Nunca gostei de fotografar pessoas. Paisagens eram mais fáceis.
Elas não desviavam o olhar.
Não fingiam emoções.
Não escondiam partes de si.
Uma árvore era apenas uma árvore. A luz atravessando folhas continuava sincera independente do dia ruim de alguém. Pessoas não. Talvez por isso eu passasse tanto tempo sozinha.
A câmera pendurada no meu pescoço parecia mais confortável do que qualquer conversa casual.
Naquela tarde, eu só queria andar. O parque estava silencioso de um jeito agradável, com o céu coberto por nuvens claras e o vento frio bagunçando lentamente os galhos das árvores. Algumas pessoas corriam pela pista, crianças brincavam perto do lago, e eu apenas caminhava sem destino, procurando qualquer coisa minimamente interessante para fotografar.
Até ver ela.
Primeiro, vi as tintas.
Potes espalhados pela grama.
Pincéis jogados ao lado de uma bolsa de tecido bege.
Uma tela apoiada em um cavalete pequeno.
Depois, vi ela.
Uma garota sentada no chão, concentrada demais no próprio quadro para perceber o resto do mundo.
O vento movia alguns fios escuros do cabelo dela enquanto a ponta do pincel deslizava lentamente pela tela. Havia manchas de tinta nos dedos dela. Na roupa também. E, por algum motivo, aquilo parecia bonito. Bonito demais.
Sem perceber, meus dedos já estavam ajustando a lente da câmera.
Click
A imagem apareceu perfeita.
A luz suave do fim de tarde caindo sobre ela. O jeito despreocupado que segurava o pincel. A concentração calma no rosto.
Click
Mais uma.
Click
Droga.
Ela levantou os olhos. Direto pra mim. Meu corpo inteiro travou. Rapidamente abaixei a câmera, fingindo olhar qualquer outra coisa ao redor, como se eu definitivamente não estivesse fotografando uma desconhecida no meio do parque.
Idiota.
Eu devia ir embora.
Sério.
Agora.
Mas antes que eu pudesse sequer me virar, ouvi passos se aproximando pela grama.
— Você tirou fotos minhas?
A voz dela era suave.
Levantei os olhos devagar. Ela estava parada na minha frente agora. Bonita de perto também. Ótimo.
— Eu… — limpei a garganta. — Foi sem pensar.
Mentira horrível.
Ela olhou pra câmera nas minhas mãos e então sorriu de leve. Sorriu.
— Ficaram boas?
Pisquei algumas vezes.
— O quê?
— As fotos. Ficaram boas?
Eu definitivamente não esperava aquela reação.
— Ficaram.
Ela inclinou um pouco a cabeça, curiosa.
— Posso ver?
Minhas mãos ficaram estranhamente nervosas enquanto eu entregava a câmera pra ela. A garota analisou as fotos em silêncio. E então sorriu outra vez. Dessa vez maior.
BẠN ĐANG ĐỌC
Make Art in Me | Ningselle
FanfictionEm um parque silencioso banhado pela luz dourada do fim da tarde, Giselle encontra, por acaso, a imagem perfeita através das lentes de sua câmera. Uma garota de mãos manchadas de tinta, sentada sozinha diante de uma tela em branco. Ela não sabe o no...
