Quando Nato chegou a sua casa com Marcela naquela noite chuvosa de outubro, uma viatura estava estacionada em sua porta chamando a atenção, as pessoas lotaram a rua de forma que parecia que algum tipo de show ia acontecer, todo mundo querendo saber do que se tratavam aqueles visitantes.
Abriu o portão automático, jogou o carro para a calçada oposta, enquanto dava ré um policial que segurava uma prancheta perguntou:
_ Sr Renato Monorato?
_ Sim.
Ele esperou Nato guardar o carro para dizer:
_ Boa noite Sr. Monorato, eu sou o tenente Fábio,_ disse na minha janela _ fui solicitado a acompanhá-lo a vigésima oitava DP para que possamos ouvir seu depoimento, referente o recente desaparecimento da sua ex namorada senhorita Pri..._ abaixou a cabeça para olhar o papel na prancheta.
_ Pricila Martinez_ Nato disse, ela desapareceu?
_ Sim, a quarenta dias. E só uma pergunta antes de acompanhá-lo, por qual motivo não entrou em contato, nem foi até a delegacia Senhor? Porque sempre mandamos cartas de intimação para que comparecesse, acabou ignorando todos os pedidos Senhor hoje senhor quer ir na viatura ou em seu carro particular?_ olhava fixamente como se tentasse intimidar ou perceber alguma alteração de humor em seu rosto.
_ Bom, eu não recebi carta alguma tenente, pois se houvesse eu teria comparecido bem antes, não devo nada a policia, tenho minha consciência limpa, irei na minha moto_ apontando para a moto coberta_ ,mas em que poderia ajudar? Terminamos a dois anos._ Nato para sua esposa no banco do passageiro, ela o olhava com cara de "o que está acontecendo amor?
_ O senhor receberá mais detalhes na delegacia._ E começou a caminhar para fora.
_ Também não entendi o que está acontecendo amor, mas não deve ser nada, eu não fiz nada com ela, acho que deve ser apenas para saber se eu conheço alguém que a queria mau ou algo assim.
_ Espero,_ ela o abraçou_,mas vai de carro nessa chuva é perigoso ficar circulando de moto, ainda de noite e na chuva, você pode cair e acab..._ a mão dele a tocou nos lábios, e a beijou antes que ela dissesse.
_ Se acalme, esta tudo bem, Vou de carro!_ Marcela olhou aliviada.
_ Tenente! Eu vou de carro mesmo._ ele assistiu com a cabeça.
_ Você faz o jantar se quiser.
_ Nem ferrando! Eu não vou conseguir comer com você na delegacia, vou esperar você chegar!
_ Ok minha pequena,_ deu-lhe um beijo na testa_ está tudo bem.
_ Espero... Eu te amo meu amor.
Nato sorriu sutilmente.
_ Também te amo.
Ela ficou apreensiva na lateral da garagem enquanto tirava novamente o carro, e ficou ali até que ele virasse a esquina.
No trajeto, ele começou a tentar se recordar de "Pricila", tentando poupar tempo, para que quando chegasse não ficasse se enrolando.
"Eu a conheci em março de 2010.
A primeira vez que a vi, eu estava voltando pra casa depois da igreja enquanto descia a rua, passei pela frente casa de um amigo e ela estava saindo, achei a coisa mais linda que já havia visto sorriso lindo, cabelo curto e loiro, e ria muito com uma amiga igualmente linda porem mais alta, na hora estava de shorts que valorizava suas pernas, uma camisa branca e um arquinho na cabeça. Ela não me viu, mas eu tinha visto ela e disse a mim mesmo "por que Deus não me dá uma mulher dessas" hoje eu sei responder por que não... (uma lagrima correu pelo seu rosto)
Uma semana depois fui falar com o amigo que morava na casa da qual ela saiu, "reconhecer o terreno", não sabia se ela tinha namorado ou sei lá.
Ele me disse que ela tinha terminado recentemente com um cara chamado Thiago alguma coisa, e que ela estava sofrendo pelo que estava acontecendo, e que não era para magoá-la, eu disse que nunca faria isso, então ele me passou o "Orkut" dela, sim naquela época ainda usávamos Orkut, ainda lembro que abria o facebook e o Orkut junto, no mesmo navegador.
Então a adicionei... E assim tudo começou.
As ondas do pensamento dele sobre ela doíam à medida de cada segundo que passaram juntos, era como se a cada ato voltasse para assombrá-lo, pensar em tais coisas como; como se conheceram, por ter sido algo mágico doía pelo fim ter chegado.
Chegaram à delegacia.
Renato mandou um sms para Marcela avisando que havia chegado bem, ela ficaria preocupada se não o fizesse.
"Ok volte logo, t amo"
Mesmo dolorido, conseguiu olhar para o celular e sorrir, ver a foto dele e de marcela de papel de parede o fez esquecer a dor por algum tempo. Não conseguia imaginar ela morta ou algo assim, era o tipo de coisa que queria afastar de sua mente.
O mesmo tenente Fábio o aguardava na entrada:
_ Por aqui senhor Renato._ o seguiu pela recepção.
Encostou-se ao balcão e falou com a atendente que era uma moça bonita, ruiva, ele avisou:
_ Oi amor você pode avisar Larissa que Renato Monorato esta aqui?
_ Claro._ ela assistiu.
Ele seguiu o tenente pelo corredor até entrar em uma sala que tinha um vidro espelhado, uma mesa e uma cadeira.
_ Sente-se ali, por favor._ Assim Nato o fez.
Fábio fechou a porta, sozinho começou a pensar em Marcela, em como era perfeito o jeito como ela cuidava dele, em coisas belas que haviam passado juntos esses um ano e cinco meses que ficaram juntos na mesma casa, em como ela fazia carinho em sua barba na cama, pensava esse tipo de coisa pois sabia que ele ia ter que se lembrar das coisas boas e ruins que passou com a Pricila.
Fábio voltou a sala com uma mulher e uma pasta de arquivos.
_ Senhor Renato essa é a agente Larissa e vai conversar conosco, tudo bem?
_ Sim.
_ Boa noite senhor Renato._ ela estendeu a mão.
_ Boa noite senhora Larissa._ apertei a mão.
Ela era baixa, tinha algo entre um metro e sessenta de altura, mas ainda assim corpulenta, tinha cabelos pretos e longos presos em um rabo-de-cavalo, em sua bochecha havia uma cicatriz em forma se foice sentido a orelha que tinha um pedacinho faltando, se sentou a frente de Nato, e colocou um gravador e começou:
_ Bom esse interrogatório será gravado está de acordo Senhor?
_ Sim, tudo bem.
Ela ligou o pequeno aparelho.
_ Meu nome é Larissa Yoshida, dia dezesseis de julho de dois mil e dezesseis, sábado as vinte e duas horas e vinte oito minutos estou com agente Fábio e diante do senhor. Renato Monorato, todos confirmam?
_ Sim, confirmado_ disse Fabio.
_ Ok, confirmado._ disse Nato.
_ Vamos começar, eu farei algumas perguntas e peço que seja sincero comigo senhor.
_ Serei! Não tenho porque mentir em nada.
_ Ótimo. Como deve imaginar o senhor não foi a primeira pessoa que interrogamos nesse caso, e muitas entrevistas que fizemos seu nome foi citado o senhor teria algo contra a Senhorita Pricila Martinez?
_ Não, nunca!_ disse sem hesitar.
_ Bom, entrevistados 28 pessoas e 18 dessas disseram que houve uma traição e poderia sim querer mal a ela senhor.
_ Nunca quis mal algum a Pricila senhorita Larissa._ as palavras saiam tremulas da boca.
_ Bom, queremos que conte sua versão com detalhes de como foi o tempo que viveu com ela senhor Renato, período de quatro anos certo?_ abriu uma pasta e procurou confirmação com o indicador.
_ Quatro anos e meio..._ ele já olhava para o chão, seu peito queimava.
_ isso mesmo._ disse ela fechando a pasta.
Fábio anotava em um bloquinho algumas coisas, e a câmera do outro lado do espelho falso o focava em sua agonia.
_ Bom, a conheci através de um amigo da rua da minha mãe, rua onde também cresci...
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Sleepwalk
General FictionRenato tinha conquistado seu "pé de meia", uma esposa que o amava verdadeiramente, um serviço bom, a casa dos sonhos, um bom carro, tudo perfeito. Até que o desaparecimento de sua ex namorada Pricila, o obriga a lembrar de sentimentos reprimidos dev...
