Capítulo 29: Sangue e escuridão

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​Taehyung - Narrado

​A ameaça do reforço ainda ecoava nas paredes de madeira quando o primeiro homem avançou direto para o corredor lateral. Não havia mais margem para hesitação ou conversa.
​- Jungkook, a janela! Agora! - ordenei, mantendo a voz firme apesar do pânico que tentava subir pelo meu peito.

​Eu não esperei ver se ele obedecia. Girei o corpo e usei o bastão reforçado que Namjoon me deu para desferir um golpe pesado no peito do conselheiro mais próximo. O som do impacto foi seco, seguido por um urro de dor quando o homem cambaleou para trás, colidindo contra Jimin na varanda.

​Jimin xingou alto, a compostura limpa finalmente caindo por terra. O cheiro de jasmim amargo que ele exalava ficou ainda mais nauseante, carregado de raiva pura por ver o controle da situação escapar entre os dedos.

​- Peguem o ômega! Não deixem eles saírem! - Jimin gritou lá de fora, a voz perdendo qualquer traço de civilidade.

​Atrás de mim, ouvi o barulho de madeira estalando quando Namjoon usou a mesa da cozinha para bloquear a entrada lateral, criando uma barreira improvisada contra os dois homens que tentavam forçar a passagem.

​- VAI, TAEHYUNG! - Namjoon esbravejou, empurrando o móvel pesado com todo o peso do corpo. - Eu sustento isso aqui por dez segundos!

​Corri na direção da janela lateral. Jungkook já estava com metade do corpo para fora, lutando contra o espaço estreito da armação de madeira. Quando a luz fraca do lado de fora bateu no rosto dele, vi o suor brilhando em sua testa e o vinco de pavor em suas sobrancelhas - mas nos olhos dele, a determinação continuava intacta. Ele não travou.

​Ajudei a empurrá-lo com cuidado, segurando em sua cintura até que seus pés tocassem a grama úmida do jardim lateral.

​- Passei! - ele sussurrou, a respiração entrecortada.
- Vem, Tae!

​Antes que eu pudesse apoiar as mãos no parapeito para saltar, uma mão forte agarrou a gola da minha jaqueta por trás. O puxão foi violento, me jogando de costas contra o chão da cozinha. Minha cabeça bateu com força no soalho, e uma pontada fria de dor subiu pelo meu pescoço.

​- Achei você, alfa - rosnou o conselheiro, ajoelhando-se sobre meu peito para prender meus braços.

​O cheiro de bloqueador de feromônios do homem era sufocante, mas a raiva que queimou nas minhas veias foi infinitamente maior. O vínculo com Jungkook estalou em alerta máximo. Eu conseguia sentir o pavor dele do outro lado do vidro, o chamado silencioso de um ômega que se recusava a deixar seu parceiro para trás.

​Não hoje. Nem por ele, nem por mim.
​Rugi de raiva. Deixei o instinto de alfa tomar conta completamente. Soltei o bastão, finquei os dedos nos olhos do homem e forcei a cabeça dele para trás com toda a brutalidade que consegui reunir. Ele gritou, soltando minha gola por um segundo - o tempo exato que eu precisava.

​Rolei para o lado, peguei a faca que tinha caído no chão durante a confusão e rabei a lâmina contra o joelho dele. O homem urrou e caiu de lado.
​Me levantei num salto, ignorando a dor na cabeça. Namjoon deu um chute certeiro no pescoço do outro conselheiro e recuou rápido na minha direção.

​- Pula essa porra de janela agora! - Namjoon arfou, a testa cortada sangrando.

​Apoiei os braços no parapeito e me lancei para fora, caindo de mau jeito na terra molhada. Namjoon veio logo em seguida, ajeitando a bolsa no peito antes mesmo de se reerguer totalmente.

​Jungkook estava lá. Não tinha corrido para a floresta. Estava parado a dois passos de distância, me esperando. Assim que me viu levantar, ele se jogou contra mim, os braços envolvendo meu pescoço por uma fração de segundo. O cheiro dele - puro, morno, vivo - foi como um choque de adrenalina no meu organismo.

​- Você tá bem? - ele perguntou contra meu ouvido, a voz trêmula.

​- Tô. A gente precisa ir. Agora. - Segurei a mão dele, entrelaçando nossos dedos com força.

​Lá dentro, ouvimos o baque da porta da frente caindo de vez. A voz de Jimin ecoou no jardim:

- ELES ESTÃO NO JARDIM! RONDEM A CASA!

​- Por aqui! - Namjoon acenou, apontando para a cerca viva nos fundos da propriedade, que dava direto para a linha das árvores da floresta escura.

​Corremos.

​A noite estava fria, e o ar queimava nos meus pulmões a cada passada rápida. Minha mão não soltou a de Jungkook nem por um milímetro. A cada galho que estalava sob nossos pés, a cada feixe de lanterna que cortava a escuridão atrás de nós, o instinto de proteção gritava mais alto no meu peito.

​Jimin achou que nos encurralaria. Achou que a presença do Conselho nos faria dobrar os joelhos. Mas enquanto olhava para Jungkook correndo ao meu lado - firme, lutando pela própria liberdade -, eu sabia de uma coisa com absoluta certeza:

​Eles podiam ter o número e as armas. Mas nós tínhamos a floresta, o tempo e um vínculo que homem nenhum daquele Conselho seria capaz de quebrar.

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⏰ Last updated: Jul 27 ⏰

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