[28/04/2013 - domingo]
Depois de muito insistir, deixei que Michael me ajudasse com a louça.
Michael acabara de secar o ultimo copo e se encostou na pia, me encarou, e não posso deixar de admitir que já estou o olhando a bons minutos.
- Acho que já está na minha hora.
- Passa a tarde aqui comigo. - pedi sem me importar com muita coisa além do fato de que eu queria que ele passasse a tarde comigo.
- Eu disse pra minha mãe que não demoraria. - eu sei que isso não passa de uma desculpa, pelo que conheço, sei que sua mãe não se importaria caso Michael decidisse passar a tarde aqui.
- Simples, ligue pra ela e diga que vai passar a tarde com seu médico preferido. - disse abrindo meu melhor sorriso.
- Mas quem disse que você é meu médico preferido? - Michael cruzou os braços sobre o peito, emburrado.
- Eu disse. - afirmei com certeza - e então, vai ligar pra ela ou não?
- É sério Luke, eu não quero te atrapalhar. - Michael tentava a todo custo escapar, eu não pretendo o deixar fazer isso, já que eu não consigo o ajudar como seu médico, quem sabe como seu amigo. Michael atrai minha atenção e curiosidade e esse tipo de coisa não se pode ignorar.
- Me atrapalhar? Michael caso você vá embora eu vou me enfiar no meu quarto e trabalhar a tarde inteira, você está me fazendo um favor. - Michael se deu por vencido.
Eu o observei pacientemente, enquanto Michael deslizava seus dedos rapidamente pelo celular, mandando um rápido aviso pra sua mãe.
Caminhei até a sala e Michael me seguiu em completo silencio, sentamos no sofá lado a lado, com apenas o som da televisão ecoando pelo cômodo.
- Posso te perguntar algumas coisas? - perguntei e Michael me olhou irritado. Eu já não me importo com isso, se tornou rotina.
- Não estamos em uma consulta. - o mais novo rebateu.
- Eu sei Mike, eu só quero ser... um amigo. - dei de ombros. - eu posso?
- Tudo bem. - Michael desviou os olhos pra televisão.
- Por que não se da bem com seu pai?
- Ele não é meu pai! - arregalei os olhos com sua mudança de tom repentina, enquanto Michael me olhava pelos cantos dos olhos. - Quer dizer, meu pai morreu, ou sumiu, ou qualquer coisa do tipo quando eu ainda era muito pequeno e minha mãe começou a se envolver com essa cara e como ele foi o único que eu pude chamar de pai. - ambos ficamos em silencio e eu ainda espero pela sua resposta. - Ele não é uma boa pessoa. - O olhei e me arrastei pelo sofá ficando mais próximo de Michael. - Porque ele não é bom com ninguém. - decidi que não falaria mais sobre o pai de Michael, posso ver claramente o menino ao meu lado ficando cada vez mais irritado, e não o irritado que eu me referi anteriormente, o repentino que não dura mais que alguns segundos, o vi ficando irritado com uma raiva que parece se arrastar por longos anos.
- Você é bem próximo da sua mãe pelo o que eu pude ver. - pude ver Michael forçar um sorriso.
- Ela é maravilhosa.
- Tenho certeza que sim. - voltei a me afastar, devagar. - E você tem algum amigo além do Ashton? - me encolhi, já esperando que Michael gritasse comigo.
- Você... eu acho. - Michael parecia indeciso em sua resposta e eu ridiculamente feliz, é um bom começo, não é?
- E você confia em mim como confia nele?
- Menos Dr. Hemmings. - Michael disse rindo brevemente e levei isso como um não.
- Tudo bem temos bastante tempo. Posso te fazer uma pergunta um pouco mais... chata?
- Se eu falar que não vai fazer diferença?
- Você vai aceitar o tratamento? - Me inclinei em sua direção e Michael me encarou fixamente, e céus como seus olhos são verdes.
- Me convenceu a aceitar. - juntei minhas sobrancelhas e o encarei confuso, vendo suas bochechas ficarem cada vez mais vermelhas.
- Mas eu...
- Esquece. - Michael me interrompeu, desviando o olhar e eu resolvi que seria melhor deixar o assunto para nossa próxima consulta.
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Save Me ** MUKE
FanfictionMichael Clifford é meu novo paciente e eu me sinto na obrigação de o ajudar. Revisada e concluída (2020)
