Autora: DanikaBe
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Gênero: Romance
POV BILL
O sol mal tinha dado as caras quando Tom e eu estacionamos diante daquele depósito perdido nos cafundós de Los Angeles. Um lugar feio, sem vida, com ruas largas demais, galpões iguais, tudo cinza e silencioso. A gente estava ali para limpar, separar, jogar fora. Simples no papel. Mas, na prática, nada na nossa vida era tão simples assim.
Era óbvio que eu não queria estar ali. Odiei desde o primeiro passo que dei entre aquelas caixas. O cheiro de poeira grudava na garganta, e parecia que cada partícula carregava junto memórias que eu não estava pronto para revisitar. Nunca gostei de esforço físico, muito menos de trabalho braçal. Eu sou do palco, da luz, da criação. Não de carregar caixas. Mas meu irmão não me deu escolha. Tom me pegou pelo meu ponto fraco.
— Se você não for, vou jogar fora suas coisas sem perguntar. — Ele disse, do jeito mais frio e decidido do mundo.
E eu sabia que meu gêmeo faria mesmo. Ele me conhece como ninguém. Sabe o quanto sou apegado às minhas coisas, às roupas, aos objetos, às lembranças. E usou isso contra mim, descaradamente.
Enquanto eu bufava e me perguntava por que tinha caído naquela cilada, Tom parecia no auge da energia. De boné virado para trás, com força nas mãos, empilhava caixas como se estivesse construindo alguma coisa, ou desmontando o próprio passado, peça por peça. Ele gosta dessa sensação de limpar, de cortar excessos, de deixar só o essencial. Já eu, bem... eu acho que tudo é essencial. Cada caixa, cada pedaço de pano, cada fotografia esquecida tem um significado. É quase como se jogar qualquer coisa fora fosse como arrancar partes de mim.
No meio de tanta sujeira, encontrei objetos de decoração antigos, figurinos de turnê que eu guardava como tesouros, caixas e mais caixas de prêmios que o tempo insistia em empoeirar. Roupas, sapatos, acessórios que já brilharam sob os holofotes comigo. Era um caos. Mas um caos lindo.
E então, no meio daquela bagunça de glórias e restos, lá estavam elas: duas malas empilhadas, discretas, mas gritando para mim. Meu coração até parou.
— Maus... olha o que eu achei. — Minha voz saiu baixa, quase um sussurro. — As nossas malas de memórias.
Os olhos de Tom brilharam na hora.
— Meu Deus... — Ele murmurou, passando a mão pela superfície gasta. — Eu estava procurando por ela. Nem lembrava que tinham ficado aqui.
Naquele instante, senti um aperto no peito. Essas malas não tinham nada a ver com fama. Não tinham nada de palcos, flashes ou gritaria. Ali estava a nossa infância inteira: desenhos em folhas amareladas, roupas pequenas, álbuns que a mamãe montou com todo cuidado para cada um de nós. Coisas simples, mas que guardavam um tempo em que éramos apenas Bill e Tom. Dois meninos de Loitsche. Não o vocalista e o guitarrista do Tokio Hotel. Só nós.
Eu tinha 24 anos mas, olhando para aquelas malas, me senti criança outra vez. Como se tudo o que sou hoje ainda tivesse raízes ali dentro. E, ao mesmo tempo, soube que precisava escolher o que carregar e o que deixar para trás.
Quando finalmente voltamos para casa, já exaustos e cobertos de poeira, o bagageiro estava cheio com o passado. Tom entrou e afundou no sofá, como sempre, cercado por Pumba e Capper, sem se importar com mais nada. Eu, fiel a minha essência, fui direto para o meu banho de espuma com uma taça de champanhe na mão. Precisava me sentir leve de novo. Precisava me lembrar que, por mais que tudo mude, ainda sou o astro que sonhei ser.
CZYTASZ
Alien's Shorts VOL.02 - BIL KAULITZ
FanfictionEste projeto é uma celebração da criatividade coletiva! Cada capítulo é uma história independente, escrita por uma autora diferente, com estilos, vozes e emoções únicas. Neste volume, todas giram em torno de um só tema: Bill Kaulitz, o vocalista t...
