrever - nunca entendi o porque de usar a minha voz como inspiração -.
Quando você terminava, íamos dormir sob a luz do luar, desligava as luzes do quarto e dormimos abraçados olhando a lua da janela até pegar no sono. Você acariciava os meus cabelos e eu acariciava as suas mãos.
Eu nunca me esqueci destas noites preciosas, e nunca irei esquecer.
Notas da autora:
Ainda sou nova nesse mundo, me perdoe-me por qualquer erro. Não escrevo muito bem, mas ainda estou treinando. Beijos ^^
