A diretoria era sempre a mesma: grande demais, impecável demais. Os móveis de madeira escura exalavam um cheiro de cera misturado com o perfume caro que Mel usava. As persianas brancas projetavam listras de luz e sombra sobre o tapete cinza, criando um contraste frio que combinava com o tom sério da mulher. Mesmo assim, eu me sentia em casa ali. Não pelo ambiente acolhedor – que não existia –, mas porque já era quase uma extensão da minha rotina visita-la.
— Sala da diretora pelo terceiro dia consecutivo? Você deveria ganhar um prêmio, garota!
A voz ecoou pela sala. O Professor Heimerdinger entrou para pegar uns papéis. Ele era baixinho, tinha aquele jeito meigo e era impossível não gostar dele. Era meu professor favorito – não que eu fosse admitir isso abertamente. Suas aulas eram divertidas, e nas atividades de campo eu tinha carta branca para explodir coisas. Eu gosto de pensar que isso fazia o dia dele mais interessante.
Joguei as mãos para o alto, dramatizando.
— E dessa vez nem foi minha culpa!
Virei a cadeira giratória em sua direção. Adorava essas cadeiras, principalmente porque irritava Mel quando eu ficava girando sem parar. Heimerdinger levantou uma sobrancelha, claramente duvidando da minha inocência.
— Tá! Foi minha culpa. — Cruzei os braços e revirei os olhos. — Mas ela não sabe disso.
Foi quando a voz autoritária e cheia de sarcasmo de Mel cortou o ar.
— Não sei de quê, senhorita?
A diretora entrou na sala como sempre, com passos firmes e controlados, como se fosse uma rainha entrando no salão do trono. Ela tinha um ar que fazia qualquer um se endireitar só de estar no mesmo ambiente. Sentou-se à sua mesa com a postura impecável de sempre, cruzando as mãos com elegância.
— Começa a falar, encrenqueira.
— Qual é, Mel! Você é praticamente minha madrinha! Eu nunca faria isso.
Um sorriso puxou os lábios dela, enquanto Heimerding soltava um risinho abafado. A ironia estava evidente.
— Então o laboratório explodir em rosa e azul não foi sua culpa?
Suspirei. Não havia escapatória. Até quem não me conhecia sabia que era obra minha. A verdade era que eu tinha planejado aquela explosão para acontecer quando eu já estivesse longe, mas algum idiota resolveu mexer no meu canto do laboratório.
Antes que eu pudesse tentar qualquer desculpa esfarrapada, a porta se abriu.
Silco entrou, como sempre, com aquele ar autoritário que fazia todo mundo prestar atenção. Atrás dele, veio Luxanna.
Não acredito nisso. Murmurei para mim mesma.
Minha ex?!
A tensão no ar era palpável. Antes que eu pudesse reagir, Mel começou a falar como se fosse mais uma reunião qualquer.
— O Silco concordou em seu acompanhamento em tempo integral com uma das melhores alunas da academia e...
— Licença, Mel. Mas eu me recuso a trabalhar com ela, e eu sou uma das melhores.
Luxanna interrompeu, com aquela postura perfeita que sempre me irritou. Eu sabia que ela não fazia por mal, mas parecia impossível que ela conseguisse existir sem ser insuportável.
— Não de comportamento.
Eu olhei para Silco em busca de ajuda. Ele sempre estava do meu lado, mas, dessa vez, ele parecia tão surpreso quanto eu.
— Diretora, poderia mudar? — Ele tentou, em um tom calmo, mas sério.
Mel balançou a cabeça, impassível.
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Garota Problema (TimeBomb) | Jinx x Ekko
Fanfiction(Créditos da capa) As vezes tudo o que precisamos é que nos mostrem o caminho certo. No caso de Jinx, alguém que acompanhe ela para que ela não saia correndo. Mas não precisava ser o garoto que odiava ela. Era isso que ela achava, ao menos.
