O príncipe

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Dizem que o orgulho é um veneno silencioso, mas, no coração do príncipe herdeiro Bakugo Katsuki, ele rugia como uma tempestade.

​O reino que se estendia além dos muros de pedra do imponente castelo era próspero, rico e vibrante. As colheitas eram fartas, o comércio fervilhava e a corte vivia em banquetes eternos. No entanto, por trás da fachada de opulência, uma sombra fria havia se instalado nos salões reais anos antes.

​Quando criança, Katsuki não conhecia a crueza do mundo. Era um menino impulsivo, barulhento, intensamente competitivo e teimoso como uma mula, mas havia uma fogueira de bondade genuína em seu peito. Ele corria pelos jardins arrastando os criados em suas brincadeiras, colhia as primeiras flores da primavera para sua mãe e ostentava um sorriso que, embora arrogante, carregava a pureza de quem se sentia profundamente amado.

​Tudo ruiu com o último suspiro da rainha.

​A morte de Mitsuki foi o estopim que implodiu a estrutura daquela família. O rei, devastado pelo luto, tornou-se uma carcaça emocionalmente ausente, trancando-se em suas próprias dores e deixando o filho crescer sem orientação, sem limites e, acima de tudo, sem afeto. Sozinho em sua dor, o pequeno príncipe tomou uma decisão inconsciente: nunca mais seria vulnerável. Ele moldou seu sofrimento em uma armadura de arrogância. Transformou a saudade em crueldade e o vazio no peito em um desprezo absoluto por qualquer criatura que considerasse inferior.

​Aos vinte anos, Katsuki era conhecido em toda a corte como um homem de beleza avassaladora e temperamento intragável. Seus olhos vermelhos cortavam como lâminas, e ninguém ousava erguer a voz em sua presença. Ele governava o castelo com punhos de ferro, arrancando obediência pelo medo, esquecendo-se por completo da criança gentil que já fora um dia.

​Naquela noite de inverno, o castelo celebrava o Grande Baile da Estação. Os salões reluziam sob a luz de milhares de velas, o vinho corria livre e a música da orquestra preenchia o ar. Nobres de todas as províncias vestiam suas melhores sedas, rindo e bajulando o príncipe, que observava tudo do alto de seu trono com um tédio agressivo. O céu lá fora, contudo, parecia ecoar o humor sombrio do anfitrião. Uma tempestade violenta desabou sobre a região; trovões sacudiam as fundações de pedra e o vento uivava como um lobo faminto contra as imensas vidraças.

​Subitamente, as pesadas portas duplas do salão principal abriram-se com um estrondo, empurradas pela força da chuva. O som da música cessou abruptamente. Os convidados silenciaram, afastando-se em murmúrios de desdém e surpresa.

​Passando pelo portal, ensopada e trêmula, estava uma velha senhora. Suas roupas eram trapos cinzentos, o corpo era curvado pela idade e o capuz encharcado cobria a maior parte de seu rosto enrugado. Em suas mãos pequenas e calejadas, ela carregava apenas uma coisa: uma única rosa vermelha, cujo brilho parecia estranhamente imune à escuridão da tempestade.

​Com passos arrastados, a velha caminhou pelo tapete de veludo em direção ao trono. Os guardas menearam as lanças, mas Katsuki ergueu a mão, com um sorriso de escárnio cruzando seus lábios aristocráticos.

​— O que é isso? — a voz do príncipe ecoou, gélida e cortante. — O palácio agora virou abrigo de mendigos?

​A senhora curvou-se com reverência, a voz saindo fraca, mas surpreendentemente firme:

​— Peço perdão pela intrusão, Vossa Alteza. A tempestade lá fora é impiedosa e não tenho para onde ir. Não trago ouro, nem joias, mas ofereço esta rosa… a mais bela de todas as criações da natureza. Em troca, peço apenas um canto sob o seu teto para passar a noite.

​Katsuki olhou para a flor e depois para os trapos da mulher. Uma gargalhada alta, cruel e desdenhosa ressoou pelo salão, sendo imediatamente acompanhada pelos risos abafados dos nobres da corte, ansiosos para agradar o mestre.

A Bela e a Fera (bakudeku - todobaku)Stories to obsess over. Discover now