Não acredito,isso não pode estar acontecendo!
Olhei mais uma vez para o teste em minhas mãos e lá estava,positivo. Parabéns,Betina! Parabéns! Grávida de um homem que te espanca e humilha todos os dias. Se eu contar,tenho certeza que ele vai fazer o que faz com frequência,me espancar e consequentemente fazer eu perder meu bebê.
A essa altura eu não tinha mais lágrimas pra chorar,mil coisas na minha cabeça. Não posso pedir ajuda dos meus pais,ja passei por cima deles pra vir morar com esse desgraçado e eles deixaram
bem claro que não queriam me ver novamente. Pois bem, me resta uma pessoa,minha tia,ela não é muito presente,minha mãe sempre
a afastou de mim, por ela morar na favela da rocinha,era considerada má influência.
E o homem,pai do meu bebê e meu namorado,me
mantém nessa casa praticamente isolada e mantendo contato apenas com ele e com pessoas que ele conhece e confia,também não me deixava atender ligações da minha família quando ele não está por perto.
Mas nem sempre foi assim,no começo era um relacionamento perfeito,Pietro demonstrava ser um homem bom,carinhoso e atencioso,mas,tudo mudou assim que eu vim morar na casa dele,pior escolha da minha vida.
Mas agora eu tenho a chance de fazer uma escolha melhor pra mim e pro meu bebê.
Eu já estava pensando em fugir dessa vida,mas nunca tive coragem,o Pietro me põe medo,me ameaça todos os dias pra que eu nunca fuja dele,segundo ele,eu sou dele para sempre.
Mas esse é o momento,tenho uma vida pra cuidar além da minha,não vou mais deixar ele nos fazer mal. Meu bebê é a fonte de esperança e coragem que eu precisava.
Corri pro meu guarda-roupa e peguei uma mala,coloquei roupas e tudo que eu tinha de valor,joias que ele me dava e até um dinheiro que eu guardava. Peguei tudo e sai o mais rápido possível,aproveitando que ele estava trabalhando,peguei a chave que eu vi ele escondendo na planta próxima da porta e sai,nem
acreditei quando pisei fora do prédio,sai rápido dali antes que ele voltasse.
Depois que eu já estava longe,sentei em um banco na praça e comecei a pensar: E agora?
Liguei pra minha tia,era a única a quem eu podia recorrer.
- Alô?
Ela atende e a voz doce me lembra minha infância.
- Tia Joana,é a Betina tia!
Digo apressada.
- Betina! Que surpresa. Como você tá?
Ela diz parecendo feliz e surpresa ao mesmo tempo.
- Não tô nada bem,tia.
Não contive o choro e entre soluços contei a ela apenas sobre estar grávida e desamparada,me sinto envergonhada e sem coragem pra falar sobre Pietro,ela sem fazer mais
perguntas,nem excitou em me mandar pegar um taxi e ir pra casa dela.
Cheguei na entrada do morro e como ela havia explicado que aconteceria,homens,a maioria com aparência jovem e todos armados,param o taxi e me fazem descer.
- Eu... sou a sobrinha da dona Joana...
Falei devagar para um dos homens ali. Morrendo de medo e certamente,meu c* não passaria nem sinal de wifi neste momento. Mas mantive a postura.
- pode crê,já tenho um mandado pra deixar a patroa lá na goma da tia,bora!
O homem disse e ja foi pegando a mala na minha mão e jogando em um carro do outro lado da rua,eu olhei ao redor e recebi olhares maliciosos dos outros homens,fui rápido até o carro e entrei.
- Sou o digo.
Ele falou me lançando um sorriso que pareceu estranhamente acolhedor,mas me assustei com a voz grossa. Sorri de volta.
- Betina!
- eu tava esperando uma muié com um barrigão,tu não era pra tá grávida?
Ele disse arqueando as sobrancelhas e me olhando dos pés a cabeça. Eu ri.
- Sim,eu estou gravida! Mas tô no comecinho ainda,eu acho. - Sorri meio sem graça. Falar isso era estranho,até então isso tava só na minha cabeça. Ele só assentiu e sussurrou um "legal".
Seguimos o caminho e eu apenas observava tudo atentamente,crianças brincando nas calçadas,pessoas em suas lajes estendendo roupa,soltando pipa e senhoras conversando na porta de suas casas. Mas as espreitas,alguns homens como os que estavam na entrada,olhando tudo atentamente.
É a primeira vez que entro no morro,apesar de ter crescido não tão longe daqui. Não parece tão ruim quanto minha mãe fazia ser.
...
- Pronto.
Ele parou o carro em frente a uma casa simples,mas bonita. Saiu do carro e foi tirando minha pequena mala,sai e mal pisquei minha tia já tava em cima de mim me abraçando.
- Ô filha,vem,eu tô com tantas saudades! Como cresceu,minha ruivinha!
A abracei e me senti,finalmente,amparada. A casa não era enorme como a do Pietro,mas era espaçosa,organizada e bem acolhedora.
- Ta entregue,dona joana! Tô voltando pro meu posto,precisando só chamar!Falow,Betina! Prazer.
O Digo falou e eu sorri,minha tia agradeceu e ele ja foi saindo.
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Eai,galera? O que tão achando? Comentem pra eu continuar 💖
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Betina - Motivos para renascer
Teen FictionBetina se vê com poucas opções ao descobrir estar grávida em meio a um relacionamento abusivo,no qual era espancada e humilhada diariamente. Pensando no bem da criança e dela mesma,ela finalmente criou coragem pra fugir do namorado e ir morar com a...
