Em uma sala circular, iluminada pela luz de lua e de fracas velas, reverberava um choro baixo e agourento banhando toda a sala, as estantes de livros que preenchiam as paredes, as pinturas de homens velhos dormindo, objetos de estranho formato e uma magnífica ave avermelhada, que tinha seus olhos atentos fixados em um homem curvado que tinha as mãos no rosto.
O som que preenchia a sala vinha dele, nascido de sua perda, a perda do que nunca pôde possuir.
Aquele que lamentava era observado por gélidos olhos azuis cobertos por simples óculos de meia lua. O dono desses olhos batia levemente os dedos na mesa de madeira que havia entre eles, esperando que o luto desse lugar a razão.
Após alguns momentos, que pareceram uma eternidade para ambos, Snape ergueu-se, revelando sob o longo cabelo oleoso, um rosto pálido com um grande nariz curvo e parecia um homem que não tinha vida em si.
– Pensei... que o senhor fosse... mantê-la... segura...
– Ela e Tiago depositaram sua fé na pessoa errada – disse Dumbledore. – Muito semelhante a você, Severo. Você não tinha a esperança de que Lorde Voldemort fosse poupá-la?
A respiração de Snape estava ansiosa e as lágrimas caiam sem sua permissão.
– O filho dela sobreviveu – ressaltou Dumbledore.
Com um brusco e quase imperceptível aceno da cabeça, Snape pareceu espantar uma mosca irritante.
– O filho sobreviveu. Tem os olhos dela, exatamente os mesmos. Você certamente se lembra da forma e da cor dos olhos de Lílian Evans, não?
– NÃO! – berrou Snape. – Se foi... Morreu... Seus olhos não têm mais cor.
– Isto é remorso, Severo?
– Eu gostaria... gostaria que eu é que estivesse morto...
– E que utilidade isso teria para alguém? – perguntou Dumbledore, friamente. – Se você amou Lílian Evans, se você a amou verdadeiramente, então o seu caminho futuro é cristalino.
Snape parecia espiar através de uma névoa de dor, e as palavras de Dumbledore levaram um longo tempo para alcançá-lo.
– Como... como assim?
– Você sabe como e por que ela morreu. Empenhe-se para que não tenha sido em vão. Ajude-me a proteger o filho de Lílian.
– Ele não precisa de proteção. O Lorde das Trevas se foi...
– ...O Lorde das Trevas retornará, e Harry correrá um perigo terrível quando isso ocorrer. Fez-se uma longa pausa. Lentamente, Snape recuperou o controle, normalizou sua respiração e secou suas lágrimas.
– Muito bem. Muito bem. Mas jamais, jamais revele isso, Dumbledore! Isto deve ficar entre nós! Jure! Não posso suportar... particularmente o filho de Potter... Quero sua palavra!
– Filho de Potter, sim, mas de Lilian também. E espero que não se esqueça de quem é a culpa desta criança não ter ambos os pais, Severo.
– Não esquecerei.
– Lhe dou a minha palavra, Severo, de que jamais revelarei o que você tem de melhor. – Dumbledore suspirou, olhando para o rosto feroz e angustiado de Snape. – Preciso que espalhe um rumor entre os comensais que ainda não foram capturados.
Os olhos escuros e lacrimosos de Snape brilharam em curiosidade e ceticismo
...
Snape levantou. Nos olhos já não havia lágrimas, apenas propósito. E ele odiava o que isso significava.
STAI LEGGENDO
Harry Potter: Ano 1 - A Sombra Cicatrizada
FanfictionSinopse Todos conhecem a história do menino que sobreviveu. Mas e se ele não tivesse saído ileso naquela noite? E se a cicatriz não fosse apenas uma marca... mas uma inclinação? Neste universo, Harry Potter não cresce apenas negligenciado. As mesmas...
