Capítulo 01 - There you are

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"When you're caught in the crowds... There you are."

– There you are, ZAYN

– There you are, ZAYN

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Flashback On

12 de dezembro de 2010

Eu não acreditei quando ouvi Dermot O'Leary anunciar o terceiro lugar. Precisei piscar algumas vezes pra saber se era real ou um sonho. Meu coração acelerou de repente, a esperança se misturando com o choque.

"Como assim, galera?"

Esse era o resultado mais improvável da noite: a One Direction perdeu.

Bom, ninguém "perde" em uma premiação de pódio, mas deu pra entender, né? Os favoritos do público, os queridinhos de toda adolescente, simplesmente ficaram em terceiro lugar. Todo mundo achava que eles ganhariam. Inclusive, eu até treinei um sorriso de derrota pra ficar mais natural...

Apesar de não esperar esse resultado, um formigamento percorreu meus ossos.

Eu ainda tinha chances!

E mesmo se ficasse em segundo lugar, ainda assim ganharia deles.

Ganharia dele.

— Eu só quero agradecer a todo mundo que votou. Esse não é o fim da One Direction. Esse é só o começo. — Liam falou, as mãos tremendo no microfone.

Ele estava com o olhar marejado, os ombros baixos e sua voz saiu cortada. Senti o peito apertar por um segundo. Se ele fosse um candidato solo eu até torceria por ele... Mas essa bandinha mixuruca o corrompeu.

O momento de pena passou rápido, dando lugar à adrenalina da empolgação. Meu corpo ardeu, prendi a respiração. O coração já estava incontrolável a essa altura. Eu me sentia como alguém prestes a ganhar a maior aposta da vida.

Fechei os olhos com força, pressionando as pálpebras. Rezei para todos os santos que eu conhecia.

Era agora ou nunca!

— E o vencedor do The X-Factor de 2010 é... — Dermot fez suspense. Fala logo, cara! — Matt Cardle.

A fala dele me atingiu como uma onda que a gente não espera. Senti o chão faltar, minhas pernas ficando bambas. O nó na garganta apertando minha respiração.

"Merda"

Aplaudi com o sorriso que ensaiei um milhão de vezes — mas que, por alguns segundos, pensei que não precisaria usar.

Esse é o efeito colateral da esperança. Ela te faz acreditar em algo só pra depois te esmagar com todas as forças.

Quando olhei para o lado, os meninos da One Direction também aplaudiam. Tanto à Matt quanto à mim. Todos, menos ele. O imbecil mantinha as mãos no bolso da calça e aquele maldito sorriso que parecia gritar: "você não é tão boa assim".

Meu sangue ferveu, as bochechas ardendo de raiva. Quem ele pensa que é? Respirei fundo. Minhas mãos se fecharam em um soco. Se eu pudesse, atravessaria o palco e enfiaria o troféu na cabeça dele.

Zayn Malik. O idiota número um da minha lista.

Flashback Off

Dias atuais, 01 de março de 2014 – Los Angeles, 00h47

— Pro Justin? Tudoooo. Pra Selena? Nadaaa. — Gritei em uníssono com Kendall e Hailey, virando o shot de tequila de uma vez só.

Ele arregalou os olhos, pronto pra protestar. Apesar dos pesares, seu corpo ainda reagia ao nome dela. Ombros tensos, garganta travada. Mas nem ele aguentou e deu uma gargalhada, jogando a cabeça para trás.

— Vocês não prestam, hein?

Nós rimos, o álcool deixando tudo mais engraçado.

Estávamos em uma mesa na área VIP da boate Bloody Bass, comemorando o aniversário do Bieber. Duas décadas que pareciam uma vida toda. O que esse garoto conquistou — e aprontou — com 20 anos, não é pra qualquer um não.

Agora nós quatro já estávamos pra lá de bêbados a essa altura. Eu estava suada — não sei se do calor ou da tequila. O som da boate era estridente, tocando algum remix de Calvin Harris que fazia todos dançarem. A fumaça da mesa do DJ tornava tudo ainda mais excitante.

— Cara, o que eles colocaram nessa bebida? — Hailey falou com a voz arrastada e morrendo de rir.

— Não sei, mas eu tô indo buscar mais. — A cabeça girou quando eu levantei, mas não perdi o equilíbrio. — Quem vai querer outra rodada?

— Eu! — Gritaram todos juntos.

Olhei para eles por um momento. Hailey ria do vento, o top mais curto do que a sua tolerância ao álcool. Kendall ainda mantinha a pose: queixo levemente erguido, olhar afiado, deixando só um meio sorriso escapar. E Justin parecia estar recuperando o brilho. Batucava na mesa, uma bateria improvisada.

— Seus bêbados.

Falei rindo e fui saindo pro bar. As pessoas se aglomeravam na pista de dança. Alguns arriscavam uma coreografia mais elaborada, outros apenas moviam o corpo e torciam para estar na batida da música.

Meu salto castigava cada passo e eu tinha certeza que ganharia um belo calo. Mas isso não importava agora — só amanhã quando o caminhão do lixo passar e eu me livrar desses desgraçados.

— Jerry, desce mais 4 shots de tequila completinhas, por favor.

— É pra já, Amy! — o bartender piscou pra mim. — Mais alguma coisa?

— Acho que vou querer uma rodada de martinis também.

Jerry sorriu, assentindo. Ele estava estranhamente mais atraente do que meia hora antes. Os cabelos pretos molhados de suor. A camisa abotoada só até a metade. Uma calça justinha que marcava o que ele tinha de melhor.

Enquanto eu o admirava preparando os drinks, uma voz soou ao meu lado. Debochada e fria, como sempre.

— Parece que a noite tá boa, hein?

Meu corpo reagiu antes da minha cabeça processar. Prendi a respiração de imediato. Um arrepio subiu pela minha coluna como se meu corpo tivesse acabado de levar um choque.

Eu reconheceria aquela voz até no inferno.

Respirei fundo tentando me recompor. Meu coração já estava em taquicardia. As mãos tremiam.

Deveria ser um engano.

"Só pode ser um engano", repetia pra mim mesma como uma espécie de mantra.

Virei o rosto devagar, ainda torcendo para que fosse o álcool me fazendo ouvir coisas.

Mas não.

Meus olhos deram de cara com aquele ser. Eu não o via há quase dois anos. Fiz o possível — e o impossível — para evitá-lo em todos os lugares. Não suportava a ideia de encontrar com ele.

Mas agora ele estava ali.

Sentado a duas cadeiras de distância. Um copo de uísque na mão e o mesmo maldito sorriso no rosto. O ar de superioridade de sempre. Seu cabelo impecável. As mesmas roupas descoladas. E aquele olhar que me atravessava, como se pudesse ver através de mim.

— Como vai, Amy? — Ele debochou. O tom desdenhoso que me irritava profundamente.

— Melhor do que nunca, Zayn.

Notas Fora do TomWhere stories live. Discover now