“ Can't nothing get in between us, baby
Nada pode ficar entre nós, querido
We've been waiting on this moment for so long
Nós estivemos esperando por esse momento por tanto tempo
You wanna be reckless, restless, right until tomorrow
Você quer ser imprudente, inquieto, até amanhã
When I put my lips on you
Quando eu puser meus lábios em você
You feel the shivers go up and down your spine for me
Você sentirá os arrepios subirem e descerem por sua espinha por mim”
O sol já havia sumido atrás das montanhas quando Izuku empurrou a porta de madeira antiga do chalé. O cheiro de pinho e lenha se espalhava pelo ar, misturado ao frescor da floresta que ainda soprava pelas janelas entreabertas. A brisa gelada arrepiava os pelos do braço, mas não o suficiente pra incomodar. Era só o fim de um dia longo, e talvez o começo de uma noite diferente.
A viagem era pra ser apenas mais um treino de resistência pro último ano, uma proposta maluca e espiritualizada do All Might: “Conectem-se com seus corpos. E um com o outro também.” Ninguém entendeu direito. Mas Izuku topou. Katsuki resmungou, mas apareceu. E agora ali estavam eles: sozinhos num chalé encravado no meio do nada, com mochilas molhadas, pernas cansadas, e um silêncio que dizia mais do que qualquer explicação do professor.
A trilha foi difícil. A paisagem, linda. A companhia…
A companhia era Katsuki.
E só isso já bastava pra fazer o coração de Izuku bater num ritmo diferente.
A trilha tinha começado cedo, tipo cedo de verdade, com All Might batendo na porta dos quartos às cinco da manhã com um grito de "Plus Ultra!" que ecoou pela floresta e assustou até os pássaros.
Izuku tropeçou em si mesmo tentando sair do quarto, ainda sonhando com café. Katsuki quase explodiu a maçaneta.
- Acordar esse horário devia ser ilegal - murmurou ele, enquanto ajustava a mochila nas costas e olhava com puro desprezo pro All Might, que parecia estranhamente animado por estar respirando ar puro.
Durante a subida, Izuku tentava se concentrar na paisagem e nos ensinamentos profundos do professor "Sintam o chão. Sintam a vida fluir sob seus pés!",mas era difícil com Katsuki atrás dele soltando comentários sarcásticos a cada cinco minutos.
- “Sintam a vida fluir.” - ele imitou, debochado. - A única coisa fluindo aqui é o suor nas minhas costas.
- Pelo menos a vista tá bonita. - Izuku tentou argumentar, apontando pras montanhas à frente.
- A vista seria melhor se tivesse ar-condicionado.
O All Might, por sua vez, não parecia notar o clima entre os dois. Ou talvez notasse e estivesse muito entretido com isso.
- Vocês dois são um casal tão sincronizado! - disse, enquanto tirava uma selfie com a vegetação atrás. - Quase poético!
Katsuki quase tropeçou numa raiz de propósito pra fingir que não ouviu. Izuku tentou segurar o riso, mas falhou miseravelmente.
- Sincronizado? - Katsuki bufou. - A gente tá é se tolerando.
- É amor. - Izuku disse, com aquele sorrisinho safado que ele soltava só quando queria provocar.
Katsuki lançou um olhar fulminante pra ele. E o All Might apenas acenou com a cabeça, como se fosse o cupido mais confuso da história da humanidade.
No fim do dia, os músculos gritavam, a trilha parecia infinita, e o sol se despedia atrás das árvores altas. Quando o professor avisou que eles ficariam em chalés separados “pra reforçar o senso de autoconhecimento”, ninguém protestou.
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Lips On You
FanfictionO frio das montanhas não era nada comparado ao calor que começou a subir sob suas peles naquela noite. Depois de um dia de escaladas, risos e olhares cruzados entre árvores antigas e trilhas escorregadias, Katsuki e Izuku se veem presos num chalé is...
