Prólogo

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- Eu te amo tanto.

Era difícil para ele conseguir dizer aquelas palavras em meio ao sufocamente pânico que lhe expremia o peito e liberava aquela dose amarga e grandiosa de lágrimas.

- Por quê?

O desespero lhe nublava a mente e podia sentir seus nervos encolhendo-se e perdendo-se em sua cabeça. Precisava se manter, precisava segurar sua sanidade e preservar sua razão mas, a cada minuto que passava olhando para a mulher e para a pequena criança, mais o mundo escurecia e esfriava. Um mundo sujo, cruel, indigno de bondade ou piedade. Nunca houve, nunca existiu, o que havia era apenas a ilusão de bondade e solidariedade.

A natureza humana era caótica e destrutiva, as más raízes sempre prevaleciam e era por isso que todas as pessoas tinham traumas. Nenhuma sequer podia se salvar a não ser por elas...

Por elas...

Um grito de dor rasgou com ardência a garganta daquele homem. Era contínuo e cortante, esperava que nele aquela dor pudesse dar trégua e lhe deixar respirar. Entretando, aquela dor não estava indo embora.

Ela nunca foi embora.

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