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𝐂𝐀𝐏𝐈́𝐓𝐔𝐋𝐎 𝟏: 𝐀𝐧𝐨𝐦𝐚𝐥𝐢𝐚

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☆⋆。𖦹°‧★

Doca 47, Narrows Leste - 02h07

A névoa oceânica subia em fiapos, misturando-se ao odor de óleo diesel e peixes mortos. Guindastes imóveis rangiam como velhos relógios e, a cada lampejo do farol distante, a água revelava pequenas ondas iluminadas - para então voltar ao breu pastoso. No parapeito do galpão incendiado meses antes, Robin agachou-se, capuz recolhido, olhos protegidos pelas lentes verdes que vasculhavam as leituras projetadas na viseira interna.

Batman (comunicação criptografada):Robin, sinal de radiação gamma‑K disparou há quarenta segundos. Anomalia estável, quatrocentos metros a sudoeste da sua posição. Nenhuma câmera pública ativa na área.

Ela inspirou, sentindo o ar salgado invadir os filtros da máscara.

 Entendido. Indo a pé. — respondeu. — Gosto de ruas sem olhos. —e deslizou pelo cabo-guia, aterrissando num contêiner vazio com leveza felina.

Movia-se como sombra com sede de velocidade: corria, rolava, escalava,  gestos ensinados por Cassandra, aperfeiçoados noite após noite nos telhados da cidade. A chuva nos chapéus metálicos do cais abafava qualquer ruído de seus passos.

Batman:Anomalia está no intervalo de maré zero. Atenção ao piso escorregadio.

 Nem me lembre. Ainda sinto o ombro da última vez que derrapei aqui. — murmurou, com um leve sarcasmo que Bruce já reconhecia como sinal de domínio sobre o medo.

O chão de madeira apodrecida cedeu sob o pé esquerdo, mas ela se lançou para o seguinte, seguindo por um corredor entre contêineres empilhados. Abriu o visor térmico: nada vivo à frente. Ainda assim, o alerta gamma‑K piscava em vermelho na margem do display.
Chegou à orla, um desnível de rochas escuras onde as ondas quebravam sem ritmo. O sinal vinha dali, ou muito perto. Avançou com o bastão telescópico em mãos, a capa curta recolhida nas presilhas.

O primeiro lampejo diferente foi... azul.

O coração bateu fora do compasso. Entre duas pedras maiores, algo refletia fraco sob a garoa. Desceu com cautela, sentindo a água gelada bater nas botas. O comunicador chiou com estática.

Batman: Perdendo qualidade do canal. Robin, relate sua posição.

Nada.

Através dos pingos, distinguiu finalmente a forma: corpo deitado, não muito maior que ela, roupas rasgadas como após uma luta intensa. Sujo de lama, encharcado e... sangrando.

O tordo ajoelhou-se devagar com o bastão em guarda. Uma rajada de vento afastou seu capuz, revelando o cabelo ruivo escurecido pela umidade e as lentes da viseira captaram micro-pulsos energéticos emanando do peito da figura caída.

Ela focou no ponto mais brilhante... e o mundo ficou subitamente silencioso. No uniforme surrado pela água, ainda visível apesar dos danos, brilhava o símbolo curvo e inconfundível: o escudo da Casa de El.

A voz de Batman surgiu entrecortada no fone, mas ela já não escutava. Engoliu em seco - todas as lições sobre manter a cabeça fria ecoavam na memória, mas o choque era real. Robin ativou o microfone, olhos fixos no emblema.

— Tenho contato novamente... — disse. — Encontrei o alvo.

O comunicador estalou e morreu sob uma interferência desconhecida. A tempestade se intensificou, chicoteando a capa preta. A garota firmou o bastão com a mão direita enquanto a esquerda, trêmula, se aproximava do símbolo cravado no peito da desconhecida.

Robin: Tríade Do Caos Stories to obsess over. Discover now