Até que te amei

By SaraSilvaF

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LITERATURA CRISTÃ | TRILOGIA "ATÉ" Livro 2 "Uma das maiores verdades sobre o amor que eu provei e conheci é q... More

Apresentação
Nota da autora
Dedicatória
AMOR
Prólogo
Capítulo 1
Capítulo 2
Capítulo 3
Capítulo 4
Capítulo 5
Capítulo 6
Capítulo 7
Capítulo 8
Capítulo 9
Capítulo 10
Capítulo 11
Capítulo 12
Capítulo 13
Capítulo 14
Capítulo 15
Capítulo 16
Capítulo 17
Capítulo 18
Capítulo 19
Capítulo 20
Capítulo 21
Capítulo 22
Capítulo 23
Capítulo 24
Capítulo 25
Capítulo 26
Capítulo 28
Capítulo 29
Capítulo 30
Capítulo 31
Capítulo 32

Capítulo 27

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By SaraSilvaF

MAYA

Corças ou cervos?

Acordei meio desnorteada e não vi ninguém dentro de casa. Graças a Deus, a tontura já havia passado e eu estava bem melhor. Levantei para tomar uma água e, quando fechei a porta da geladeira, havia uma figura diante de mim. Dei um passo para trás, no susto.

— Bom dia! Como está se sentindo, minha princesa?

O sorriso descomedido de Levi contagiou-me.

— Bom dia. Bem, muito bem, E você?

— A minha vida não importa perto da sua.

Dei uma risada incrédula.

— Que besteira...

Andei até a sala e, pela porta de vidro, vi os três homens pescando. Caleb divertia-se, deixando à vista seu sorriso tão difícil de aparecer. Talvez, por ser tão raro, era ainda mais bonito.

Lembrei-me vagamente da noite anterior e cheguei a cogitar a possibilidade de ter sido apenas um sonho. Não tinha certeza sobre absolutamente nada, pois a sensação era de que eu estive delirando.

Karen apareceu descendo às escadas.

— E aí, querida? Como você...

— Me empresta seu anel, mãe — Levi encurralou-a.

— Guri, vai procurar o que fazer... — desvencilhou-se dele, mas o menino foi rápido e pegou sua aliança.

Então, ajoelhou-se aos meus pés.

— Casa comigo, meu amor.

Dei um sorriso sem graça.

— Esse guri vai ser um perigo quando crescer — Karen tentou levantá-lo.

— Eu já sou um perigo, mãe.

Olhei para sua progenitora e seguramos o riso. Abaixei-me para ficar na mesma altura que ele ajoelhado.

— Levi, muito obrigada pelo seu carinho. Você é um menino muito especial. Posso te dar um abraço?

Seus olhinhos brilharam, quando ele assentiu. Não sei se foi tristeza ou felicidade.

Abracei-o e nos levantamos. Ouvi-o sussurrar, com a voz amassada, antes de me deixar a sós:

— O cara que casar com você vai ser sortudo demais.

Depois disso, os pescadores chegaram. Meu primo acenou para mim e foi na direção de um dos banheiros da parte debaixo da casa. Caio brincou com sua mulher, chamando-a para um abraço com direito à cheiro de peixe e roupa molhada. Fiquei sorrindo, imaginando como era a vida do lado de lá, daqueles que conseguiram um matrimônio feliz. Foi esquisito pensar nisso depois de tanto tempo, quase como um dejavu.

— Bom dia, paz seja contigo.

Estremeci quando percebi Caleb em minha frente. Sentei-me no sofá, após o susto. Ele também ia fazer o mesmo, mas Karen gritou lá da cozinha:

— Nada de cheiro de peixe no meu sofá!

— Ah sim, desculpa! — ele deu um sorriso sem graça.

Apontei para a cadeira de plástico perto dali e Caleb sentou-se.

— Amém, bom dia. — consegui dizer, sem fitá-lo diretamente nos olhos. Busquei observar a mecha de cabelo solta e úmida sobre sua testa.

— Está melhor?

Assenti. Minhas mãos gelaram, então tive que juntá-las sobre meu colo.

Todavia, tomei coragem de fazer uma pergunta.

— Nós conversamos sobre algo importante ontem à noite?

Seu maxilar contraiu-se e os olhos ficaram mais intensos.

— Sim.

— Eu falei alguma coisa inconveniente?

Ele deu um sorriso de lado, meneando a cabeça negativamente.

— Digamos que eu fui o tagarela da noite.

— Ah, foi? — sorri de volta.

Consegui fitá-lo sem receios, daquela vez. Foi confortável, como sempre vinha sendo.

— Não se preocupe sobre isso, você vai ficar sabendo até o final do dia.

Quase engasguei.

— V-vou?

Ele levantou-se e balançou a cabeça positivamente.

— Já tomou café? Temos um passeio para ir, lembra?

Pisquei os olhos por alguns segundos.

— Não lembra — constatou, comprimindo os lábios — Kevin quer conhecer um pouco dos arredores da fazenda. Será quase uma trilha. Vou ser o guia de vocês.

— Ok. Vai ser divertido.

— Vai sim.

***

Seguimos por um caminho de terra batida, ladeado por cercas de arame farpado. A paisagem começou a mudar gradualmente quando demos uma caminhada de cinco minutos. Os campos abertos deram lugar a uma vegetação mais densa e variada. As árvores começaram a se agrupar mais densamente, formando um bosque à distância.

O chão sob nossos pés passou a ser marcado por folhas verdes secas. Também comecei a ouvir sons de pássaros à distância, juntamente do som contínuo e suave do fluxo da água de um rio que Caleb disse haver por ali.

— Olha — Kevin mostrou-me um bicho-pau que pulou em sua perna.

— Ele vivia querendo me assustar quando éramos mais novos — contei a Caleb.

— Nunca deu certo. Ela brincava com sapos, guardava aranhas em potes e protegia escorpiões quando alguém queria matá-los.

Dei uma risada, com a lembrança.

— Uma vez, levei uma abelha para a igreja. Era minha amiga, eu a chamava de Lili.

— Lembro desse dia — Caleb trocou um olhar comigo.

— Ela acabou se soltando e ferroando um irmão. — bati na minha testa, indignada. — O papai me deu a maior bronca.

— Em contrapartida, naquela mesma época ela foi visitar nossos avós, com quem eu morava. Vovó mimou a Maya mais do que tudo. Como uma abelha rainha...

Tapei a boca com a mão, para inibir a risada e a leve vergonha.

— Muito mimada — meu primo deu-me um empurrãozinho e saiu na frente.

Caleb posicionou-se ao meu lado.

— Descobri que toda essa implicância é a forma de ele demonstrar que gosta de alguém.

— Ah, com certeza. É a linguagem de amor dele.

Chegamos na beira do riacho, onde nossas vozes eram abafadas pelo barulho da pequena queda d'água. Sentamos por ali. Aproveitei para tirar os sapatos e molhar os pés na água corrente cheia de peixinhos.

— Esse era o meu lugar preferido na infância — Caleb compartilhou, retirando um caderno de uma bolsa esportiva que carregava nas costas.

Ao contrário de mim, ele sentou-se sobre as pernas dobradas e começou a rabiscar algumas coisas numa folha em branco.

— Por causa dos seus pais? — chutei baixinho. Kevin não participou dessa nossa conversa, pois se divertia na água como uma criança em uma piscina num dia de domingo.

Ele meneou a cabeça negativamente.

— Por causa dos cervos.

Fiz careta de estranhamento. Caleb abriu um leve sorriso após minha confusão.

— Vi um cervo por aqui uma vez. Nunca me esqueci.

Não consegui conter minha boca se transformando em "o".

— Aqui?

Ele assentiu.

— Não creio! — Olhei, exasperada, para os lados, na inocente fé de que eu poderia acabar vendo algum por ali também.

— Até hoje não sei se era um cervo ou uma corça. Sabe a diferença?

— Sim! — respondi tão rápido que ele pareceu ter se assustado. — Os cervos têm uma cor marrom-acinzentada, sendo que os machos possuem chifres ramificados e pernas bem longas. A cor das corças é tipo acastanhada com algumas manchinhas brancas. Elas têm uma cabecinha pequena e são muito delicadas e atentas. Ah, e os machos não tem galhinhos nos chifres, sabe?

Reparei que durante a minha explicação, ele continuou rabiscando alguma coisa, parando só algumas vezes para me olhar.

— Então acho que vi um cervo mesmo. — concluiu.

Então, respirou fundo, antes de me fitar sem expressão alguma. Engoli em seco, sem entender. E aí percebi que ele estava me desenhando. Enrubesci na mesma hora.

— Não tenho esse tom rosado aqui comigo para pintar suas bochechas — balbuciou, mas eu entendi bem.

Escondi o rosto com as mãos e senti o coração aquecer, conforme ele continuava fazendo a mesma coisa: me olhando intensamente, baixando a cabeça e rabiscando um pouco mais o papel em seu colo.

Minha boca ficou seca quando escutei-o chamar minha atenção:

— Maya, eu...

— Hum?

— Preciso te entregar isso.

Meus olhos, que estiveram desviados por uma certa porção desse tempo, atenderam ao seu chamado ansiosamente. Caleb me estendeu o papel dobrado que parecia ter mais do que apenas um desenho ali, devido a sombra de algumas letras. Ele tinha escrito algo. Com as mãos trêmulas, segurei a folha e quis abri-la, mas Kevin apareceu como um fantasma diante de nós, emergindo da água na beira do riacho. Acabei guardando-a rapidamente na mochila em minhas costas.

— Hora de irmos. Bateu a fome.

Levantei depressa, concordando por mais de um motivo. Eu queria ler o papel o quanto antes. Caleb parecia uma sombra minha, pois fez o mesmo. Nos olhamos discretamente e eu decidi falar por nós:

— O passeio foi ótimo, mas o almoço maravilhoso da Karen nos aguarda. Não podemos deixá-los esperando.

Depois que meu primo se enxugou, guardamos nossas coisas e fomos em direção à fazenda. Cumprimentei à linda família e subi às escadas em direção ao quarto, onde eu me preparei para fazer uma oração antes de ler o papel que Caleb me entregou.

Quando procurei, só vi o bolso entreaberto que, antes, eu havia fechado apressadamente. Pus a mão lá e não encontrei nada. Meu coração gelou.

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