Capítulo 1 - Egoísmo...?

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          - Aguenta firme filha, você fez uma boa escolha, você só está passando por dificuldades, mas vai dar tudo certo no fim e em breve você será uma ótima médica!

          Eu sempre concordei e respeitei muito a opinião dos meus pais, mas eu não suporto mais a faculdade. Ouço essa frase desde as primeiras semanas de curso, e me arrependo da minha escolha desde as primeiras aulas. Já aguento isso a quase dois anos, acho que estou chegando do meu limite.

         Meus pais sempre me guiaram para o melhor caminho, então quando tive dúvida do que cursar e eles me disseram que sonhavam em ter uma filha médica, eu acabei aceitando. Conforme fui pesquisando sobre, fui percebendo que não era muito o que eu gostaria de fazer, mas meus pais já estavam tão felizes com a notícia que o sonho deles seria realizado que eu não tive coragem de desaponta-los. Isso com certeza foi um erro.

         Eu não me sinto mais feliz, não tenho mais vontade de fazer até mesmo as coisas que me alegravam antes. Isso está fazendo mal para mim, mas não sei o que fazer. Não quero que meus pais fiquem chateados, mas não posso viver uma vida infeliz só para que a idealização deles de realize. Será que eu estou sendo egoísta?

         Percebi que conversar com meus pais não ia me ajudar, e como sou bem reservada e, por isso, até mesmo um pouco intimidadora, sendo séria demais, não fiz nenhuma amizade na faculdade que eu tenha intimidade o suficiente para desabafar sobre meus sentimentos. Então, decidi pedir ajuda para alguém que há muito tempo eu não conversava: meu tio. Ele havia se mudado da cidadezinha em que nós moramos e foi arriscar a vida em Seoul, contrariando toda a família. Ele ainda mantém um relacionamento tranquilo com a família, então acho que ele pode me aconselhar sobre isso.

"Oi tio, tudo bem? Faz tempo que nós

não nos falamos.

Eu sei que o senhor deve estar ocupado, mas se você

tiver um tempo livre eu gostaria de pedir

sua ajuda. Apenas um conselho."

          Demorei para tomar coragem de enviar. Quando eu era pequena ele sempre brincava comigo, me trazia presentes, me ensinava coisas novas. Ele sempre foi meu parente preferido. Mas agora ele era ocupado, tinha um trabalho importante, não sei se teria tempo para lidar com minhas crises emocionais. Depois de refletir um pouco, enviei a mensagem. Afinal, o máximo que pode acontecer é ele não poder responder.

         Quando a noite caiu, ouvi meu celular vibrar em cima da mesa e meu coração acelerou um pouco.

"Oi RinRin! Tudo ótimo!

E você, como vai minha sobrinha preferida?

Desculpa, você já é uma moça, deve odiar

que eu te chame desse jeito. Preciso entender

que o tempo passou.

Enfim, do que você precisa Hyerin?"

"Não se preocupe tio, nunca me incomodei

com esse apelido.

O senhor está muito ocupado?

Não é algo tão importante..."

"Pode falar sem problemas

Já estou em casa"

Neblina?Where stories live. Discover now