CAPÍTULO I

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Pra ser sincera, a Coréia do Sul não é tão "de outro mundo" como já ouvi falar na televisão. 

Ela é como Nova Iorque e a Times Square, movimentada e cheias de pessoas nas ruas se esbarrando como formigas. Só o que muda é o fato das pessoas terem olho puxados e curiosos.

Cheguei hoje na Coréia do Sul, e pra ser mais exata, ainda estou no aeroporto de Incheon (se é assim que se fala), estou esperando o táxi que a empresa que me contratou disse que viria me buscar.E esse tempo que estou aqui está sendo um pouquinho desagradável e desconfortante, mas já sabia que seria assim, aonde olho tem pessoas me encarando, parece que sou algum monstro que invadiu o território deles, acho que chamo muito atenção por ser diferente.

Sempre ouvir falar que ser diferente é bom, mas acho que aqui ninguém nunca escutou essa frase.

-Seu cabelo é permanente?-uma idosa se aproxima interrompendo os meus pensamentos e agarra o meu cabelo.

-Não, é meu porque?-falo meio que desconfortável, porque nunca gostei de alguém mexendo no meu cabelo sem ser eu.

-O que voce fez pra deixar ele assim?-ela começa a passar os dedos entre meus cachos.

-Nada, eles são assim mesmo.-respondo com uma cara de desgosto e inquietação tentando tirar gentilmente as mãos da senhora. 

-Seus olhos, são lentes?-a senhora começa a me encarar, parecendo que estava lendo a minha vida pelo meus olhos.

-Também não, são meus.-respondo um pouco aliviada já que ela havia tirado a mão do meu cabelo.

-Posso ver a sua boca?-a senhora se aproxima mais querendo retirar a máscara preta que estava no meu rosto.

-Não senhora, não gosto.-falo segurando a mão dela,meio sem graça, mas continuando sendo simpática como sempre fui.

Ela me encara com a feição de desdém e sai, provavelmente abusada.

Como que uma pessoa mexe em outra sem permissão?

E ainda tem o direito de me olhar como se fosse lixo e sair abusada?

Em que mundo eu estou?

Meus pensamentos são interrompidos quando um homem alto de terno preto se aproxima.

-Srta. Castro?-ele fala lendo um papel com certa dificuldade, e por incrível que pareça o meu nome não soou muito estranho.

-Sim, sou eu, mas me faz um favor?-pergunto o olhando.

-Sim Srta.?-ele pergunta curioso.

-Você pode me chamar de Lia? É melhor.-respondo e nós dois rimos.

-Sim Srta.Lia.-ele responde e pega uma das minhas malas.

Começo a caminhar pelo aeroporto, e não consigo disfarçar o meu desconforto com todos aqueles olhares e pessoas apontando pra mim.

-Srta.Lia? Tudo bem?-o homem me pergunta estranhando a minha ação.

-Tudo sim.-respondo lhe mostrando um sorriso. 

Mas não era como eu estava por dentro...

...

Uma chuva forte começa a cair quando entramos no carro (bem de cinema sabe?).

Me sento no banco de trás e olho as gotas que escorriam pela vidro da janela, o céu estava escuro e fechado. Penso em quem e as coisas que eu deixei pra trás, como minha avó e Biscoito (o meu gato), mas como a minha avó falou quando me deixou no aeroporto: "Tem momentos em nossas vidas que nós precisamos criar asas e voar!".

Stay With Me - Taehyung -Where stories live. Discover now