Ao lapso da memória

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Eu era acostumada a caminhar por toda parte dessa cidade, quando criança costumava brincar com os gêmeos de cabelos curtos e brancos, chamava o mais brincalhão de neve e o mais seco de nuvem acreditava que o mais seco fosse igual a uma nuvem...densa porém carrega alguns sentimentos, o outro costumava brincar bastante, normalmente não costumava brincar com eles uma brincadeira em específico, lutas de espada, eram brutos de mais quando tentei na primeira vez lembro de ter voltado correndo para casa com o nariz sangrando pelos golpes de vergil

Eram lembranças boas, agora o que restou do velho campo São apenas flores mortas em um chão de terra tingido de tristeza, angústia e carmesim que sutilmente era iluminado pela inocência luz do luar, talvez eu ainda goste desse local

Apoiei minha espada no chão na esperança de que tudo iria cessar...talvez uma falsa esperança ilusória delimitando a minha humilde mente humana fraca, quando perdi a esperança....

Meus amigos....ouvi de longe gritos e rugidos estranhos vindo da casa da família esparda, minha mãe me levou para longe enquanto via a casa dos meus amigos sendo consumidos pelas chamas, lembro do calor e da tristeza....não tinha muitos amigos, nunca entendi como nosso mundo começou a se perder em meio ao caos a sensação era sufocante da importância em meio a toda desgraça

Hoje luto para me manter viva, salvar as vidas que ainda restam em meio a escombros e demônios, observei um pouco a herança de família em seu estado precário porém tão afiada quanto uma obsidiana, nunca soube se ela tinha um nome porém a chamava de cortadora de neblina, a lâmina é prata porem opaca pelo tempo sua guarda obtinha uma estranha tonalidade vermelha com preto com o cabo torcido, sempre admirei sua beleza, minha linha de pensamento foi cortada quando ouvi algo como dentes se arrastando uns contra os outros, sabia exatamente o que era, me levantei com um sorriso singelo pela lembranças e logo me livrei do demônio, um corte certeiro sem dar brechas para reação, enfim unificando o sangue junto aos outros
Procurei uma flor no meio da mata próxima e a levei a casa dos meus amigos, olhando para aquele quadro que por sorte pouco foi poupado pelas chamas eu olhei com tristeza, aquela imagem nunca mais saiu da minha cabeça a chamas consumindo a casa e as sobras sendo a cessação dos gritos agonizantes para o silêncio ensurdecedor com um único som de fundo das madeiras sendo consumidas

Minha vida era apenas isso, caçar e guardar recursos, havia "construído" um abrigo subterrâneo, por sorte era grande e organizado pela minha mãe e eu, costumava ter muitas brigas no local, porém nunca foi um problema separar, a ordem era mantida, sempre se mantendo na mesma rotina monótona, de longe olhava aquela árvore gigante, eu prometi a mim mesma que iria cortar o mal pela raiz

Uma coisa estranha estava acontecendo no centro da cidade caminhava tranquilamente até lá, em meio a ponte vi corpos perfurados, uma cena um tanto normal para mim, mais que ninguém eu gostaria que fosse mentira, depois de um tempo foi se tornando tolerável e mais um motivo para acabar com tudo,
Ouvi sons de demônios o barulho irritante porém específico estranhamente sendo sessado, observei a minha volta porém não havia nada, corri em direção ao som e vi um jovem de cabelos brancos...algo se acendeu enquanto o observava de longe reclamando com outra mulher, era cabeça quente pelo visto e também imprevisível...vergil? Corri até lá não dei muito tempo para pensar, era quase impossível não notar minha aproximação, o vi sacando uma arma e apontando em minha direção me fazendo parar, aquela tensão foi interrompida pela garota que "gentilmente" bateu na cabeça daquele garoto e enfim os dois voltaram a discutir

-vergil?

Os dois pararam de brigar e quase juntos voltaram seu olhares para mim com dúvida, meu olhar se voltou para o estranho braço do garoto em minha frente e então eu saquei a minha espada apontando para o garoto

- que forma sútil de dar um olá...olha se você pensa que vou te machucar sinto em te informar que estamos no mesmo time... te conheço a um tempo - disse o garoto
- Na real ele te estudou ah meses - a garota complementou
- Sabe que não precisa contar os detalhes nico! Eu sou Nero e você creio que é aika

Me assustei ao pensar que aquele homem era meio demônio, ficamos um tempo conversando sobre os assuntos mórbidos da cidade e enfim tomamos um rumo ao...destino familiar?

Antes de tudo decidi passar em um lugar em específico, de longe pude observar um ser de capas, sua roupa parecia suja e um pouco rasgada, me assustei ao ver aquele braço estranho do Nero em suas mãos que sumiram em um piscar de olhos se transformando em uma grande katana corri em direção a figura encapuzada, porém parei ao sentir a brisa gélida de um corte perfeito em direção ao nada, achei que fosse um pinguço qualquer até ver surgindo o corte de um espaço tempo, o ser se virou me observando, o vi lançando um singelo sorriso de canto, porém era notável a falta de estabilidade em seus pés, vi um detalhe em específico...a sensação misteriosa e ríspida, me lembrou uma pessoa...quando eu por um lapso de tempo me distrai eu o vi indo embora e o portal se fechando o levando para o mistério deixando apenas preocupação e desconfiança

Não sabia nada sobre Nero, ainda desconfio dele porém senti algo estranho, um estranho reconfortante, a estranha familiaridade com o desconhecido, comecei minhas buscas por Nero e Nico, o clima estava instável e logo começou uma forte chuva em meio a uma densa neblina foi quando a busca estava extremamente difícil

Raios e espadas Where stories live. Discover now