Eu tenho um ponto fraco.
Uma pequena observação que me pode desarmar em pouco tempo. E essa observação tem olhos âmbar reluzentes e cabelos escuros que sempre estão arrepiados.
Dylan O'Brien é uma maldição, e não num bom sentido, apesar de já o ter sido um dia há tempos.
Mas Dylan O'Brien não é o problema. Eu sou, o que eu sinto é.
Os relatos sobre amor que leio nos livros de minha mãe nunca fizeram tanto sentido quanto esse ano. As borboletas inquietas, não são nada comparadas às ondas que agitam o meu estômago quando sinto seus olhos queimando as minhas costas, como se tivesse a visão a laser do Super-Homem.
Os arrepios são inigualáveis aos tremores que se apoderaram de minhas mãos quando ouço sua voz profunda que mesmo sem ele querer, revela o sofrimento que já passou.
Mas estar apaixonada por Dylan não me faz sentir a felicidade, sentimento tão almejado pelos personagens enamorados sobre os quais leio.
Eu sinto um vazio dentro de mim, um desespero mórbido de quem está morto por dentro.
Mórbido como um funeral numa chuvosa tarde de segunda-feira.
Eu já fui dele, ele já foi meu.
No fundo, eu penso que sempre fomos um do outro, antes. Eu sei que Dylan me amava tanto quanto eu a ele, mas amor e paixão não são o suficiente.
Não se faz um bolo com farinha e açúcar... No entanto 2017 começara tão bem, com festas, amigos e curtições pela noite afora com Dylan, que não tinha a certeza de que as coisas ocorreriam tão bem quanto estavam no momento, estava completamente certa.
Agora perto do Natal, eu não tenho nada.
E para meu descontentamento, Dylan não é o único motivo, pois há muito mais. Ainda tenho várias camadas por retirar até eu descobrir o motivo que levou todos aquele em quem confiava a apunhalarem as minhas costas acertando o coração.
O órgão pulsante que contra a minha vontade ainda bate desesperado pelo amor daquelas pessoas. Pela aprovação dessas pessoas.
Mas eu estou bem.
Com minhas músicas e pensamentos fechados, sozinha, almoçando numa cabine do banheiro.
Eu estou bem.
Correndo pelos corredores de cabeça baixa tentando não esbarrar com algum dos meus antigos amigos, apesar de saber que os cabelos ruivos ainda se destacam.
Eu tento estar bem, com todas as minhas forças eu tento. Tento tanto que chega a cansar forçar sorrisos para a minha família todos os dias e passar as restantes horas, trancada no quarto às escuras porque já nem tenho paciência ou disposição para ligar a televisão e ver Netflix.
Eu não sou depressiva.
Só prefiro pensar no que fiz de mal, qual foi o meu erro. O que os levou a fazer aquilo. Se eu tivesse feito diferente será que estaríamos noutra situação agora mesmo?
Será que eu estaria deitada nessa mesma cama conversando com a Crystal enquanto ela me falava do Tyler?
Será que eu estaria na casa do Dylan aos amassos no quarto, porque aos sábados a família dele vai lá almoçar?
Será que estaria aprendendo a cozinhar um cervo com Shelley?
Ou será que estaria com Hoechlin e Posey passeando pelo praia abraçada com os dois enquanto faziam piadas com a minha altura?
Eu não sei onde estaria agora.
Mas sei que essas eram coisas normais no nosso quotidiano como um grande grupo de melhores amigos.
Agora? Não mais.
Quer dizer, talvez seja para eles.
Já as minhas atividades ao dia são observar Amber substituir o meu lugar no pack e olhar para a parede pertencente ao meu quarto.
YOU ARE READING
Winter
FanfictionDylan O'Brien tem 3 semanas, 21 dias para reconquistar Holland Roden a sua ex-namorada. O acampamento de Inverno é a chance perfeita, não?
