𝟎𝟏

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📝 Aviso da autora:

Oi, gente! Voltei com os heeki! 💙
Como comentei antes, eu resolvi excluir Redescobrindo Minha Voz, a história estava sem uma estrutura sólida, faltava planejamento e isso acabou pesando na fluidez da narrativa. Mas, como prometido, aqui estou eu com uma nova versão!

O tema e a essência continuam os mesmos, só que agora com um novo espaço-tempo, mais bem pensado e, claro, com muito sentimento envolvido.

Então é isso... Heeki está de volta, de cara nova, mas com o mesmo coração. Boa leitura! 💫
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Ni-ki aprendeu a responder com um sorriso toda vez que diziam:

— Ah, você é o amigo do Jake, né?

Era automático. Um sorriso curto, sem dentes, um aceno leve de cabeça. A resposta de quem já ouviu aquilo tantas vezes que virou protocolo. Como se isso bastasse pra defini-lo. E, no fundo, ele mesmo acreditava.

Ser "o amigo do Jake" virou a moldura pela qual todos o enxergavam. Como se ele não fosse um quadro por si só. Como se não houvesse cor por trás do vidro. Como se ele estivesse ali só pra sustentar a obra principal.

E Jake… Jake era a obra.

Com seu sorriso fácil, cabelo perfeitamente bagunçado e a confiança de quem sabe que sempre vai ser o centro das atenções, ele andava por aí como se o mundo fosse um palco. E, de certo modo, era. Jake não pedia espaço. Ocupava. Era impossível competir com ele. E Ni-ki nem queria competir. Só queria ser visto, não como acessório, não como sombra, mas como alguém inteiro.

A relação dos dois parecia equilibrada aos olhos de fora. Jake fazia piadas, jogava o braço sobre os ombros de Ni-ki e dizia coisas como "não sei o que seria de mim sem esse cara". Por um instante, Ni-ki se sentia especial. Mas a sensação evaporava quando Jake completava: "Ele é meu fiel escudeiro", rindo como se fosse carinho. Era o tipo de piada que todos achavam inofensiva. Menos quem era o alvo dela. Ni-ki ria junto. Aprendeu. Engoliu. Aceitou o papel.

As decisões do grupo, Jungwon, Jay, Sunoo e Sunghoon, quase sempre passavam por Jake. Parecia natural deixar ele decidir. Afinal, Jake sempre tinha a ideia mais empolgante, a palavra mais convincente, a proposta mais divertida. Mas, aos poucos, os outros começaram a perceber o que Ni-ki ainda ignorava.

— Por que você mudou de ideia? — perguntou Jungwon, numa tarde qualquer no terraço da escola.

Tinha sido Ni-ki quem sugeriu empolgado a exposição de arte dias antes. Mas, naquela manhã, Jake disse preferir assistir a um jogo de basquete. E Ni-ki trocou de lado sem questionar.

— Sei lá… basquete é mais animado — ele deu de ombros.

— Mas você tava animado com a exposição, lembra?

Ni-ki hesitou. Lembrou. Mas também lembrou do olhar de Jake ao ouvir a ideia:
“Sério que você quer ver quadro em vez de jogo?”

Não foi grosso. Nem debochado. Mas foi o suficiente.

— Nem ligo tanto assim — murmurou, tentando parecer convincente.

Mas Jungwon não engoliu. Nem Jay, que foi direto em outro momento:

— Você já notou que o Jake nunca te deixa terminar uma frase? Ele sempre te interrompe, muda de assunto, fala por cima.

— É só o jeito dele — Ni-ki tentou, num tom mais defensivo do que gostaria.

Entre Sombras e Luz•°HEEKIHistórias para pegar e não largar. Descubra agora