One last gift - one shot

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Branco.

Era tudo o que meus olhos podiam ver.

Minha respiração era fraca.

Não porque eu não podia respirar. Eu não queria respirar.

Por que respirar? Por que viver naquele dia?

Novamente a dor me inundava, como se eu estivesse prestes a reviver tudo.

Como se meu pesadelo, sempre o mesmo, fosse se tornar real a qualquer momento.

Não pela primeira vez.

E muito menos pela última.

Uma batida na porta arrancou meus olhos da grossa camada de neve que cobria toda a paisagem do lado de fora de casa. Levei alguns segundos para me desligar de meus pensamentos e saí de perto da janela, caminhando em passos curtos e lentos até a entrada de minha residência. Fechei os olhos brevemente, já sabendo quem encontraria do outro lado da madeira escura, e girei a maçaneta fria.

Todos os anos eram sempre iguais.

- Oi, Unnie! – Dahyun, minha irmã mais nova, me cumprimentou com sua voz aconchegante. Por mais que seus lábios sorrissem para mim, seus olhos não faziam o mesmo. Porque ela sabia, assim como eu.

Todos os anos eram sempre iguais.

- Oi, Hyun-ah...– murmurei de volta, e vendo que ela estendera os braços em minha direção, retribuí seu abraço carinhoso.
- Como você está? – ela perguntou em meio à um afago em meus cabelos, e eu me afastei, dando passagem para que ela entrasse.
- Como sempre... – sorri fraco, ajudando-a a pendurar seu sobretudo no mancebo próximo à porta – Sobrevivendo.

Dahyun soltou um suspiro baixo, olhando-me com desolação, e eu me detive a observar seu belo vestido vermelho. Um corpete muito bonito moldava sua cintura e realçava seu busto, enquanto a saia, que se estendia até a metade de suas coxas, era levemente rodada, dando a ela um ar muito gracioso e sedutor ao mesmo tempo. Os belos sapatos pretos, bastante altos, combinavam muito bem com a fina fita preta que envolvia seu quadril, finalizada num laço discreto do lado esquerdo de seu corpo.

Ela estava linda. Como sempre.

- Você sabe o que eu vim fazer aqui – ela disse, com a voz alta o suficiente para que eu a ouvisse, porém alguém um pouco mais distante não o conseguiria. – Eu não vou desistir. Não dessa vez.

Assim como ela, baixei meu olhar até o chão, sem saber o que dizer. Eu sabia o que ela queria, mas ela parecia não entender o quanto estava pedindo. Eu queria muito poder atender à sua vontade, como sempre me dediquei a fazer, afinal, ela era minha única irmã. Mas ela precisava entender que eu estava passando por uma fase muito difícil de minha vida, e que eu precisava de um tempo para me reconstruir.

Quanto?

Talvez todo o que me restasse.

- Dahyun... – murmurei, sem forças para ser mais enérgica e impor meu comportamento fechado - Por favor. Não me force a te dizer não outra vez.

Ficamos alguns segundos em silêncio, sem coragem de dizer mais nada, e eu ergui meus olhos até encontrar os dela. Suas íris me encaravam com intensidade de sentimentos, todos muito conflituosos. Parecia que, finalmente, ela sabia o quanto estava pedindo.

- Hyo... - ela chamou, com a voz triste, aproximando-se de mim e segurando minhas mãos com delicadeza – Já faz tanto tempo...

- Você sabe que não. – fechei os olhos, sentindo-os encherem-se de água subitamente ao verem os dela cheios de pena. – Você sabe que o tempo não passou para mim.

One last gift Stories to obsess over. Discover now