Azul escuro

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Meu amor, quando estiver lendo estas palavras eu já terei deixado este mundo.

Eu não vou repetir aqui tudo o que você já sabe, tudo o que eu pude escrever para você nas outras cartas ou durante todos esses amos que passei sentindo o seu calor.

Eu quero lhe agradecer por sua dedicação. Esses últimos dias no hospital teriam sido um pesadelo se você não estivesse ali. Graças a você, eu vou tranquila, eu nunca agradeci suficientemente ao céu por ter lhe encontrado.

Eu pedi a minha mãe que colocasse, para você, o que eu tenho de mais precisos: os meus diários.

Eu quero que eles fiquem com você, neles estão as minhas lembranças de adolescência coloridas de azul.

Azul escuro

Azul celeste

Azul Klein

Azul ciano

Azul ultramarino

...

O azul se tornou uma cor quente

Eu te amo Becky, e você é a razão da minha vida.

Assinado

Freen

12 de outubro de 1994

' querido diário, hoje foi o meu aniversário, eu fiz 15 anos e você é o meu presente que minha vó me deu!

Eu já tentei escrever um diário várias vezes, mas juro que, desta vez eu vou levar a sério!!!

Eu estou no primeiro colegial, foi bom ter saído do campo, além disso, laços verdadeiros começam a nascer entre eu e e minhas amigas, amizades muito fortes e eternas''

-Freenn!!!o professor de matemática faltou, isso é demais –disse minha amiga Yuki correndo em minha direção sem prestar atenção nos demais no corredor da escola.

-É, mas na verdade...a gente só vai ter mais uma hora para comer antes da aula de história e geografia... só isso – Magie sempre era pessimista ao máximo, o que deixava Yuki furiosa as vezes.

-Pois é Magie! A gente não vai ter indigestão com aquelas equações sem nexo!

(*)

Estávamos no refeitório, com todo o tempo que tínhamos vago e eu aproveitei para ler meu livro de poesias calmamente, até que minha colega da aula de história Amanda me tirou da minha leitura.

-Ô Freeny! Aquele cara do terceiro ano que não para de te olhar acabou de passar de novo.

Olhei por um instante e esbocei um leve sorriso, era bom ser notada por alguém, era bom chamar um pouco a atenção.

Após o termino do almoço fui até o meu armário para pegar os livros da próxima aula, mas como sempre me assustei com a droga do alarme e derrubei todas as folhas do meu armário que mais parecia um caos. Me abaixei para pegar minha bagunça antes de me atrasar e notei alguém se abaixando para me ajudar.

- Me desculpe... eu realmente estou com pressa e não prestei atenção ...eu realmente sinto... muito...

Levantei para ver quem me ajudava e lá estava ele, Kirk o carinha do terceiro ano

-Não foi nada, eu estava quase dormindo e precisava de um pouco de adrenalina! Então, valeu

Ele tinha olhos gentis

-Estou vendo que você gosta de ler, em Inglês além de tudo.

-Você está em que ano afinal?

-No primeiro, e você?

-No terceiro.

Acabei me distraindo mais ainda porque Kirk me olhava como seu eu fosse uma estreia de um filme ao qual ele esperava muito.

-Muito Obrigada.

-Mas você com pressa e eu não quero te atrasar mais. A gente podia bater um papo mais tarde, se você quiser. Aliás, como você se chama? O meu nome é Kirk.

-Meu nome é Freen.

-Eu sei...

27 de outubro de 1994

Hoje eu tenho um encontro com o Kirk. Todas as minhas amigas me pressionam para eu sair com ele, mas os únicos motivos que elas me dão é que ele é supergato e está no terceiro ano.

Meu coração começa a bater rápido demais quando eu penso no que vai acontecer. Acho que estou com medo... não sei o que vai acontecer..., mas eu tenho a sensação de que hoje é um dia importante.

Kirk ainda não havia chegado e eu estava em frente a lanchonete em que combinamos de nos encontrar quando ela passou. Uma garota de cabelos azuis e olhos negros, ela estava de mãos dadas com outra garota, mas seu olhar estava fixo em mim e eu senti uma eletricidade percorrer meu corpo por inteiro.

Os problemas dos adolescentes são banais aos olhos dos outros. Mas quando a gente se sente sozinha, de mãos atadas, como tomar uma decisão?


Becky - tempo presente

Escuto alguém bater a porta e me tirar da leitura do diário de Freen. Provavelmente é a mae dela Mary ,mesmo nunca tendo me aceitado ela era um pouco mais gentil que o pai de Freen.

-Eu fiz café para você, Rebecca.

-Muito obrigada, Mary.

-Desculpe o meu marido, você sabe como é difícil para ele entender o seu lugar na vida da nossa filha, eu não acho que ele vai aparecer antes do jantar.

-Basta dizer para ele que, se eu fosse um rapaz, a Freeny teria se apaixonado por mim do mesmo jeito.

Mary se assustou com minha afirmação.

- Ah...bem... deixa pra lá. De qualquer jeito esse tipo de ideia não leva a lugar nenhum Mary.

A mulher saiu calada, me deixando novamente sozinha no quarto que pertencia a minha garota.

Dei mais um fora com a sua mãe... Eu nunca esqueci a ''moreninha da grand'palace'' . Cada vez que eu pensava em você, cada vez que eu atravessava aquela avenida em frente a lanchonete, era assim que eu lhe chamava.

Se eu soubesse que a gente não teria tanto tempo ... eu não o teria desperdiçado naquela época.

Aquele Kirk veio para o seu enterro, você sabe...

Freen

Naquele dia, passei a tarde com Kirk mas a menina de cabelos azuis não saiu da minha cabeça. Em vários momentos ainda a vi passar algumas vezes com a outra garota. Quando cheguei em casa tentei deixar a lembrança da garota de lado, deitei em minha cama mais cedo para dormir, mas tudo que eu via eram aqueles olhos castanhos me olhando com se vissem através de mim, através da minha alma. Aos poucos senti meu corpo aumentar a temperatura, e a garota que estava nos meus sonos ganhou forma ao meu lado, explorando meu corpo com suas mãos macias ... minhas pernas... coxas... seios. Então acordei, suada e excitada ... Mas o que está acontecendo comigo?


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