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Capítulo 1 - O encontro (Mikrokosmos)

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 Querido diário, não acredito que já se passaram dois anos desde que conheci aqueles 7 coreanos durante aquela viagem à Coreia. É incrível como a nossa amizade se desenrolou de maneira rápida e natural. Tudo começou em julho de 2023, quando fui passar uns dias em Busan, na Coreia do Sul. Lá estava eu passeando distraída quando de repente, ao cruzar a rua sem olhar para os lados, quase sofri um acidente grave, pois um caminhão vinha em minha direção.

Mas, uma alma atenta de cabelos pretos, olhos de jabuticaba, alto, musculoso e cheio de tatuagens, puxou-me pelo braço com força, me levando de encontro ao seu corpo e salvando minha vida do perigo iminente.

O impacto do meu peito contra o dele me tirou o fôlego. Passado o primeiro segundo de choque absoluto, ele me soltou devagar, mas manteve as mãos firmes nos meus ombros. Ele tinha um sorriso aberto no rosto, mas os olhos demonstravam uma preocupação genuína.

— Gwaenchanhayo?! — ele disparou, a voz grave e rápida pela adrenalina. — Neo moshiseo...? Ah... Are you okay? No... machucou?

Eu pisquei, estática, tentando processar o caminhão que tinha acabado de passar e o fato de estar cara a cara com um homem de sorriso encantador que misturava coreano e inglês na mesma frase.

— Eu... yes, sim! Estou bem! — respondi, o coração parecendo uma bateria no peito. Tentei formular algo em inglês, mas o susto travou meu cérebro. — Obrigada por me salvar, eu estava tão distraída... truck... caminhão... desculpa.

Uma risada anasalada e cheia de estilo ecoou logo atrás dele. Foi aí que notei o segundo garoto. Ele usava uma jaqueta escura e exalava uma vibe total de badboy, mas o sorriso que ele me deu ao dar um passo à frente era surpreendentemente doce.

— Relax, relax — o amigo de jaqueta disse, aproximando-se com total autoconfiança. Ele inclinou o rosto na minha direção, quebrando qualquer barreira de espaço pessoal com uma audácia charmosa. Olhou nos meus olhos e completou num inglês pausado: — Respira. O trânsito de Busan é louco para turistas.

O rapaz que me salvou soltou uma risada curta, passando a mão pelos cabelos pretos, parecendo achar graça da nossa completa confusão de idiomas no meio da rua. Ele estendeu a mão tatuada para mim.

— Que vergonha, nem me apresentei. Annyeonghaseyo! Me chamo Jungkook, mas pode me chamar de JK.

— E eu sou o Jimin — o outro se adiantou, com um brilho divertido e atirado nos olhos, cruzando os braços. — Nós moramos aqui por perto. Já que o seu inglês sumiu com o susto e o coreano dele é rápido demais, que tal sairmos do meio da rua?

JK apontou com o queixo para uma porta de vidro logo ali na esquina, de onde vinha uma luz quente e um cheiro maravilhoso.

— Café? — JK propôs, direto e seguro, com um sorriso de canto que me fez esquecer instantaneamente o frio na barriga do quase atropelamento. — Açúcar para o susto. Eu pago.

Olhei para os dois, chocada com o magnetismo e a atitude deles. Me ajeitei, tentando recuperar a dignidade.

— Me chamo Isabella, mas podem me chamar de Bella. Eu estou aqui de férias — disse, finalmente conseguindo engrenar no inglês. — E aceito o café. Acho que realmente preciso de um.

Caminhamos os três em direção à cafeteria. Quando empurramos a porta de vidro, eu mal podia imaginar que aquele emaranhado de línguas e aquele susto no meio da rua eram o começo da melhor história da minha vida.

Ao entrar na cafeteria, o som do trânsito lá fora e a adrenalina do quase acidente ainda faziam meu coração bater na garganta quando a porta de vidro da cafeteria se fechou atrás de nós. O contraste foi imediato. O burburinho de Busan ficou do lado de fora, substituído pelo toque suave de uma melodia de R&B que flutuava pelo ar e pelo aroma delicioso de café fresco e baunilha.

O lugar era um verdadeiro esconderijo noturno, longe do agito das praias. A iluminação era baixa, vinda de abajures de tecido texturizado que criavam sombras aconchegantes nas paredes de concreto exposto. Mas a calmaria do ambiente não combinava em nada com a energia dos dois garotos ao meu lado.

Jimin não perdeu tempo. Com aquela vibe irresistível de badboy — jaqueta escura, um sorriso de canto que parecia testar minhas reações e um jeito de andar totalmente seguro —, ele deu um passo à frente, inclinou-se levemente na minha direção e tirou uma mecha de cabelo do meu rosto, olhando bem nos meus olhos.

— Gwaenchanhayo? — a voz dele saiu mansa, mas cheia de uma audácia charmosa. — Seu coração ainda está batendo rápido, Bella?

Apesar do estilo marrento, o toque dele foi surpreendentemente gentil, me fazendo esquecer o susto do atropelamento para focar no calor do meu próprio rosto.

Antes que eu pudesse responder, JK soltou uma risada nasalada, achando graça da intimidade imediata do amigo. Zero timidez. Ele passou a mão pelo cabelo, ajeitando a postura com uma autoconfiança de quem sabia exatamente o impacto que causava. Ele puxou a cadeira de madeira escura perto da janela para mim, mas em vez de se afastar, sentou-se logo na mesa de frente, apoiando os cotovelos no joelho e me encarando com um brilho divertido nos olhos.

— Acho que ela precisa de açúcar para recuperar o fôlego — JK disse em um inglês quase perfeito e direto, apontando com o queixo para a vitrine do balcão de concreto polido, cheia de tortas de chocolate e lattes coloridos. — O que você quer? Eu pago. Considera um bônus por termos salvado a sua vida hoje.

Olhei de um para o outro, chocada com a ousadia e o magnetismo dos dois. Lá fora, os letreiros em neon e as lâmpadas amarelas das ruelas de Busan se acendiam. Peguei meu diário de dentro da bolsa e o apoiei na mesa sob a luz quente do abajur, tentando disfarçar o sorriso.

Meu primeiro dia na Coreia do Sul quase tinha terminado em desastre, mas, olhando para aqueles dois rapazes decididos e fascinantes na minha frente, eu sabia que a minha viagem tinha acabado de ganhar o melhor começo possível.

Eu estava maravilhada com todos aqueles encantos. Durante a conversa, me fizeram muitas perguntas, quase um interrogatório, pois estavam curiosos, por eu ser uma estrangeira.

— Então você está de férias? — começou Jimin.

— Estamos indo a uma balada aqui perto. Não quer ir com a gente? — perguntou Jk, já quase me arrastando pela mão.

— Eu não sei. Não sai vestida para uma balada, estava apenas fazendo uma caminhada para aproveitar esta linda noite.

— Que bobagem! Você está linda. — Jimin insistiu, com o ar de homem galanteador.

JK assistindo a cena sorriu e disse para Jimin parar de me perturbar, pois eu poderia pensar mal deles. Como havia chegado de viagem naquele dia, estava muito cansada, recusei o convite para a balada.

Trocamos número de telefone, e prometemos nos falar no dia seguinte. Nos despedimos e eles seguiram para a balada, enquanto isso, eu fui rumo ao apartamento que eu havia alugado pelo app da Airbnb, precisava descansar e recarregar as energias. Foi um dia de muitas emoções.

Ao chegar ao apartamento, apenas olhei para as malas que ainda nem haviam sido desfeitas, e segui para o banheiro. Enquanto tomava banho fiquei pensando naqueles dois homens que haviam cruzado meu caminho. Jungkook e Jimin eram realmente lindos, gentis e divertidos.

Após o banho, tomei um chá quente e fui deitar, pois o dia seguinte prometia, e eu queria explorar a cidade de Busan o máximo possível. Já deitada, mesmo muito cansada, me virei de um lado para o outro, imaginando se eles realmente entrariam em contato comigo, ou se apenas disseram aquilo para serem gentis mesmo. Aquela fala ecoava nos meus pensamentos: "Nós falamos amanhã!".

Depois de um tempo rolando na cama, apaguei totalmente, acordando somente na manhã seguinte.

"Você me tem, eu respiro vendo você

Eu tenho você nas noites escuras

As luzes que nos iluminam

São as pessoas, são as luzes"

BTS — Mikrokosmos

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