O início do inferno.

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POV: TAEHYUNG

Era noite, por volta das 22h, quando finalmente chegamos ao meu apartamento. Saí da Mercedes sem nem verificar se ela estava vindo atrás.

Entrei no elevador a passos largos, a raiva fervendo dentro de mim. Preso nesse casamento forçado com aquela vadia...

Casado.

A palavra parecia uma piada de mau gosto.

Eu preferia atravessar o inferno descalço a dividir um apartamento com aquela mulher.

O tecido do terno ainda parecia sufocar meu pescoço, e a aliança recém-colocada no meu dedo me causava um incômodo muito maior do que só o frio dela na pele.

- Que merda... - murmurei entre os dentes

Eu sabia que já estava na hora de eu me casar, mas não tinha intenção que fosse agora e muito menos com ela.

Ao tirar violentamente o blazer impecável Tom Ford, que foi comprado apenas para esse evento inútil e entrar no elevador sozinho, apertei o botão da minha cobertura, no 38º andar.

Antes que as portas se fechassem completamente, um scarpin branco apareceu entre elas, interrompendo o mecanismo.

Respirei fundo, irritado.

Ela entrou ao meu lado encaixando cuidadosamente a saia volumosa do vestido de noiva dentro do espaço apertado.

O silêncio que se instalou dentro daquele elevador era quase sufocante. Nem mesmo o som discreto da música ambiente conseguia aliviar a tensão.

Pela primeira vez em anos, os trinta e oito andares pareceram intermináveis.
Mantive os olhos fixos no visor luminoso acima da porta.

Cinco.

Doze.

Vinte e um.

Trinta.

Eu só queria que aquilo acabasse.
Assim que as portas se abriram, saí imediatamente.

Caminhei pelo corredor como se estivesse fugindo de um incêndio. Abri a porta do apartamento e entrei.

Alguns segundos depois, ouvi os passos dela atrás de mim.

Então veio o perfume.

Doce, elegante e sofisticado.

Era impressionante.

Como um perfume tão bom conseguiu ficar tão insuportável nela?

...

POV: S/N


- Eu posso simplesmente passar a noite num hotel hoje. - Minha voz saiu calma, fria, controlada. Eu o encarei sem desviar o olhar e continuei:
- Não precisa ficar com essa cara horrível, e muito menos me dizer coisas ofensivas, afinal... são só negócios

Ele continuava me encarando como se minha simples existência fosse uma afronta.

Respirei fundo antes de continuar:
- Na verdade, Sr. Kim, eu não preciso nem morar aqui. Nós podemos nos encontrar apenas quando for necessário. Jantares de família, eventos, aparições públicas. Sorrimos para as fotos, fingimos que somos um casal feliz e depois cada um volta para a própria casa.

Simples.

Pelo menos para mim.

Desde o momento em que meu pai decidiu esse casamento, eu soube que Taehyung me odiaria, e... sinceramente?

Condenada ao Inferno de Kim.Stories to obsess over. Discover now