Gêmea

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A lua estava cheia, as estrelas pareciam não ter mais brilho e a chuva intensa lá fora deixava uma leve névoa pelas ruas vazias. Minha voz vacilante se misturava com os barulhos de pedido de socorro e os sons de sirene.

-Liz.... Acorda. Por favor, Liz.... Acorda. - Pedi balançando-a de leve enquanto a via ficar cada vez mais branca e tossir sangue com mais força.

Os olhos estavam entre abertos tentando me olhar; a mão esquerda estava acariciando meu rosto; enquanto eu tentava parar o sangramento com minhas mãos e, mesmo que eu tentasse conter, não parava.

Um trovão foi ouvido ao fundo.

- Hey, eu... preciso... que você continue... Sendo a Milla da Liz. - Ela me fala pausadamente, como se estivesse doendo ao respirar.

- Moça... - olhei para trás, vendo o senhor que trabalhava na lanchonete 24 horas que estávamos comprando o marshmallow, doce preferido dela. - Moça, o que houve? Está tudo bem?

- Por favor! Me ajude, ela está morrendo. Por favor! - Implorei.

Estiquei minha mão na direção do senhor, que não se moveu. Gritei novamente, mas logo percebi que não tinha voz saindo de minha garganta. O senhor começou a agachar, porém, antes que eu pudesse comemorar, ele me apontou uma pistola e riu com uma risada esganiçada.

Berrei.

Sentei assustada na cama. Olhei ao redor do meu dormitório e suspirei, tentando controlar minha respiração. Minha mão segurou meu peito, logo sentindo meu coração acelerado, como se tivesse tentando segurá-lo.

Foi só mais um pesadelo diário, pensei.

Passei a mão pelo rosto, bufando e enxugando o suor. Meu olhar caiu sobre o relógio em forma de uma clave de sol e logo percebi que ainda eram 5:30. Logo olhei para cama ao lado, desejando que aqueles cabelos negros ainda estivessem espalhados pelo travesseiro e os olhos verdes me encarando com um sorriso tímido que só ela sabia me dar. Já faziam seis meses do acontecido e dificilmente eu conseguia dormir além desse horário. Eu estava mais que adiantada.

Levantei da cama e caminhei vagarosamente para o banheiro, onde lavei meu rosto. Encarei-me no espelho e vi meu rosto destruído, no sentindo literal da palavra. Revirei os olhos e logo me despi, entrando no box para tomar banho. Não estava afim de ir para a aula de administração hoje, aliás, não estava afim de fazer nada hoje. Tudo bem, eu não tinha mais vontade de fazer nada, nem hoje e nem nunca mais. Era pedir demais ficar deitada na cama o resto da minha vida?

Senti a água correr por todo o meu corpo e nem sequer me movi. Eu podia a sentir passear livremente pelo corpo, eu não queria atrapalhar seu trabalho. Encostei minha cabeça na parede, senti o bolo na garganta aumentar, antes de minhas lágrimas se misturarem com as gotículas de água quente do chuveiro.

O que diabos eu estou fazendo da minha vida?

Seis meses se passaram, desde que Annalise, minha Liz, morreu em um assalto; ela foi me defender de um dos bandidos e acabou levando um tiro de uma pistola. Liz era... era minha amiga, era meu anjo... Annalise Jauregui era meu sonho. Mas ela me deixou antes do nosso felizes para sempre.

O que resta de mim? Nada. Ela se foi, meu anjo se foi, minha amiga, meu sonho... se foi. Então por que eu ainda estou aqui? Não acredito que consegui me manter viva por tanto tempo, posso dizer que isso é culpa de papai. Ele que me mantem viva, mas me pergunto por que. Se ele me amasse, ele deveria me deixar ir vê-la.

Então por que não?

Saí do banho e pus o roupão, secando com uma toalha meus cabelos que estavam grandes como ela gostava. Joguei a toalha em qualquer lugar e me encarei novamente no espelho. Não poderia deixar à mostra as profundas olheiras. Peguei logo o corretivo e passei, espalhando logo em seguida.

A Gêmea da Minha NamoradaStories to obsess over. Discover now