A regra

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POV Jeon Jungkook

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POV Jeon Jungkook

Acordo antes de abrir os olhos, isso só pode ser um treinamento ou algo do tipo.
Primeiro teste de audição, escuto um ar-condicionado baixo, constante, nenhum barulho de rua.
Segundo, olfato, um cheiro floral. Amaciante caro? Não é o meu, uso o basicão.
Terceiro, o tato, toco o lençol com contagem de fios alta qualidade, não é o alojamento, o colchão macio é demais.
Me perco tentando decifrar o que está acontecendo de verdade.
Meu tornozelo esquerdo está pesado, então eu abro os olhos, pisco algumas vezes notando o quarto branco, minimalista e de luxo.
A Janela é grande, mas contém um vidro com reflexo verde, visivelmente blindado, a porta não tem maçaneta por dentro, e em cima de uma cômoda, uma bandeja de café.
Encaro meu tornozelo, onde sinto a sensação de peso, fico embasbacado quando vejo uma corrente fina de aço, quase de luxo, presa na cabeceira de ferro da cama king size. Bem fixada e sem cadeado a mostra, deve ser com chave allen ou parafuso interno.
Uma tentativa de sequestro? Que porra é essa?
Minha mão vai automaticamente pro lado direito da cintura, busco o meu coldre, vazio, Sem arma, sem distintivo, sem rádio. Merda!
Me sento devagar pra não fazer barulho, e puxo a corrente, que tem uma folga de uns dois metros, o que me permite chegar até uma porta, a qual imagino ser de um banheiro, a janela e a cômoda, mas me impossibilita de chegar na porta que seria minha única saída.
Quem fez isso mediu com precisão, planejado, sem deixar brecha.
A porta se abre, e eu espero dois caras grandes entrarem por ela, só que isso não acontece, porque quem atravessa pela porta é uma mulher.
Ergo uma sobrancelha, ela parece ter a faixa trinta a trinta e cinco anos, pele negra, reluzente, corpo bem desenhado e marcado, a camisa social branca dobrada até o cotovelo, calça de alfaiataria, cabelo preso, sem deixar um fio escapar. Bonita de um jeito caro, os olhos redondos, altivos e sem medo, nenhum medo.
Ela me olha, acorrentado, sem camisa, e não demonstra nada, segura uma prancheta com firmeza
"Bom dia, Tenente. Dormiu bem?"
Voz equilibrada, uma melodia boa e provocante. Meu sangue congela. Como ela sabe da minha patente?
- Quem é você?
Minha voz sai baixa, controlada na mesma medida, como uma negociação.
- Você sabe que sequestro de policial é crime federal, né?
Indago a estranha sem baixar o olhar.
--- Você tem cinco minutos pra me soltar antes que isso aqui vire uma operação da polícia invadindo a sua casa.
Ela baixa o olhar e anota algo na prancheta. Calma, como se eu fosse um detento falando merda.
"Sujeito acorda tentando impor autoridade.
Diz séria, e eu não me aguento, solto um sorriso nasal.
"Ok. Regra número um: ameaçar aqui, não abre porta. Só me faz trancar a única que te resta."
Ela não parece estar blefando. Eu vejo pela postura, o ombro relaxado, segura, em casa.
- O que você quer? Dinheiro? Informação de alguma operação?
Continuo no meu tom estável e investigativo.
- Eu não quero nada da polícia.
Ela empurra a bandeja com café, pão e frutas pra perto, com a ponta dos dedos finos, unhas perfeitas e anéis mais caros que o meu carro enfeitando os dedos delicados.
" Regra número dois: você come, você mantém banho quente, luz acesa e cama limpa. "
Cruza os braços me encarando.
" Agora se você tentar ser herói, eu apago tudo e te deixo no escuro. Seu treinamento de sobrevivência vai ser útil aqui se continuar assim."
Eu olho pra comida acompanhando o aceno que ela faz com o queixo para a bandeja, não tenho a menor pretensão de tocar nessa comida, pode estar batizada. Ela percebe meu olhar.
"Não está envenenada."
Responde como se pudesse adivinhar os meus pensamentos.
"Se eu quisesse te matar, você já tinha morrido no estacionamento do batalhão. Foi fácil demais te apagar... Foi fácil de mais tempo trazer aqui...Você nem viu."
Diz erguendo uma sobrancelha com o olhar firme. Certa demais pra uma simples lunática que não sabe o que está fazendo.
O estacionamento do batalhão é a última coisa que me lembro, foi quando eu saí do serviço.
- Qual é seu nome?
Questiono quando ela já está saindo, para com a mão na porta sem a maçaneta.
" Pode me chamar de Chefe, por enquanto..."
Uma linha fina e discreta se forma nos lábios cheios.
- Chefe... então tá. Chefe, você não vai sair impune disso.
Digo e ela para o movimento novamente, olha por cima do ombro, e pela primeira vez, a expressão de "chefe" fria que esboçava, quebra, o olhar evidencia uma mágoa antiga, feia, guardada.
"Você tem sete dias, Tenente. Até seu batalhão começar a te procurar de verdade. Sete dias...e só sai daqui quando se lembrar de mim."
Ela gira a chave e sai. E eu? Fico pra trás. Sendo a porra de um policial, treinado, armado a vida toda, que agora me vejo acorrentado como um bicho no quarto de uma mulher que jura que eu a conheço.
E o pior: eu realmente não lembro dela. Nunca a vi na minha vida.

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