Capítulo 1

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Tenha coragem, Laura! Acabe com esse sofrimento de uma vez por todas... Eu estava sentada no parapeito do meu prédio, pronta para acabar com minha vida. A vozinha em minha mente concordava com meus motivos que por sinal, eram muitos. Aquela dor estava forte demais para que eu insistisse em manter minha existência. Não poderia conviver com aquele rasgo excruciante em meu peito.

Eu encarei a tenebrosa profundidade abaixo dos meus pés. A lágrima que escorreu em meu rosto se apressou em seguir o destino que estava traçado para ela e para mim, caindo os andares abaixo. Vai, Laura! Vai... Eu fechei os olhos e abracei a mim mesma, tomando coragem. O vento gelado daquela noite fria carregando as gotículas de sereno, pareciam prestes a cortar minha pele. As lágrimas que eu não mais conseguia conter, pareciam gritos desesperados da minha alma. Não havia saída. Eu não conseguiria conviver com o que havia provocado... A morte dos meus pais! Era minha culpa! É sua culpa!

Meu pai sempre preocupado comigo. Minha mãe tão jovem e cheia de vida. A imagem do sorriso único dela, diante de mim naquele momento, intensificou o abalo de meus ânimos. Nunca mais o veria. Nunca mais aquele sorriso aqueceria minha insignificante existência. Nada mais me restara na vida... Só aquele buraco em direção ao concreto da calçada do meu prédio. Só a morte me traria a tão desejada libertação de mim mesma.

Liberte-se, Laura... A vozinha em minha mente havia me convencido! Me coloquei o mais próximo da beirada que minha coragem me permitia. Mais um vento daqueles e eu teria o empurrãozinho que estava faltando... Só um empurrãozinho... Mas o vento não veio. Eu teria que fazer sozinha. Olhei para o céu, me despedindo das minhas estrelas favoritas, as três marias. Papai me disse, quando eu era pequena, que nós estaríamos sempre juntos, eu mamãe e ele, lado a lado como as três marias. Sim, papai... Nós estaremos sempre juntos! Estou indo... Eu estava caindo finalmente... Em segundos tudo acabaria...

Nada vai acabar! Só vai piorar, acredite! A vozinha em minha mente mudara de lado agora? Agora que eu já estava indo ao encontro da morte? ... Foi quando eu o vi pela primeira vez fora dos meus sonhos. Estaria eu delirando? Se era delírio, era o mais esplêndido delírio que eu já tinha visto na vida. Ele estava voando ao meu encontro como uma águia indo salvar o filhote indefeso que caía do ninho. Eu era o "filhote" indefeso? Ele era a "águia" mais majestosa que já existira! O clarão que emanava do meu salvador era tão forte que ofuscou minha visão e depois disso, tudo ficou preto.


#Ponto de vista do anjo

Eu sabia que estava infringindo as regras e que pagaria por meu ato infrator, mas eu não a perderia para ele... Não a perderia para Lúcifer! Eu enfrentaria quaisquer que fossem as consequências para voltar a tê-la junto a mim no paraíso.

- Eu te amo, Laura! - eu enxugo suas lágrimas, acariciando seu fino rosto gelado. - Você não está sozinha nunca! Aguente só mais um pouco, por mim... por nós!

Eu a deixei a salvo em seu quarto e saí pela janela, sentindo o vento gelado em minhas asas, voando ao encontro do único que poderia interceder por mim naquele momento.


#O que acharam, galerinha?? *-*


Anjo Meu Onde as histórias ganham vida. Descobre agora