Recomeço

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Algumas horas depois de derrotarem Cronos.

       Poseidon estava se sentindo feliz e aliviado. Era para ele estar comemorando e rindo com os outros Deuses e Semideuses, mas seus olhos não desgrudavam nem por um segundo de Atena, e ele sabia que a Deusa já tinha notado isso, pois de instantes em instantes, ela também o olhava. Riu ao notar que o homem ao lado dela e de Ares provavelmente falou alguma asneira, já que ela discretamente aparteou os lábios em irritação. Ele decidiu ir até lá, para salvá-la de sua miséria momentânea. Se aproximou confiante e sorriu para todos, cumprimentando cada homem com um aperto de mão, mas quando chegou a vez cumprimentar sua rival, Poseidon deu lhe um beijo na mão e seu sorriso se tornou provocativo.

- Me daria a honra? - Ele fez um gesto com a cabeça, indicando a pista de dança.

E ela não lhe respondeu, apenas pegou sua mão estendida e o deixou guiá-la, mas Poseidon sabia que seu humor tinha melhorado, pois viu o leve e rápido sorriso que deu ao vê-lo chegar. O Deus colocou uma mão firme no quadril dela e a puxou para mais perto, enquanto a outra segurava uma das mãos delicadas e fortes.

- Tem sorte que estou de bom humor hoje. - Atena sussurrou e o olhou profundamente, porém tinha um ar brincalhão ali.

- Se você estivesse de mau humor, o máximo que eu faria era pegar uma bebida para dividirmos. Ou ia ficar te observando dançar com algum dos soldados que adoram chamar sua atenção. - Poseidon praticamente ouviu a mulher revirar os olhos. - Ah, Atena...você não pode culpar um homem por tentar a sorte, não é?

O Deus dos Mares nunca fez questão de esconder dos outros que a achava bonita. Sempre dizia para os demais Olimpianos que, por mais que Atena fosse chata e mandona, ninguém podia negar sua inteligência e beleza. Muito menos ele, mas isso era algo que ficava entre os dois. Até hoje ainda era difícil de acreditar que uma mulher tão inteligente e bonita tenha saído da cabeça de Zeus, seu irmãozinho irritante. Claro que ele sabia que a maioria das coisas dela tinham vindo de Métis, só que adorava provocar Zeus com isso. 

- E hoje está com o ciúmes controlado, pelo visto. - Ela sussurrou em seu ouvido e ele sorriu com a provocação. - Nunca pensei que esse dia fosse chegar.

- E que moral a senhorita tem para falar de ciúmes? 

Atena riu e sacudiu a cabeça, silenciosamente concordando com o Deus, que tinha seus bons motivos para conseguir ignorar a forma em que os muitos guerreiros olhavam para a Deusa em seus braços.

Eles ficaram em silêncio por um tempo, enquanto rodopiavam pelo salão em perfeita sincronia e recebiam olhares assustados dos outros que estavam lá, não era comum ver Atena e Poseidon em paz um com o outro. E chegava a ser engraçado que dois rivais declarados conseguissem fazer as coisas em tão perfeita harmonia, como se tivessem ensaiado para uma apresentação. A questão era exatamente essa, nunca foram somente rivais. E isso havia sido provado horas antes da festa dos imortais, com palavras que nunca foram ditas para ouvidos alheios, que ficavam apenas entre eles. Ele havia cumprido a promessa e ela também. Ambos haviam retornado vivos e inteiros, então era hora de deixar com que as coisas voltassem ao que eram antes de tudo entrar no caminho.

- Poseidon, o que você acha que vai acontecer com Perseu e Annabeth? - A mulher quebrou o silêncio com uma dúvida sincera. 

- Em que sentido? No amor ou na vida de semideuses? - Ele temia mais pela parte da vida do que a do amor.

- Nas duas coisas.

- Eu acho que eles vão se tornar um casal poderoso, se amam muito e passaram por muitas coisas juntos, porém tem alguma coisa que me incomoda na questão da vida. - O Deus disse e a girou para longe, depois puxou-a de volta com mais força e precisão, sentindo a mão dela apertar seu ombro e seus olhos cinza o encararem com curiosidade. - Estou sentindo algo estranho, como se essa guerra contra meu pai tenha sido apenas um aquecimento.

Contos OlimpianosWhere stories live. Discover now