O Começo(Fim) de Tudo

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M-A-M-A-B-O-Y, mama's boy, mama's boy

M-A-M-A-B-O-Y, mama's boy, mama's boy

Mama's boy, mama's boy

Mama's boy - Dominic Fike

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Izuku caminhava lentamente pelos corredores sombrios da escola. Cada passo era uma pontada de dor que sentia, resultado das inúmeras explosões de Kacchan. Mas não era como se importasse, já havia se acostumado. Um pouco masoquista, com certeza. Porém, estar acostumado com a dor e gostar dela, são termos totalmente diferentes.

Nesse dia, havia perdido mais um caderno por causa de seu amigo - se é que deveria chama-lo assim -, que o explodiu. Mas não se importava. Depois pediria para sua mãe comprar outro. De qualquer forma, já tinha tudo aquilo decorado em sua cabeça. Iria anotar novamente assim que conseguisse outro.

Ao passar pelos portões, avistou o loiro. Ele caminhava despreocupado pela rua, a mesma na qual Izuku teria de passar. Engoliu em seco, mas ainda assim, foi. Até porque, não era culpa dele que morassem na mesma rua. Também não era culpa dele que o admirasse tanto. Também não era culpa dele que Kacchan havia mudado depois de...

Mas... também não era culpa dele ter nascido sem uma individualidade. Não conseguia entender o porque de Kacchan sempre esfregar o fato na sua cara, junto de socos e explosões, sendo que Izuku sequer escolheu isso. Na verdade, se pudesse, teria, também, escolhido se ia nascer ou não. Contudo, pensando por esse lado, sua mãe iria ficar triste se ele tivesse morrido no parto. Então, isso não era uma opção. Precisava ficar vivo e forte. Por ela. Porque, sem ela, Izuku não era nada.

Caminhou para casa de cabeça baixa, assim como sempre fazia ao andar pela escola. Se caso ousasse levantar a cabeça, alguém acabava zombando de seu rosto, ou falando sobre como suas sardas eram estranhas. Isso realmente afetava a autoestima dele, mas não tinha como se defender ou retrucar, sem levar um murro no olho. Já tentou fazer isso, o resultado foi um nariz quebrado e uma boca cortada. Na maioria das vezes, o autor de seus vários hematomas pelo corpo era o loiro a apenas alguns metros de si. Todavia, fazer algo contra isso seria pedir para ser espancado. E, além do mais, Izuku, querendo ou não, ainda o admirava, apesar de tudo. Ainda via nele o herói que queria ser, apesar de Kacchan não ser nada heroico com ele. Também não sabia de onde vinha toda essa admiração, só que não conseguia tira-la. Então, apenas optou por aceitar o fato. Não era como se fosse mudar algo no relacionamento deles. 

Sua cabeça apenas se levantou, no segundo que encontrou a razão de seu viver, o motivo dele ainda respirar sem sentir remorso, a única coisa que o mantinha de pé. 

Parada, ao lado da porta, estava sua mãe, que abriu um sorriso radiante assim que o viu.

- Izuku! Finalmente chegou, querido. - ela caminhou até ele, dando um abraço que Izuku retribuiu com gosto - Vamos, entre logo. Fiz Katsudon pra você.

O esverdeado deu um sorriso de orelha a orelha, o primeiro que dera no dia.

- Obrigado, mamãe! - ele disse assim que entraram.

O jantar seguiu como sempre. Izuku e sua mãe conversaram e riram, sejam de assuntos fúteis, até coisas que aconteciam no trabalho dela. Inko nunca perguntava abertamente sobre a escola dele. Izuku não sabia dizer se era porque ela via que o deixava desconfortável, ou porque já sabia a situação que ele passava pelos hematomas que tinha pelo corpo. No dia que chegou com o olho roxo, sua mãe chorou tanto que Izuku quase contou a ela oque realmente havia acontecido. Mas ela já sabia. Ela sempre sabe. Izuku não precisava de palavras pra sua mãe saber o está acontecendo. 

Nas Sombras do PassadoStories to obsess over. Discover now