antigas forças despertam, como Gaia e seus monstros primordiais, e a Gigantomaquia se aproxima, Hades se vê preso entre o dever, a família e um destino que lentamente o conduz a um encontro capaz de mudar tudo.
Nas entranhas mais negras do Tártaro, onde o ar era espesso como piche e o silêncio só era rompido pelo lamento distante das almas condenadas, dois sentinelas alados marchavam pelos corredores de pedra viva. Acima deles, o falso céu era um abismo negro rasgado por trovões vermelhos que pulsavam como artérias abertas. Cada passo ecoava como um coração moribundo.
O primeiro sentinela, asas cerradas e lança tremendo na mão, virou-se para o companheiro, voz baixa e rachada pelo medo:
- Você acha que estamos mesmo seguros aqui embaixo, Raziel?
Raziel, cabelos loiros sujos, soltou uma risada forçada que morreu rápido nas paredes úmidas:
- Seguros? Claro que estamos, seu idiota. Este buraco é a fortaleza mais inquebrável de todos os mundos. Nem deuses saem daqui vivos. Guardamos a pior escória da criação: titãs, monstros, traidores. Por isso jogam guerreiros como nós pra cá.
Ele deu um tapa brincalhão no peito da armadura do amigo, mas o gesto saiu rígido. O outro apenas assentiu, desconfiado. Então um trovão mais grave que os anteriores estremeceu o chão, e as sirenes infernais explodiram em um uivo agudo, cortante.
Os dois se olharam, olhos arregalados, e correram.
Chegaram a uma cela colossal, cercada por dezenas de sentinelas com lanças apontadas. Luzes vermelhas piscavam como sangue derramado, o ar pesado de morte iminente.
Sem aviso, as grades explodiram em uma onda de fumaça cinzenta e estilhaços incandescentes. A pressão esmagou os guardas mais próximos contra as paredes: crânios racharam como melancias maduras, miolos escorreram em fios cinzentos, costelas estouraram para fora dos peitos em flores de osso e carne rasgada. Sangue vermelho jorrou em fontes altas, pintando o chão de um vermelho vivo, viscoso. Corpos caíram em pilhas grotescas, braços torcidos para trás, pernas dobradas ao contrário, olhos ainda abertos em choque eterno.
Os que sobreviveram avançaram, gritando. Uma mão colossal, rochosa e incandescente, surgiu da fumaça e os agarrou. Dedos como pilares esmagaram torsos vértebras estalando, vísceras explodindo em chuvas de intestinos fumegantes, sangue espirrando em arcos quentes. Um anjo foi erguido e partido ao meio como um graveto, as metades caindo separadas, tripas desenrolando-se no chão.
Da névoa emergiu Hiperião, o Titã da Luz, olhos flamejantes como sóis moribundos, corpo uma montanha de pedra viva. Seu rugido fez o Tártaro tremer até os ossos:
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- O Tártaro não me prenderá mais! Eu restaurarei o reino antigo! Os olimpianos pagarão com sangue!
Nas celas vizinhas, titãs e monstros urraram em coro, grades rangendo sob punhos colossais.
Raziel, tomado por fúria cega, avançou com a lança erguida. Hiperião girou o braço como um tronco de árvore e acertou-o em cheio. O anjo voou contra a parede, explodindo em uma massa irreconhecível: olhos saltados das órbitas, cérebro espalhado em borrões rosados, ossos reduzidos a farpas, sangue escorrendo em riachos grossos.