Capítulo 1 - Rock Lee

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Abri os olhos para encarar o teto da minha casa e foi como se eu tivesse sido atropelado por um caminhão.

Ugh... exagerei?

Não seria a primeira vez, mas é péssimo de toda forma e eu não gostaria de perder um dia inteiro desse jeito.

Só que eu não estava treinando. Não estive treinando. Estava deitado, acordado, e ainda não havia amanhecido. Eu também não estava em minha cama.

Ao meu redor havia um relógio tiquetaqueando como um louco em algum lugar, nas minhas costas uma mola errática que pressionava o mesmo ponto por um tempo chato. Ergui a mão para fazer sombra e a luz do lustre espetou agulhas por trás dos meus olhos. E os meus olhos..

Minha pálpebra pesou para levantar. A esquerda. Ainda levei um tempo para acostumar com estranhezas, até o entendimento lentamente preencher os meus espaços vazios.

Isso é muito pior que uma fadiga muscular.

Engoli poeira sobre a língua, minha boca seca igual deserto, e tentei levantar de uma maneira que não terminasse de derrubar minha cabeça de cima do pescoço.

Dizem que bebida amortece. Conversa fiada.

Sei que pode causar sono. Causar náuseas e dores de cabeça, e dramáticas mudanças de humor, eu sei de tudo isso. Mas também sei que não alucinações. Nunca alucinações.

Assim eu aceitei quando a casa girou sozinha depois que levantei rápido demais, mas isso não explicava porque ele estava sentado na poltrona do canto da sala, quieto como defunto, a me observar. E estava tão bonito quanto eu me lembrava.

— Pensei que você tinha ido embora...

Gaara permanecia enraizado em seu lugar, apenas seus olhos em cima de mim.

— E como eu poderia? Como se sente?

Sua voz soou baixa, em receio de que um som muito alto pudesse me machucar.

Tinha razão.

Ri fracamente assim que confirmei com a língua que todos os meus dentes ainda estavam presos na gengiva.

— Parece que caí da janela do primeiro andar. O que aconteceu?

— Você não lembra? — diante o meu silêncio confuso, ele fez a própria pergunta de retórica e continuou — Você se meteu em uma briga com o aluno novo, Kimimaro. Eu arranquei você de lá e trouxe até sua casa. Seus pais não estão, e não quis que ficasse sozinho desse jeito.

Envergonhado, engoli um pouco menos de poeira dessa vez e pude sentir o gosto de bebida e sangue no fundo da garganta. Era só uma festa, uma reunião com alguns amigos... Como foi que acabei assim?

Gaara aguardava alguma coisa, mas sinto que não há nada que eu possa oferecer. Tudo me parece do avesso e eu só queria voltar a fechar os olhos e dormir pelas próximas doze horas.

Cinco horas, retifiquei. Tem treino de manhã.

— Eu... er... Me desculpe.

Meu pedido não soou tão sincero quanto eu pretendi e ele se moveu, vindo para o meu lado do sofá.

— Não precisa se desculpar. Deixe-me ver esse olho. Você já consegue abrir, isso é bom.  — e destacou a pílula de uma cartela que não tinha visto que segurava, estendendo até mim — Beba isso.

— Analgésico?

— É para a ressaca, vai ajudar.

— Obrigado.

O outro lado [GaaLee/ Kakagai]Stories to obsess over. Discover now