Prólogo

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- Calma filha, não faça isso. Queremos o seu bem.

- Nããão! Nããão! Eu quero ver todos vocês morrerem.

Peguei um pedaço de pau que estava caído ali na rua ao lado do meio fio. Acertei com toda a força que continha em meu braço direto na cabeça do meu pai, acertando em sua testa, causando um enorme corte que começava entre seus olhos, seguindo até a calvície central de sua cabeça. O velhote já era uma pessoa de idade, quase não tinha cabelos.

- Você está louca! – Gritou um dos meus vizinhos ao me agarrar e me puxar para longe do coitado.

Não preciso que vocês pensem que sou louca, já basta todas as pessoas da minha vida pensarem isso, leiam a história antes, depois vocês podem tirar suas conclusões.

Acordei subitamente daquilo que parecia ser um mundo estranho que aprisionava meu espirito. Olhando para a pessoa que mais se sacrificou por mim, vendo ele caído no chão, sangrando sem parar. Recuperei minha consciência. Tudo o que eu queria era correr para abraça-lo, pedir-lhe perdão, poder cuidar da ferida que eu mesma havia causado, mas isso era impossível. Todos pensavam que eu realmente era louca.

- Minha filha o que você fez? Para que fazer uma coisa dessas com seu pai? – Essa era a voz da minha mãe que saia aos prantos em sua face delicada e de um semblante decepcionante, olhando a barbaridade que eu havia acabado de cometer contra a pessoa que mais me amou.

- Calma Ivone, vou leva-lo ao hospital, minha filha já foi buscar meu carro. – Pedro era um ótimo vizinho, sempre prestativo, uma pessoa de bom caráter.

Nesse exato momento, todo escarcéu estava formado, a maioria da vizinhança já estava toda na rua, cochichando, me chamando de louca. Que eu deveria ser internada. Eram feitas afirmações e acusações sobre o meu desequilíbrio mental. Presos em seus míseros mundos, sem informações reais do que acontecia comigo, julgavam apenas pelo pouco que sabiam. O fato é que não sabiam de muita coisa.

Essa não seria a primeira vez que eu seria enviada ao manicômio da cidade vizinha, estive lá outras vezes. Agora restava apenas esperar a ambulância chegar enquanto Pedro continuava me segurando com força para que eu não pudesse fazer mais nenhuma besteira contra ninguém.

- Como você pôde fazer isso com seu pai, uma pessoa que se sacrificou a vida inteira por você. – Ele não mexia seus lábios, mas eu podia ouvir seus pensamentos, será que eu estava mesmo ficando louca? Ele me olhava com desprezo. Depois de meia hora a ambulância chegou, eu já não tinha mais forças em meu corpo, por isso, nem lutei quando eles me prenderam apertadamente naquela camisa de força horrível e sufocante, me levando novamente para o hospital psiquiátrico Alencar.

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