Tudo estava incrivelmente gelado, era como receber um beijo da própria morte. Sentia como se estivesse flutuando e não tinha domínio nenhum sobre meu corpo, mas então em um piscar de olhos estava no que parecia ser uma sala, sendo jogada em outra realidade, bem diferente da imensa escuridão que à segundos me rodeava.
A sala era branca e não havia nada, nem se quer janelas. Uma sensação de claustrofobia me atingiu, meu corpo fraquejou. O desespero em forma de grito estava entalado em minha garganta, ardendo e implorando para sair, mas nada aconteceu.
Olhei desesperadamente cada centímetro da sala em busca de uma saída, mas não encontrei. Não havia nada ali, meu corpo cedeu finalmente se rendendo ao medo que arrepiava todo o meu ser.
Fiquei uns minutos de cabeça baixa e me convencendo que era meu fim quando finalmente pude ouvir algo, era como um choro abafado, corri os olhos pela sala me deparando com uma pequena figura deitada no chão.
Me aproximei lentamente sentindo minha respiração acelerar, não sabia bem o que fazer mas precisava ver se a pequena estava bem.
- Hey. - Lhe disse com uma voz falhada
Então ela me olhou e por impulso prendi no mesmo instante a respiração. Seus olhos ainda marejados se fixaram em mim causando-me pequenos choques por todo o corpo. Era como se eu reconhecesse aquele olhar. Ela nada falou apenas ficou me encarando pelo que pareciam ser longos minutos.
Até que algo me chamou, uma voz suave e fraca. Quase inexistente, me virei para olhar em volta mas novamente me deparei com a imensidão branca. A pequena, num ato desesperado agarrou o meu braço fazendo-me voltar a atenção a ela.
- Não vá. - Disse quase que como um sussurro, se ela não tivesse me puxado tanto a ponto de estar muito próxima a ela provavelmente eu não a escutaria.
Eu ia dizer que ficaria ali, mas a voz me chamando parecia ainda mais forte a cada segundo, me virei para a garota que estava a minha frente e a vi sumir gradativamente, num impulso tentei alcança-la, mas já era tarde demais, uma batida forte me assustou fazendo-me assim, despertar.
- Lauren, filha acorda. - Minha mãe disse parecendo estar impaciente do outro lado da porta, sabia que se eu não atendesse logo, ela acharia um jeito de entrar no quarto. Nem que para isso precisasse escalar a janela pelo lado de fora da casa.
- Bom dia para você também mãe. - Disse sentindo o meu mau humor matinal triplicar
-Bom dia? Já é quase boa noite Michelle. Se arrume, eu e o seu pai sairemos logo e não quero deixar a casa aos cuidados do seu irmão.
-Ok. Levantei da cama bufando, sabia que Chris que não era a pessoa mais indicada para tomar conta de uma casa, ele tinha a idade mental de uma criança de 5 anos apesar de ser mais velho.
Corri para o banheiro afim de pelo menos lavar o rosto e escovar os dentes enquanto minha mãe batia o pé na soleira da porta impaciente.
- Mãe, eu já estou descendo, pode ir. - Disse gritando para que ela me ouvisse
- Tá, mas não demora. - Ela disse batendo a porta do quarto
Tentei melhorar minha aparência o máximo que podia mas parecia que não tinha conseguido dormir à noite inteira. Talvez fosse aquele sonho estranho que não saia da minha cabeça, ou melhor, aquela garota que não saia da minha cabeça.
Fiquei encarando o espelho pensando no que tinha sonhado até levar um susto com meu irmão encostado na soleira da porta. Ele tinha os cabelos bagunçado como se também tivesse acabado de acordar, mas estava bem vestido o que me fez pensar ser proposital.
- Porra Chris, vê se bate na porta pelo menos. - Disse com a mão em cima do meu peito
- A porta estava aberta, queria que eu batesse aonde? Na sua cabeça?? - Ele disse com um sorriso divertido nos lábios. O que me fez sorrir, ele sempre conseguia isso. Até nos meus piores dias e olha que eu já tive muitos
- Idiota. - Saí do banheiro revirando os olhos e dando - lhe um pequeno empurrão.
- Laur, eu tenho que sair hoje à noite e preciso que me dê cobertura. - Disse andando apressado para ficar a minha frente antes que eu passasse pela porta.
- Você tá pedindo para que eu minta pros nossos pais apenas para você ver a sua namorada? - Eu disse bufando
- Sim, você sabe que eles não gostam que eu saia a noite de carro mas eu to com saudades dela. Vamos Laur, me ajuda. - Ele disse suplicante
Ri do seu desespero, sempre dava cobertura a ele nesses casos e até mesmo antes de namorar.
Fiz um cara desinteressada apenas para vê-lo suplicar mais.
- Por favor maninha!! - Ele disse quase se ajoelhando
- Ok. Mas vê se volta antes de nossos pais chegarem, eles vão me dar uma bronca por deixar você sair.
- Eu já disse que você é a melhor irmã do mundo? - Ele disse me agarrando pela cintura e enchendo o meu rosto de beijos.
- Eu sou mesmo, mas não me importo de ouvir mais vezes. - Eu falei rindo das cócegas que agora ele me fazia.
Descemos as escadas e fomos até a cozinha, papai estava sentado e batendo os dedos no balcão, parecia estar impaciente por nossa demora.
- Finalmente, como vocês sabem a mãe de vocês e eu vamos comemorar nosso aniversário de casamento, então voltaremos de manhã e eu não quero bagunça crianças. - Papai disse olhando especificamente para Chris que bufou.
- Escutou né criança? - Eu disse rindo por perceber que ele havia ficado puto por papai se referir apenas a ele.
Chris me encarou como se pudesse me fuzilar com os olhos, nos despedimos de nossos pais e ele não demorou nem uma hora para me avisar que já estava saindo.
- Laur, to indo. Toma conta das coisas aí e se eles ligarem fala que eu, sei lá, estou no banheiro. - Disse se levantando do sofá.
O acompanhei até a porta e me despedi, mas antes que ele pudesse sair fui atingida por uma sensação de claustrofobia novamente, minha vista escureceu, mas eu sabia que não havia desmaiado, ainda sentia o chão sob meus pés.
Me encontrava agora no carro de Chris, mas como isso era possível? Nós estávamos nesse exato momento nos despedindo.
- Chris, por que estamos indo para a casa da sua namorada? Achei que fosse sozinho, eu queria ficar em casa. - Falei tentando chamar sua atenção, mas era completamente ignorada.
Toquei em seu braço, mas ele parecia nem ter sentido nada, tentei chama-lo, mas nada aconteceu.
- Ah que legal, vai me ignorar agora? Sério? O que eu fiz? - Tentava a todo custo chamar sua atenção, mas o mesmo parecia irredutível, eu realmente não lembrava de ter feito algo.
Desisti de tentar chamar a atenção daquela criança birrenta, ao menos chegaríamos logo a casa da Amber.
O carro desacelerou de repente e eu tentei ver o que tinha acontecido, mas a nossa frente havia um caminhão com milhares de vigas de ferro, o que atrapalhava um pouco a visão do transito infernal.
O caminhão começou a tomar uma certa velocidade o que me fez suspirar aliviada, meu irmão acelerou o carro afim de não atrapalhar o transito mas freou bruscamente pois o caminhão a frente fez o mesmo, o ato brusco e extremamente inesperado fez com que algumas vigas se soltassem acertando assim o vidro do nosso carro.
Tudo foi rápido demais, as vigas acertaram o banco onde eu estava, mas não pareciam ter me afetado, olhei assustada para o banco do motorista e vi Chris com uma viga enorme em seu peito.
Eu gritei por ele, gritei pedindo socorro mas parecia que ninguém podia me ouvir.
YOU ARE READING
Destiny
FanfictionLauren não é uma garota comum, suas visões são seu dom e sua maldição. Poderia ela ter uma vida normal depois de tudo que já aconteceu? Seria Camila sua salvação ou sua ruína? Uma coisa é certa: Não se pode lutar contra o destino.
