Aviso Importante 🚨
Esta é uma obra de ficção.
Os acontecimentos, diálogos, cenários e traços de personalidade retratados nesta história são criações da autora e não representam fatos reais, bastidores verdadeiros ou a personalidade real das pessoas mencionadas.
Embora possam existir referências a eventos públicos, como lançamentos, músicas, álbuns ou apresentações, tais elementos são utilizados apenas como ambientação narrativa dentro de um contexto fictício.
Esta obra não tem a intenção de retratar, afirmar ou insinuar acontecimentos reais.
Todos os personagens retratados são maiores de idade.
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Meus dedos já não aguentavam mais.
Não de tocar.
De tentar provar que eu merecia estar ali.
De sustentar a mesma precisão enquanto metade da sala te mede como se você fosse um parafuso que pode ser trocado depois do almoço.
— Galera. Mais uma vez. De novo as duas. Quero a transição limpa. — Carlie nem levantou a voz. Não precisava. A ordem já vinha com a certeza de que o tempo era dele.
Shadow Of a Man. Kill For Love. A mesma sequência. O mesmo trecho em que qualquer micro atraso vira "falta algo".
Depois de cinco horas, talento é só o nome bonito que dão para resistência. A dor nas costas já começa a negociar, os dedos não podem nem pensar em parar.
Respirei fundo, puxei a correia da guitarra no ombro e entrei outra vez.
Não tinha nada de hobby ali. Ninguém estava por diversão. E ninguém era insubstituível.
O estúdio era grande, colorido demais, quente demais. Gente com fone pendurado no pescoço, prancheta, laptop aberto, ouvido treinado. Aquele tipo de profissional que escuta erro antes de você perceber que errou.
Eu tinha vinte e nove anos.
Aos dezoito, diziam pra eu largar essa mania de passar o dia com uma guitarra. Diziam como se fosse uma fase de adolescente.
Nem imaginavam que eu passaria dez, doze horas com ela pendurada no ombro e um contrato inteiro dependia de eu não falhar em nenhum detalhe.
Cheguei aqui do jeito que gente como eu chega: indicação em cima de indicação, nome passando de boca em boca, alguém apostando em mim quando eu ainda não era aposta segura. A artista queria uma mulher na banda. Eu era uma mulher. Brasileira. E eu tocava guitarra como ninguém.
O "única brasileira" vinha antes de qualquer outra coisa. Às vezes eu sentia o sotaque pesar mais que o instrumento.
No começo era engraçado. Uma marca exótica que rende conversa.
Depois vira um... digamos que um "lugar". O lugar da que é "diferente". O lugar da que você precisa provar, todo dia, que não está ali por acaso.
Eu não era guitarrista principal. Ainda.
Mas eu também não tinha atravessado um continente inteiro pra virar decoração.
Contribuí com ideias nas composições novas. Pouco. O suficiente para me manter útil, não o suficiente para parecer ameaça. A dança fina entre se impor e não virar problema.
E eu tinha uma coisa que eles percebiam, mesmo quando eu tentava esconder: eu entendia a vibe dela. Não por teoria. Por instinto.
Talvez fosse isso que me mantinha ali.
O resto da minha história não cabia em frase. Nem era uma história bonita.
Aos vinte, saí do interior do Brasil e fui pro Rio, depois São Paulo. Fiz o que dava, o que precisava, o que eu jurei que nunca faria. Dormi em lugar onde o chão era a única certeza. Entrei por portas que não tinham janela. Saí por outras que tinham cheiro de medo.
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Take me to your planet
FanfictionLauren sempre chamou atenção. No palco, na forma como toca, na maneira como ocupa o espaço, e ao deixar claro, até mesmo nos pequenos detalhes que era maior do que a própria beleza e de que qualquer solo bem executado. Não era uma questão de se ela...
