O plano perfeito

8 2 0
                                        

'Eu, Theodore Tillman, vou me tornar o rei de Lightland e transformar nosso país. Hoje vou enviar um elfo das trevas com uma arma experimental para capturar Isabelle Isis, a filha mais nova do Rei. Então negociarei o seu resgate em troca de um título de nobreza e irei conquistar a confiança de meu rei, Markus Martisis, e tomarei seu trono.'
Foi o que Theo escreveu numa folha de papíro, um papel amarelado feito com fibras de plantas, e deixou ao lado de sua cama para ler todos os dias e ter foco em seu objetivo. Hoje é o dia em que este grande planos está prestes a acontecer.
Theo, virou a noite ansioso e saltitante enquanto esperava pelo retorno do elfo que ele contratou. A sua mente implorava para que ele se levantasse, colocasse suas roupas vitorianas mais requintadas, sentasse em uma cadeira com uma pose intelectual enquanto encarava a porta da frente ensaiando mentalmente o que diria quando aquela porta se abrisse.
Nesta mesma madrugada, o elfo estava analisando como faria isso. A jovem princesa morava em um castelo que pudia ser visto de centenas de quilometros. Era protegido pelos mais poderosos magos intelectuais, arqueiros de elite, armadilhas mágicas de todo o tipo e criaturas milenares e sanguinárias. O plano que ele recebeu para invadir era raptar a garota com uma arma mágica  depois de usar 6 magias com pergaminhos: uma magia de invisibilidade, uma magia de invisibilidade mágica, uma magia para saltos super altos, uma magia para velocidade, uma magia para não fazer barulhos e uma magia para teleportar para a casa do alquimista depois do rapto.
Sem que ninguém suspeitasse, o elfo estava ao lado dos muros do grandississimo castelo de Lightland, sem hesitar ele usou as magias dos pergaminhos e pulou pelos muros, saltou entre lanças de cavaleiros, se pendurou em janelas, quase derrubou algumas telhas, enquanto abaixo dele, o reino todo pudia ser visto. Em alguns instantes ele estava a poucos metros da torre em que Isabelle dormia. Ele usa sua arma, era parecida com uma dentadura, toda feita de ferro, presa em uma corrente. Ele segura a corrente e joga contra a torre essa dentadura que cresce e morde o quarto inteiro, arrancando a ponta do castelo e alarmando todo o exército do reino. A dentadura encolhe com a jovem princesa dentro, o rapto foi um sucesso.
Em segundos, uma chuva de flechas cobre o luar e gela o corpo do elfo, que se joga daquele castelo com a esperança de conseguir usar a magia de teleporte antes de cair. Ele pega o pergaminho de teleporte e tenta ler para usar a magia, mas o vento da queda livre torna quase impossível ler alguma coisa. Uma flecha atinge seu braço, o que o faz soltar o pergaminho. Em desespero ele tenta nadar pelo ar, e é atingido denovo na perna, ele pega o pergaminho com as mãos tremendo. O chão parece cada vez mais próximo, mas ele não vê o chão, ele só vê a morte se aproximando. Ele consegue segurar o pergaminho sem tremer e diz gaguejando:
- INS-INSTANTUS LOCALES!
Preto.
Vazio.
Uma luz aparece na sua visão, ele não sente seu corpo, não ouve nada. 'eu morri?' ele pensa.
-Acorda Philip. Já deu cara. - Diz Theo.
Philip era o nome do elfo das trevas, que tentava abrir os olhos. Depois de alguns minutos ele abre os olhos e se encontra num sofá de pele de cordeiro, com bandagens na perna e no braço, enquanto Theo o encara.
-Deu tudo certo? - diz Philip com a voz fraca.
- Não. Você devia ter falado "TELEPORTUS CORPUS" para teleportar, mas falou errado e morreu. -ele diz com uma cara triste, mas depois dá uma risada e fala feliz - BRINCADEIRA! Como eu sabia que você erraria, eu fiz um teleporte para o exato momento que você estivesse a 10 metros do chão. Deu tudo certo.
Philip desmaiou achando que tinha morrido e não ouviu o resto.
Theo percebe que vai levar mais algumas horas para que o elfo volte pra casa, então ele vai para cozinha, e começa a descascar várias batatas com uma faca que ele mesmo fez. Aquela cozinha com paredes de madeira e mobílias cheias de entalhes, parecendo uma casa de vó, traz uma calma e um calor no coração. Depois de descascar ele coloca em uma bacia de madeira. Ele corta algumas ervas, e coloca na mesma bacia e mistura elas com carinho. Depois coloca em uma forma de metal num forno de tijolos. Ele joga um slime inflamável de um frasco nas madeiras embaixo do forno e acende raspando aquela faca em uma pedra.

Enquanto isso, no porão, Isabelle Isis acorda com dores nas costas, em sua volta ela não consegue ver muita coisa, tem um lampião em cima de um pedaço de couro em uma cadeira ao seu lado. Ela tenta pegar, mas antes que alcance, suas mãos travam. Ela está acorrentada pelas mãos, por uma corrente presa no chão. Um medo repentino atinge seu peito enquanto centenas de perguntas surgem quando ela percebe a situação.
"Onde eu estou??", "O que aconteceu?", "Eu fui sequestrada?", " Isso é um pesadelo?"
A melhor ideia que ela teve foi gritar por socorro e esperar alguém, mas o medo de que apareça algum psicopata que vá torturar ela pelos crimes de seu pai nas antigas guerras impediu que ela falasse qualquer coisa.
"O que eu faço agora??" Ela pensa, quase surtando. Seu corpo está frio, o chão é duro e está começando a ficar desconfortável. Ela sente fome e vontade de chorar, em volta não consegue ver nada além de uma estante, mas não há luz suficiente para ver nada nela. Quando ela sente que não tem como ficar pior, ela sente um cheiro maravilhoso de batatas cozidas aumentando. Mas uma luz aparece e revela uma escada um pouco distante, nela desce Theo com uma camisa social branca, um colete preto e uma calça preta, cheio de acessórios de couro e com um prato. Enquanto ele se aproxima, Isabelle treme de medo ao som de seus passos firmes no chão de madeira que range.
Ele se aproxima aumenta o fogo do lampião, iluminando todo o cômodo e revelando seu rosto sorridente e seu cabelo castanho um pouco longo, encarando-a. O que aquece o seu coração e arrepia seus pelos. Ele diz com uma voz um pouco grossa e carinhosa:
-Você deve estar com fome, por favor, coma. Não vou te incomodar.
Ele se abaixa e deixa o prato próximo dela, até a forma que ele se abaixa parece um gesto de um cavalheiro. Ele levanta o rosto e por um instante eles cruzam olhares. O corpo de Isabelle trava, ela sente calafrios nas suas costas e sente suas bochechas quentes ao ver um jovem tão carinhoso tão próximo. Já que no castelo, ela mal via homens, principalmente sorrisos. Todos eram frios e suas risadas eram tão falsas quanto suas palavras. Mas aquele sorriso atravessou suas costelas e deixou seu coração quentinho e feliz, mas com uma pontinha de dor e medo.
Num instante ele sai do porão.
Isabelle ficou paralisada e não conseguiu siquer se mover enquanto ele estava por perto. Uma confusão entra em sua mente depois de ver o gesto fofo do homem que a sequestrou. "ISSO É BOM OU RUIM?" Essa frase grita em sua mente, que tenta entender se esse é o início de uma tortura, e logo ela se tornará uma escrava ou se ela acabou de conhecer o amor de sua vida. Ela só viu seu rosto por alguns instantes, mas para ela, parecia que ele havia se sentado e conversado por horas com ela. Era como se eles se conhecessem a anos. Mesmo que ela nem soubesse seu nome.
Sua barriga ronca.
Isabelle lembra que está com fome e come as batatas cozidas que derretem na sua boca. Foi a melhor refeição que ela já comeu. A cada mordida ela imagina aquele homem preparando as batatas com um sorriso no rosto e fazendo tudo com carinho, para o almoço dos filhos dos dois. Algumas lágrimas escorrem de imaginar algo tão distante, mas tão belo.

Ela esquece completamente que foi raptada e pensa "Será que ele gosta de mim?".

 O alquimista Stories to obsess over. Discover now