Lily's pov
Era mais um dia normal. Acordei, me arrumei pra ir ao colégio mesmo sabendo que ninguém lá iria me notar. Eu era invisível lá.
Tomei o meu café, olhei pro rosto da minha mãe e do meu pai, que sempre foram tão carinhosos, pensando se um dia eles descobririam como eu me sinto. Eu precisava de ajuda, mas eu nunca contaria a eles. Não queria causar preocupação.
Peguei o mesmo ônibus de todo dia, que nunca tinha lugar. Fui empurrada diversas vezes por aquelas milhares de pessoas em um lugar tão apertado.
Como sempre acontece, o ônibus quebrou. Não conseguia pensar em chegar atrasada mais uma vez e ver as pessoas me olhando e o meu lugar na sala ocupado.
Desci do ônibus e fui correndo a pé. Eram alguns quilômetros, mas nada era pior que a sensação de ser observada.
No caminho, Derrubei as coisas daquela mochila rasgada milhares de vezes, e como sempre, ninguém veio ajudar. Minha visão começou a ficar turva de tanto correr e cheguei na escola quase sem respirar.
O sinal bateu. Entrei na sala, vi as pessoas me olhando e cochichando, rindo e alguns meninos usando minha mesa pra sentar em cima.
Parei na frente deles, que sairam do meu lugar cochichando. Coloquei a mochila atrás da cadeira e sentei, encostei a cabeça nos meus braços e me preparei pra 5 aulas monótonas de novo.
Na aula de matemática, o professor pediu pra formar grupos. Eu odiava aquela frase. Pedi para fazer sozinha.
- Você quer fazer um trabalho de dez páginas sozinha? - Ele me perguntou
- Sim, professor- Eu respondi pra não dizer "Acho que você não percebeu que nem todo mundo nessa sala tem grupos".
No recreio, comi no banheiro sentada no canto mais escondido possível. algumas lágrimas saíram do meu olho, mas limpei antes da 4ª aula.
Na educação física, sentei na arquibancada e rezei pra todos os deuses que ninguém me incomodasse e me pedisse pra participar. O professor geralmente não ligava, mas uma vez ou outra ele se irritava em me ver fazendo nada.
Eu entendo ele, eu também queria fazer alguma coisa, mas eu simplesmente não consigo. Cada jogo que eu jogava era um motivo pra eu chorar de ansiedade e medo de fazer algo errado.
Algumas meninas começaram a jogar vôlei do meu lado. A bola veio na minha cabeça, nas minhas pernas e até na minha cara, mas toda vez era a mesma frase.
- Desculpa - Uma delas dizia vindo buscar a bola, com o sorriso mais falso existente e depois saia rindo e cochichando com a outra.
Eu sempre sorria de volta, sussurrando um "Não foi nada", mas no fundo eu sabia que elas faziam de propósito.
Sai da escola com a cara doendo de tantas boladas e a sensação de mais um dia vencido. Mais um dia que eu aguentei esse colégio com pessoas escrotas e sem educação. No ônibus, a mesma coisa da ida. Sem lugar, sem espaço e sem pessoas gentis, só um mar de gente cansada e que provavelmente também tem seus próprios problemas com oque se preocupar.
- Como foi a aula, filha? - Minha mãe perguntou com o sorriso de sempre, de quem no fundo sabia que eu estava cansada. Eu nunca contei a ela como me sinto, mas de alguma forma ela sempre soube.
Deitei na minha cama. Passei o resto da tarde lendo, assistindo séries e filmes e vivendo no meu mundo de fantasia. Jantei, me joguei na cama e encostei a cabeça no travesseiro, já com lágrimas no meu rosto após pensar em tudo oque aconteceu no dia.
Antes de dormir com os olhos inchados, desejei nunca mais ser invisível. Pra mais ninguém.
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Heroes- David bownie
General Fiction6 adolescentes, cada um com seus problemas pessoais, ganham poderes que podem os ajudar ou colocar o peso do mundo em suas costas. Aos poucos, eles se aproximam, se entendem e começam a ver aquele grupo de jovens desajustados como uma família. Os pr...
