Elisa
É um tanto estúpido dizer o porque das situações. Na verdade nunca fui de refletir plenamente sobre algo, na maioria simplesmente deixo fluir e então as horas se tornam dias, meses, anos e assim se esqueci o que era outrora considerada uma preocupação.
Com esse modelo de vida "magnífico" ia suportando tudo que acontecia no meu cotidiano. Suportei a morte da minha mãe, o falatório sobre o culpado ser meu próprio pai, ou quem quer que seja aquele homem, e atualmente suporto a tortura psicologia da suposta melhor amiga da minha mãe. Enfim é essa a fórmula "perfeita" que me impede de pula da primeira ponte que vejo pela frente. Morrer para mim não é uma solução agradável, talvez fingir que as coisas não são direcionadas a mim me torna muito mais neutra a tudo isso. E deve ser por isso que não odeio o meu pai, porque me convenci que isso não era comigo, que foi apenas uma matéria que vi na tv, com essa neura ignorei tudo e todos.
A minha manhã já havia começado terrível, eu e Sônia tínhamos sido despejadas da casa que pagamos aluguel, ela tinha perdido o emprego e os pequenos serviços que fazia não quitavam nossa dividas, mau conseguíamos nos alimentar. Sem local para ir, pegamos um ônibus e nos informarmos onde tinha um hotel a beira de estrada com um preço acessível onde pudéssemos passar a noite. Assim que chegamos no lugar indicado pelo motorista Sônia foi falar com o proprietário, enquanto isso observei em volta onde eu iria passar esses dias, pouco ou muitos, tanto faz, o que realmente queria era que tudo passasse logo. Estava escurecendo e a luz do local não podia ser pior. O proprietário entregou a chave a Sônia e apontou para o lado que tinhamos que seguir, subimos uma escada suja e que rangia a cada degrau que sabíamos, depois seguimos por um corredor que tinha uma varanda sem muita proteção, só uma madeiras tão sujas quanto as escadas. Chegando no número do apartamento ela abriu a porta e deparamos-nos com um minúsculo local, uma espécie de sala-quarto, peguei a minha mala, que era bem leve pois não tinha tantas pertences, e uma mochila com os meu bens preciosos. O local já estava mobiliado, com uma cama, e uma tv do tempo da minha avó, nem sabia que ainda existia aquelas relíquias. Até aquele momento nem eu nem Sônia tínhamos o que dizer, talvez porque o abalo de perder a casa aconchegante que morávamos doía demais.
- Acho que vou tomar um banho - Diz para mim e então entra no banheiro.
•••
Um tempo depois de ter nos estalados ali, provavelmente uma semana, somente de pensar que preciso voltar para aquela casa já me gerava um enorme repulsa, detesto esse lugar, mas para não perder a minha sanidade vou pensar que tudo isso é passageiro, como tudo que já foi na minha vida. É isso, só pensarei que logo acharemos um lugar melhor, e não vou permitir que ninguém descubra onde eu mora, assim tudo ficará bem. A questão não é ser positiva, e sim, sobreviver, tentar viver no modo automático, assim segue um dia após o outro e um dia muda a situação.
Fui para uma festa do pessoal da escola, estudamos juntos desde do primeiro ano, lá estava eu com meu namorado imbecil, como sempre, me perguntando o porque me submeto a situações assim. Tudo estava como sempre lá fora em cima de um carro do seu amigo universitário, se achado o cara da festa, ele e os outros idiotas com quem costumava andar. Não entendo como no começo eu havia me apaixonado por ele, na verdade paixão é uma palavra muito fluida para alguém come eu, sou apática, fria e imatura, o que fiz foi apenas um capricho. Tudo no começo parecia ser mil maravilhas, mas eu sabia e nem parecia que eu tinha um lugarzinho no seu coração, pois acho que ele não tem um e muito menos um cérebro. Quando finalmente o idiota percebi que eu estou o encarando, desse do capô do carro e anda até minha direção, anda não, cambaleia:
- O que foi princesa não está se divertindo? - o bafo de álcool e as palavras rudes corriqueiras, nunca entendia porquê ele sempre usava esse tom de desdenho comigo, na verdade eu até suponho que seja a fragilidade masculina e a infantilidade. Acabei prendendo a risada ao pensar essa teoria - Qual é o seu problema? Você parece que nunca se diverti. O qual é a graça? Tenho cara de palhaço?
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Não existem seres humanos bons!
Teen FictionRealmente é impossível aceitar o simples fato que temos defeitos, que somos feitos de escolhas, somos feitos de uma dia após o outro. Se escolhermos ter uma atitude ruim, vamos nos tornar em parte ruins, porém se escolhermos boas, nos tornaremos boa...
