∼15 anos atrás~_
*🇲🇽 México - 23 de setembro de 2011*
*02:45am - Mansão Beauchamp*
Era madrugada. A casa inteira dormia, mas a lua iluminava Tijuana inteira como se soubesse que aquela paz não ia durar.
No escritório, Ron Beauchamp estava preso ao computador. Os dedos voavam no teclado, os olhos vermelhos de café e insônia. Ele não ouviu a porta abrir. Não viu Úrsula encostar no batente, observando o marido que carregava um império nas costas.
— Querido, isso são horas? — A voz dela quebrou o silêncio. — Sabe que ficar até essa hora no computador não vai diminuir o trabalho de amanhã.
Ela deslizou pra trás da cadeira e começou a massagear os ombros tensos dele. Ron fechou os olhos, suspirando fundo. Só Úrsula conseguia tirar o peso do mundo das costas dele.
— Sei disso, amor — ele murmurou, relaxando no toque dela. — Mas precisamos manter a máfia de pé. Tem sempre alguém de olho em nós. Você sabe o quanto lutamos pra ter tudo isso. E... — Ron abriu um sorriso cansado — eu gasto boa parte do meu dia com nosso filho. Esse é o único horário que sobra pra trabalhar.
Úrsula sentou no colo dele, passando as mãos pelo rosto do marido. Os anéis dela frios contra a pele quente dele.
— Sim, eu sei. Ainda mais agora... — ela baixou a voz, como se as paredes tivessem ouvidos — com essa visita da Priscila Soares amanhã. Eu não confio nada nela, Ron. Nada.
Os dedos de Úrsula apertaram o ombro dele.
— Temos que ficar de olho. Soares não bate na nossa porta pra tomar chá.
Ron segurou a cintura da esposa, encostando a testa na dela. Por um segundo, não eram chefes de cartel. Eram só Ron e Úrsula, com medo do que o dia seguinte traria.
Mal sabiam eles que a visita de Priscila seria o começo do fim.
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*🇲🇽 México - 24 de setembro de 2011*
*15:30pm - Mansão Beauchamp*
O sol de Tijuana queimava o quintal. Josh, espiava da varanda os homens engravatados falando de território e sangue como se fosse partida de futebol.
Ele odiava essas reuniões. O pai ficava sério demais. A mãe sumia nas ligações.
Até que o portão blindado se abriu.
Um carro preto parou na entrada. Desceu Priscila Soares. Salto alto, vestido vermelho, óculos escuros escondendo olhos que Úrsula jurou que eram de cobra. E segurando a mão dela...
Desceu uma menina. Vestido branco, cabelo preso em trança, uma boneca de pano no braço. Tinha os olhos grandes demais pro rosto. Olhos de quem também não entendia por que os adultos viviam se matando.
— Josh, vem conhecer a Any — Úrsula chamou, forçando um sorriso. — Filha da Dona Priscila.
Josh cruzou os braços. Beauchamp não fazia amizade com Soares. Foi o que Ron disse.
Any ficou parada, apertando a boneca. Priscila e Ron se encaravam na sala, copos de tequila na mão, sorrisos que não chegavam nos olhos. Paz de mentira. Paz que cheirava a pólvora.
O silêncio durou até Úrsula aparecer com dois picolés de limão, pingando no calor.
— Calor demais pra briga, né? — ela disse, entregando um pra cada um. — Vão brincar lá fora antes que derreta.
Josh pegou o dele desconfiado. Any mordeu o dela e fez careta pro azedo, e Josh, sem querer, riu.
Foi só um segundo. Um segundo que não devia existir entre Beauchamp e Soares.
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OS FILHOS DA MÁFIA
ActionEles se viram pela primeira vez ainda crianças. Inocentes demais pra entender que já eram inimigos. Naquela noite, o cartel da mãe de Any Soares reduziu o império da família de Josh Beauchamp a cinzas. Josh sobreviveu. E jurou voltar. Anos depoi...
