Surpresa

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Bakugou era uma pessoa que não sabia controlar seus sentimentos, sempre estourado e com crises de raiva, seu ruivinho sabia bem disso.

Kirishima também sabia que seu Pinscher de pavio curto estava passando por dias difíceis, seja em casa ou na pressão escolar. Estava bastante preocupado sobre tudo, já que seu loirinho sempre esteve lá quando passava por momentos ruins e dessa vez era ele quem deveria estar para Bakugou.

O que era um grande problema! Não tinha tantas ideias de como o ajudar, já que convencê-lo a ir até lá era fácil.

O ruivo andou pela casa inteira, pensando e pensando.

— Eu deveria comprar sorvete? Cozinhar algo? — parou de andar quando estava em meio ao próprio quarto, colocando as mãos na cintura — Ele gosta de pizza, com certeza deveria ter pizza! — ergueu o dedo indicador pro alto — Vou pedir 5 pizzas! Ou melhor 10?

Pensou mais um pouco e pegou o celular, mandando mensagem para uma pizzaria que ambos gostavam, onde pediu 5 pizzas.

— Ele pode ficar bravo se eu pedir mais que isso, então 5!

Sorriu orgulhoso após fazer o pedido, agora só faltava chamar seu loirinho, que possuía um contato carinhoso de "meu explosivo favorito", lembrando-se de algo quando viu uma estrela no coração que decorava o contato.

Antes de mandar qualquer mensagem, olhou para um baú onde guardava algumas coisas de quando era criança e foi até ele, o abrindo e vasculhando as coisas, não demorando muito pra encontrar um saquinho cheio de estrelas que brilhavam no escuro, dando um sorriso nostálgico e animado. Amava muito aquelas estrelas, mas não se lembrou de colocá-las no quarto quando se mudou.

Guardou apressadamente as coisas que havia tirado do baú e correu até a cama, subindo nela enquanto começava seu trabalho árduo de colar cada estrelinha em seu lugar, assim também teria tempo para receber as pizzas.

E de estrela em estrela, demorou quase 2 horas para colocar todas que tinha em seu teto e um pouco nas paredes. Nesse meio tempo também havia recebido as pizzas, na qual não ousou abrir nem 1 centímetro das caixas para manter um pouco a temperatura.

Agora, finalmente a parte mais fácil de todas essas, chamar o loirinho que tanto amava para sua casa. Pensou e pensou, sabia que ele provavelmente perguntaria o porquê de ter que ir lá, então fez apenas algo simples.

”SOCORRO!” — Enviou a mensagem, apenas aquela e ficou offline no aplicativo que a mandou, ignorando qualquer mensagem que recebia em respostas, correndo para se preparar para a chegada do seu loirinho.

Não se passou nem 20 minutos para Bakugou chegar chutando a porta e entrando o mais rápido que podia, batendo a mesma ao fechar.

— SEU CABELO DE MERDA- — parou, ao perceber que tudo estava escuro e a única luz que havia ali era a do quarto de Kirishima que vinha pela porta entreaberta.

Katsuki ergueu uma sobrancelha e se aproximou da porta enquanto analisava ao seu redor, queria entender o que diabos estava acontecendo ali.

Quando finalmente chegou na porta, espiou rapidamente pela fresta, vendo que havia alguém embaixo dos cobertores. Sabia que podia ser o seu ruivinho, mas ao mesmo tempo podia ser algum tipo de armadilha. Empurrou a porta devagar, iria se arriscar de qualquer forma, entrando no quarto em seguida de forma cuidadosa.

Aos poucos se aproximava da cama, erguendo uma das mãos para se preparar para explodir qualquer coisa que estivesse ali que não fosse Eijirou. Porém, quando tocou a ponta do cobertor para ergue-lo, foi surpreendido pela pessoa ali embaixo que agarrou sua mão no mesmo momento, o que foi suficiente pra quase causar uma grande explosão.

— AMOR!! — Kirishima saiu de baixo do cobertor com um grande sorriso e ergueu os braços, o que fez Bakugou não ter explodido o quarto inteiro.

Katsuki abaixou sua mão devagar ao cessar seu poder, encarando Eijirou por alguns segundos.

— Kiri... — respirou fundo antes de voltar a sua indignação — MAS QUE MERDA DE IDEIA FOI ESSA DE IGNORAR DEPOIS DE UMA MENSAGEM DAQUELAS?! EU JURO QUE EU VOU EXPLODIR ESSA SUA CARA SE FIZER DE NOVO!

— Eu não fiz por mal! — respondeu, sabendo que não devia ter feito aquilo e puxou o cobertor, mostrando as caixas de pizzas escondidas no cobertor — Eu queria fazer uma surpresa... não queria te preocupar tanto.

O loiro olhou para as caixas de pizza e em seguida voltou a sua atenção para o ruivo, então entendendo o porquê daquilo tudo.

— Está tudo bem. — disse o loiro, ainda com uma cara irritada, mas de tom já mais calmo — Mas não faça aquilo de novo se não quiser ficar sem o que você chama de dentes.

Eijirou sorriu, o abraçando imediatamente e o puxando para a cama para se sentar com ele, fazendo um bico e parecendo um cachorro que caiu da mudança.

— Eu não sabia como te animar, amor, então eu pedi pizza, mas não sabia como te fazer vir sem dizer nada. — Kirishima apertou o abraço.

Bakugou deu uma leve risada, sabia que o seu ruivinho não sabia guardar segredos quando o assunto era presentes para ele e sempre acabava soltando tudo que fazia ou planejava antes de acontecer.

— Eu já disse que está tudo bem, seu idiota fofo do caralho. — disse, retribuindo o abraço de Eijirou e fez um breve cafuné — E não precisava ter se preocupado tanto.

— Precisava! — Eijirou ergueu o dedo indicador, sorrindo — Você já me ajudou muito, eu queria fazer algo também.

Bakugou não deixou de sentir seu rosto ficar um pouco mais quente, dando um beijo no ruivo que passou a acariciar sua bochecha. Ficaram assim por um tempo até que se afastaram para respirar e então Eijirou se lembrou das pizzas.

— A pizza já deve estar fria! — disse Kirishima, pegando uma das caixas enquanto sorria todo bobinho — Eu pedi do nosso sabor favorito e do nosso lugar favorito!

O loiro deu uma risadinha enquanto a caixa da pizza era aberta, não demorou para ambos pegarem suas fatias e começarem a comer.

— O que é aquilo? — perguntou Bakugou, percebendo as estrelas que decoravam o quarto.

— Ah, é mesmo! — Kirishima afastou a caixa de seu colo, ligando o abajur azulado e se levantou da cama em um pulo, correndo até o interruptor do quarto de forma animada — Se prepara!

Eijirou contou até 3 e apagou a luz ao terminar, voltaram para a cama correndo e se sentando ao lado de Bakugou. O quarto ficou azulado pelo abajur, mas ainda assim, dava pra ver claramente o brilho das estrelas no teto e nas paredes. Aquilo passava uma paz — além da presença do ruivo — para o loiro que ficou levemente boquiaberto, que confessava estar sensível naqueles dias.

— O que você achou? Eu queria ver as estrelas com você... — deu um sorriso tímido — Sei que a gente podia ver lá fora as de verdade, mas...

— É perfeito. — Bakugou o interrompeu com um sorriso no rosto, um sorriso sincero que apenas Kirishima podia presenciar.

O ruivo tocou o próprio peito, iria morrer de amores ali mesmo por conta daquele sorriso e não pensou duas vezes ao pular em cima de Katsuki, fazendo com que os dois caíssem no colchão enquanto o abraçava forte.

— Eu te amo! — disse Kirishima, com a cara mais bobinha e apaixonada que o loiro já havia visto.

— Eu também te amo, seu idiota. — Bakugou o olhou nos olhos ao dizer, sorrindo.

Mais um beijo foi iniciado de forma calma e cheia de amor. Katsuki podia dizer que estava no paraíso e que os dias em que esteve mal valeram a pena no fim.

Não demorou para o loiro se afastar e se levantar rapidamente, tirando as caixas de pizzas dali e colocando elas na cômoda ao lado da cabeceira para que pudessem se ajeitar na cama, voltando a se deitar com Kirishima.

Após se arrumarem, ficaram abraçados enquanto observavam as estrelas no teto. As vezes trocavam alguns beijinhos e conversavam, sem tocar em assuntos ruins. 

Ambos estavam felizes. Bakugou finalmente sentia paz dos problemas naquele momento, se sentindo melhor, enquanto Kirishima sabia que conseguiu fazer a missão que tanto queria cumprir.

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